Galo perde nos pênaltis por 4×3 e fica com o vice (invicto) da Copa do Brasil Sub-17
Acredito ser uma das maiores haters de “gourmetizar” derrotas, aquela clássica frase de que o time caiu de pé. Mas, para falar desses meninos da base, vou ter que ser um tanto quanto hipócrita, porque o que eles fizeram foi fora da curva, mesmo sem levantar a taça.

Antes de mais nada, e com toda certeza irei repetir isso no final do texto, três pontos fora das quatro linhas precisam ser exaltados.
Começando pelo acerto do Galo na precificação dos ingressos: soube chamar o verdadeiro povão para “colar” na Arena. O segundo elogio vai para essa torcida: que festa absurda para os meninos da base, cantando “às puras” do início ao fim, apoiando quando acabaram as penalidades e sem nenhum tipo de vaia. E o último volta para o Galo novamente, pela belíssima atitude de colocar os familiares dos meninos no gramado antes de a bola rolar, para eles sentirem aquele amor já conhecido e que, com toda certeza, faz muita diferença.
Em resumo da ópera, os meninos do Galo abriram vantagem por 1 a 0, levaram a virada na segunda etapa e, no finalzinho, buscaram o empate em 2 a 2. Nas penalidades máximas, o Atlético com H se saiu melhor por 4 a 3 e vai levar o título para casa pela primeira vez.
Antes de ressaltar as crias alvinegras, é preciso verbalizar com todas as letras, e raivas deste mundo, o quão fraco, sem critério e tendencioso é o senhor Matheus de Moraes Silva. Deixou o Athletico fazer rodízio de faltas sem marcar nenhuma, além da demora para amarelar o primeiro deles, isso sem contar uma marcação de falta inexistente para o adversário que acabou culminando no segundo gol deles. Um verdadeiro show de horrores de uma péssima equipe de arbitragem desta CBF.
Agora vamos ao que importa: que partida surreal desses meninos do Rafael Paiva! Um primeiro tempo impecável, fora da curva e com todo mundo numa intensidade absurda. Só precisam melhorar na tomada de decisão no último passe, na hora da finalização, mas isso parece ser hereditário: começa nas categorias de base e passa para o profissional, seja ele masculino ou feminino.
O Galo tomou conta da partida do início ao fim, ganhando todas as segundas bolas e sem deixar o Furacão sequer encostar na pelota. O placar mínimo na descida para o intervalo foi enganoso e, no fim, mostrou que, infelizmente, a bola pune desde cedo. O elenco atleticano apagou nos últimos 45’ e, com ajuda da arbitragem, acabou levando a virada. Mas acontece que essa máxima de “se não for sofrido não é Galo” também vem desde cedo e, no apagar das luzes, veio aquele apito de penalidade máxima que chega até a marejar os olhos, principalmente depois de o Gomide cobrar com uma leve cavada e a bola acabar no fundo das redes.
E tudo só melhora quando o juiz foi ao VAR e acabou deixando o time alvinegro com um a menos após expulsar o Enzo, que comemorou o empate com “gestos obscenos” para os adversários.

Nos pênaltis não fomos tão eficientes e o adversário acabou levando a melhor, mas nada que apague a partida dos meninos. Isso escancara para muita gente como o Atlético, num geral, é horroroso na transição da base para o profissional. Se juntar todos os jogos do Galo principal no ano, não chega aos pés do primeiro tempo das crias, e falo isso sem exagero algum, sabendo que muita gente concorda comigo. Tem muito menino ali que merece demais uma chance no time principal; tivemos toda uma fase de grupos da Sul-Americana e nenhum deles teve a chance de colocar o pé no gramado, nem que fosse por uns cinco minutos.
Entre todos que se destacaram, o Galo precisa ter olhos muito abertos no Riquelme. O que esse camisa 7 jogou não está escrito! Tem ali seus pontos a serem melhorados, mas ele merece muito subir o mais rápido possível. Outro nome que também precisa ser comentado é o prodígio Veneno, e não vai ser um pênalti perdido e algumas jogadas erradas que vão fazer um menino de 17 anos deixar de ser muito bom de bola, sendo que o mesmo passou o dia todo sendo comentado pelos maiores jornais da Espanha, sendo visto como o novo Neymar.
Vale a pena frisar que é um absurdo a torcida sofrer com Alonso e VH na zaga enquanto temos o Dylan na base. É um absurdo o que essa diretoria faz com os meninos, juntamente com meia dúzia da torcida que assiste a um jogo só e já quer fazer lista ditando quem merece ou não ficar no clube. Depois reclamam quando os meninos são vendidos por um caldo de cana sem gelo e limão e dois pastéis de carne.
Não satisfeito em ser vice do Brasileirão e ser eliminado da Libertadores de forma invicta, a instituição Clube Atlético Mineiro agora carrega também o vice na Copa do Brasil, são coisas que só o atleticano vive mesmo. E agora o grupo de pessoas que pedem a demolição da Arena para construir uma do zero ganha uma nova integrante, porque está difícil a situação, com apenas uma taça levantada em três disputadas.
Apesar desses gatos pingados da internet, é bom destacar novamente o apoio da torcida na Arena com uma festa belíssima. Realmente desceram só os “totós” da cabeça que cantam os 90’. Como é gostoso ver o estádio repleto de atleticanos de verdade após o acerto na precificação, e não esse novo público que a Arena atrai com preços absurdos.
Nosso ouro se encontra na base: esses meninos é que vão ser a nossa salvação, a personificação de raça, de amor à camisa e entendendo o que é Galo e o que a torcida espera. Como diz Willian Bigode, grande amigo do Scarpa, “agora é orar” e esperar que as pessoas de dentro do clube comecem a valorizar mais esses meninos e os frutos que eles podem nos dar, o retorno tanto dentro de campo como o financeiro também, sem precisar vender a troco de pinga.
O próximo compromisso atleticano será diante do São João del-Rei, no sábado (30/05), fora de casa, pelo Campeonato Mineiro.
Sentimento, amor sincero ao alvinegro!
Por: Thais Santos
*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo