Portugal para na forte defesa congolesa e estreia com empate no Mundial


Favorita ao título, seleção lusitana abre o placar, mas não consegue superar a organização da República Democrática do Congo

Nesta quarta-feira (17), um dos jogos mais aguardados da estreia não ocorreu como o mundo esperava. Portugal e República Democrática do Congo se enfrentaram nos Estados Unidos, e a partida terminou empatada em 1 a 1. Para os congoleses, o resultado teve sabor de vitória, para os portugueses, contudo, o empate foi decepcionante, dado o favoritismo da seleção europeia.

Foto: Clara Bordignon – Direito de Portugal

O time português até abriu o placar, mas, após o gol, a equipe passou a trocar passes laterais e perdeu a intensidade que costumamos ver em suas apresentações. Esse ritmo prejudicou a seleção, pois a República Democrática do Congo, motivada pelo retorno a uma Copa do Mundo após 52 anos, utilizou uma estratégia poderosa: o esquema 5-3-2.

Com essa formação, os congoleses se defenderam muito bem e anularam o jogo de uma das favoritas ao título. Foi uma estratégia esperta, embora triste para os torcedores, que viram Cristiano Ronaldo ser contido por uma marcação sólida, impedindo que Portugal jogasse o futebol que sabemos ser capaz de apresentar.

Agora, é hora de focar no próximo compromisso. O Grupo K, está apenas começando e, para ambas as seleções, ainda restam sete jogos na busca pelo sonho de chegar à final.

Emoção da estreia como torcedora

Este jogo pode representar a última estreia de Cristiano Ronaldo no Mundial, um atleta que conquistou o coração de torcedores ao redor do mundo. Sua trajetória em Copas do Mundo começou em 2006 e, após vinte anos, vivemos a possibilidade de ser a última vez que o veremos em campo.

Como torcedora apaixonada, desenvolvi um carinho especial pela seleção de Portugal, apesar de ser brasileira. Por isso, o início da partida trouxe um aperto no peito, quem me conhece sabe que eu vivo o CR7, o “Robozão”, para os íntimos. Saber que o momento da aposentadoria se aproxima me fez chorar e me emocionar antes mesmo da bola rolar.

Além da pressão natural de uma estreia, sabemos que ele não precisa provar mais nada a ninguém. Contudo, quem acompanha sua história conhece o imenso amor que ele nutre por seu país. Chegar a uma final seria uma emoção indescritível para todos os portugueses e para os fãs que acompanham sua carreira.

Vale lembrar também da saudade que nos acompanha desde a tragédia de 2025, com a perda de Diogo Jota. Ver a homenagem da seleção a ele foi mais um motivo para me emocionar.

Antes do apito inicial, vivi uma mistura intensa de sentimentos. Amo o futebol porque vi o CR7 jogar pela primeira vez e, naquele momento, soube que ele se tornaria um gigante e que esse esporte faria parte da minha história. Ele é um pilar do futebol mundial e inspira seus torcedores pela dedicação e amor à profissão. Espero que esta estreia termine com uma vitória que a seleção merece, dada a qualidade técnica necessária para buscar a final.

Agora, vamos aos detalhes da partida. Sempre que assisto a um jogo, não consigo começar sem antes expressar essa paixão que me move. Peço desculpas a quem não gosta do CR7, mas não consigo escrever sobre Portugal sem externar o sentimento que ele proporciona à minha vida.

Foto por RONALDO SCHEMIDT / AFP

Primeiro tempo

O primeiro tempo do confronto entre Portugal e República do Congo na Copa do Mundo 2026 foi uma verdadeira montanha-russa de emoções, marcada por um início fulminante dos lusitanos e uma resiliência impressionante dos congoleses.

Desde o apito inicial, a seleção portuguesa impôs seu ritmo, buscando o gol com intensidade e rondando a área adversária com perigo. Logo aos 5 minutos, a insistência valeu a pena: após cruzamentos precisos, Pedro Neto encontrou João Neves, que, infiltrando-se na área, testou firme para o fundo das redes e abriu o placar.

Enquanto Cristiano Ronaldo tentava encantar com suas pedaladas e uma tentativa acrobática de bicicleta que passou um pouco acima da trave, a República do Congo não se intimidou.

O time africano, liderado por jogadas individuais de Bakambu e uma marcação que forçava Portugal ao erro na saída de bola, cresceu gradualmente na partida. A pressão alta congolesa, inclusive, quase gerou frutos em um susto com o goleiro Diogo Costa.

O drama, contudo, atingiu seu ápice nos acréscimos. Após roubar a bola e engatar um contra-ataque veloz, Masuaku disparou pela esquerda e cruzou rasteiro, embora a primeira tentativa de Mukau tenha sido bloqueada, o ímpeto da República do Congo não cessou.

Aos 49 minutos, em uma jogada coletiva que coroou a reação, Wissa apareceu para marcar e igualar o marcador, levando as equipes para o intervalo com o placar de 1 a 1 e a promessa de uma segunda etapa ainda mais eletrizante.

Terminar o primeiro tempo com o empate é frustrante para quem ama essa seleção, mas serve de alerta: o jogo está aberto e vamos precisar de muita garra e do talento do nosso Robozão para buscar essa vitória. É sofrido, mas é por isso que a gente ama tanto esse esporte!

Segundo tempo

Foto: MOLLY DARLINGTON / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / GETTY IMAGES VIA AFP11/17

O segundo tempo da partida entre Portugal e República do Congo foi marcado por um intenso duelo tático e muitas emoções, com ambos os times lutando pelo gol da vitória.

O cenário inicial mostrou Portugal mantendo a posse de bola no seu próprio campo, enquanto a seleção congolesa postava suas linhas defensivas atrás da bola para se proteger. Portugal tentou criar oportunidades, como no cruzamento de Pedro Neto para Francisco Conceição, que foi interceptado pela zaga. Aos 9 minutos do segundo tempo, Portugal chegou a balançar as redes com João Cancelo, após uma ajeitada de peito de João Neves, mas o lance foi anulado por impedimento marcado pela arbitragem.

A República do Congo respondeu com perigo, incluindo uma finalização de Bakambu, também anulada por impedimento, e uma bola na trave após uma disputa física intensa na pequena área.

Com o passar do tempo, o jogo tornou-se um lá e cá imprevisível, com Portugal lançando-se ao ataque e oferecendo espaços para os contra-ataques congoleses. Cristiano Ronaldo teve chances claras, mas finalizou para fora em lances distintos, um deles após receber um cruzamento de Francisco Conceição.

Nos minutos finais, o goleiro Mpasi destacou-se ao atuar como um líbero para afastar o perigo em um lançamento para Gonçalo Ramos. Pouco depois, Bruno Fernandes arriscou um chute perigoso de esquerda, que passou raspando o gol congolês, mas o placar permaneceu inalterado até o apito final. Além das movimentações táticas, houve um momento de tensão quando a partida precisou ser paralisada para o atendimento de um jogador, e também uma breve confusão entre os atletas após uma falta. O jogo contou ainda com substituições estratégicas, como as entradas de Sadiki e Pickel pela RD Congo, e de Gonçalo Ramos por Portugal.

Para nós, torcedores do CR7, o segundo tempo foi de apreensão. Cristiano teve chances claras após cruzamentos de Francisco Conceição, mas a bola caprichosamente não entrou. No fim, o destaque acabou sendo o goleiro Mpasi, que garantiu o resultado para os africanos.

O empate em 1 a 1 reflete um jogo aberto, onde a qualidade técnica portuguesa foi desafiada pela organização defensiva e pelos contra-ataques velozes do adversário. Saímos com um ponto, mas com a certeza de que a seleção precisa de ajustes.

Próximo jogo

No dia 23 de junho, o Grupo K volta a campo com confrontos decisivos. Às 14h (horário de Brasília), Portugal enfrenta o Uzbequistão, enquanto, às 23h, a República Democrática do Congo encara a Colômbia.

Por Mury Kathellen

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo


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