Em jogo chato e preguiçoso, seleções tiveram seus futuros definidos nesta Copa

Nesta sexta-feira (26), Uruguai e Espanha entraram em campo pelo último jogo do grupo H em situações completamente diferentes. Enquanto os meninos de Luis brigavam pela primeira colocação, a Celeste entrou em campo com os bastidores completamente conturbados.
Na véspera da partida, um grupo de jogadores do alto pelotão, como Valverde e Rochet, se reuniu com Bielsa pedindo uma mudança no estilo dos treinamentos e uma postura diferente nessa última partida. A reunião não foi muito bem vista pelo treinador e sequer foi atendida, já que os jogadores pediram para atuar explorando os contra-ataques, mas o que vimos em campo foi uma seleção celeste pressionando desde o início, com marcação alta na grande área adversária.
Esperávamos o grande jogo da rodada e ganhamos uma partida bem chata de assistir, com os melhores momentos sendo o frango de Muslera, sua saída logo no intervalo e um princípio de tumulto nos minutos finais.
A primeira etapa foi marcada pelas equipes se estudando, em um jogo preso no meio de campo e com poucas oportunidades claras de gol. Os primeiros 45 minutos foram se arrastando e tudo se encaminhava para um empate sem gols, até que, nos minutos finais, as redes foram balançadas em um frangaço absurdo de Muslera, que aceitou um chute fraco de Baena e viu a bola morrer no fundo da rede, em um lance totalmente inacreditável.

Na volta do intervalo, Bielsa foi “para as loucuras” e sacou o arqueiro, colocando Rochet debaixo das traves. A segunda etapa seguiu no ritmo da primeira, sem grandes emoções, mas desta vez bem mais faltosa e com uma arbitragem sem nenhum critério no que marcava ou deixava seguir.
Assim como vimos nas outras partidas, tivemos uma La Roja cansada em campo, esperando grandes jogadas de Yamal, que esteve muito abaixo do que estamos acostumados, além das peças ofensivas desperdiçando gols inacreditáveis. A primeira chance foi com Dani Olmo e, logo depois, com Ferran Torres, que conseguiu a proeza de errar cara a cara com o arqueiro adversário.
Precisando de um gol para se salvar, o Uruguai tentava se lançar ao ataque, mas o nervosismo tommou conta e as pernas já não correspondiam ao que precisava ser feito.
Já nos acréscimos, os jogadores celestes pediram um pênalti sem fundamento, e o VAR, corretamente, mandou o jogo seguir.
No meio disso tudo, é importante ressaltar que tivemos Bielsa tirando Valverde no início da segunda etapa e Canobbio sendo expulso com vários minutos de atraso, após uma entrada forte no jovem Cubarsí.
Com o apito final, a La Fúria comemorou a classificação para a fase de 16 avos, enquanto o lado azul foi eliminado em um grupo teoricamente fácil, com dois empates, uma derrota, falhas grotescas do sistema defensivo e um clima nada agradável.

Com o fim da fase de grupos, ficou muito nítido o quanto as duas seleções ficaram devendo em um grupo teoricamente acessível. Óbvio que futebol se resolve em campo, e não pelo nome do jogador de maior destaque, mas a La Roja realizou três partidas no mais extremo cansaço e com vários sinais de alerta.
Dá para perceber o quanto Luis ainda está perdido nas escalações e a dependência desse time em Yamal, que ainda está muito abaixo após uma volta repentina de lesão e não é o mesmo Lamine Yamal que vimos no Barcelona, na Eurocopa e em outras competições.
O time ainda não se encontrou neste Mundial, as peças de destaque não vivem seu melhor momento e agora chega a fase em que qualquer erro manda a equipe de volta para casa, sem nenhuma segunda chance, independentemente do favoritismo.
Claro que não é preciso jogar bonito para levantar o caneco, mas é necessário mudar essa postura dentro de campo se o objetivo é chegar longe, bater de frente com qualquer adversário e conquistar novamente esse título, 16 anos depois da última conquista.
Já do lado uruguaio, mais um vexame na conta da Celeste, que começa em Bielsa e vai até os atletas. Não faz sentido manter Arrascaeta e Ronald Araújo no elenco sendo que ambos estão lesionados desde a convocação. A escolha por Muslera também é algo difícil de entender, principalmente mantê-lo como titular após falhar em duas rodadas seguidas.
É vergonhoso terminar essa competição sem a classificação e sem conseguir ficar entre os oito melhores terceiros colocados. O empate na primeira rodada dá para colocar na conta do nervosismo, mas o 2 a 2, com falhas grotescas diante de Cabo Verde, é simplesmente inacreditável e inaceitável para uma seleção do tamanho do Uruguai.
Para sempre vai ficar aquela pulga atrás da orelha: “e se” tivessem levado Luis Suárez pela última vez? “E se” Nahitan Nández tivesse sido convocado? “E se” o goleiro tivesse sido trocado antes deste último jogo decisivo?
São vários questionamentos, mas apenas uma certeza: essa seleção precisa de uma reformulação o mais rápido possível ou, mais uma vez, vai passar vergonha em uma Copa do Mundo e, desta vez, dentro de casa.
Próxima fase:
Classificada, a La Fúria agora espera o segundo colocado do grupo J para saber quem será seu próximo adversário: Argélia ou Áustria. Até lá, Luis de la Fuente vive a tensão de ter mais duas possíveis baixas importantes no elenco, já que Nico Williams deixou o campo reclamando de dores e Yeremy Pino foi substituído com suspeita de lesão na clavícula.
Por: Thais Santos
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