O pior roteiro possível


Em confronto direto pela liderança, o Flamengo desmorona emocionalmente e amarga uma das derrotas mais pesadas da temporada

O Maracanã estava vestido para uma noite de festa, mas o destino tinha outros planos. Mais de 65 mil rubro-negros empurravam o Flamengo neste sábado (23), em confronto direto contra o Palmeiras pela 17ª rodada do Brasileirão, mas o que era expectativa de retomada da liderança terminou em uma das noites mais amargas da temporada.

O Rubro-Negro foi derrotado por 3 a 0 diante da própria torcida, viu a longa invencibilidade contra o rival paulista acabar e saiu de campo cercado por frustração, vaias e a sensação de que tudo desmoronou depois da expulsão de Carrascal e de mais uma atuação questionável de Rossi.

Foto: Reprodução-Instagram @flamengodadepressao

O começo do jogo até carregava a atmosfera de um Flamengo pronto para competir. O time tentou pressionar, ocupou o campo ofensivo e fazia o Palmeiras jogar desconfortável nos primeiros minutos. A torcida comprava a intensidade em cada dividida, tentando transformar o Maracanã em combustível para uma resposta imediata após os tropeços recentes. Mas a partida começou a escapar cedo demais das mãos rubro-negras.

Carrascal, recém-chegado e ainda buscando afirmação, conseguiu protagonizar uma atuação difícil de explicar. Nervoso, acelerado e sem conseguir entrar no ritmo do jogo, o colombiano acumulava erros técnicos e decisões precipitadas até transformar a própria noite em desastre. A expulsão veio como um banho de água fria no estádio inteiro. Infantil, evitável e completamente irresponsável para um jogo daquele tamanho.

Com um jogador a mais, o time paulista cresceu naturalmente na partida, passou a controlar os espaços e encontrou um Flamengo desorganizado, ansioso e cada vez mais vulnerável defensivamente. O primeiro gol desmontou o ambiente no Maracanã. O segundo trouxe irritação. O terceiro apenas confirmou o sentimento que já pairava nas arquibancadas: o Flamengo tinha perdido para si mesmo muito antes do apito final.

E no meio do caos coletivo, Rossi voltou a ser personagem negativo. O goleiro, que já vinha pressionado pelas falhas recentes, novamente transmitiu insegurança em momentos decisivos. Em jogos desse tamanho, detalhes mudam atmosferas inteiras, e o Flamengo hoje parece entrar em campo carregando o peso psicológico de cada erro recente do argentino. O time sente. A arquibancada sente. O jogo muda.

A reta final foi quase melancólica. O Palmeiras trocava passes com tranquilidade enquanto o Maracanã alternava entre silêncio, revolta e incredulidade. A confusão após a comemoração de Paulinho resumiu bem o estado emocional rubro-negro: um time nervoso, desorganizado e abatido dentro da própria casa. Depois de 11 anos, o Flamengo voltou a perder para o Palmeiras no Maracanã. Depois de nove anos, voltou a ser derrotado pelo rival paulista no Brasileirão. E da pior forma possível: sem reação.

Foto: Adriano Fontes/Flamengo

Talvez o mais frustrante nem seja o tamanho do placar. É perceber como um jogo grande foi decidido muito mais pelos erros do Flamengo do que pelos méritos do adversário. Carrascal chegou há pouco tempo e já soma expulsões que custam caro demais. Rossi, mais uma vez, termina uma noite importante cercado de questionamentos. E o Flamengo, que entrou em campo podendo incendiar a disputa pela liderança, sai pressionado, ferido e obrigado a ouvir o próprio torcedor deixar o estádio em silêncio.

Agora, o Rubro-Negro tenta virar a chave rapidamente. Na próxima terça-feira (26), o Flamengo recebe o Cusco, no Maracanã, pela última rodada da fase de grupos da Libertadores, buscando confirmar a liderança da chave e reencontrar um pouco de paz antes da sequência da temporada.

Por Rayanne Saturnino

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.


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