O pior jogo de futebol da história


Inter e Flamengo machucam a bola igualmente, mas a vitória é rubro-negra

Na noite da última sexta-feira (22), as Gurias Coloradas receberam as Malvadonas no Sesc Protásio Alves, em Porto Alegre, pela 12ª rodada do Brasileirão A1. O jogo? Horroroso. O resultado? Pior ainda! Em uma partida chata, truncada, embalada pelo frio e pelos erros, Jucinara apareceu para cobrar uma falta como poucas e atrapalhar a ótima atuação de Gabi Barbieri. 1×0 para o Flamengo, fora o tédio.

Foto: Lara Vantzen/S.C. Internacional

Poucas vezes fomos agraciados com um jogo tão chato e feio quanto o que aconteceu entre Colorado e Mengão. Talvez o frio tenha ajudado a fazer com que as meninas se concentrassem apenas no cardio – correndo, correndo, correndo e… Só. O ataque de ambos os times decidiu ser completamente ineficiente, o que fez as defesas esfriarem ainda mais. A bola mal saiu do meio-campo, não pelo nível elevado do embate, mas pelos erros de passe.

Nem as Gurias, nem as Malvadonas conseguiram desempenhar bem no primeiro tempo. Logo aos 3 minutos, Núbia foi amarelada e, ao invés de fazer com que as demais fossem mais cuidadosas, as faltas correram soltas. Todas elas dadas pela árbitra? Não, mas os choques foram acontecendo. 

O Inter finalizou primeiro quando Sole Jaimes matou no peito e finalizou para a defesa de Vivi, mas o lance estava impedido. E ficou por aí, porque depois o Rubro-Negro cresceu e só atacou.

Toda essa pressão culminou em um lance que alguns podem chamar de polêmico, mas eu só consigo expressar de uma maneira: roubaram o Flamengo, gurizada! Claro que não intencionalmente, mas foi tipo isso.

Pura e simplesmente sonegaram um gol completamente legal às visitantes. Depois de um escanteio fechadíssimo cobrado na direita de defesa do Inter, a meia Mariana Fernandes chutou e depois da bola se perder na área, um desvio a jogou contra a goleira. A zagueira Sorriso até tentou afastar, mas já de dentro da meta. Gol – não tão claro, mas gol. 

A auxiliar não viu, a árbitra não viu e algumas jogadoras comentaram que o equívoco pode ter acontecido por conta da iluminação do estádio. Nada disso é polêmico, mas está errado. Como assim o Flamengo não abriu o placar – para a nossa sorte – aos 20’ do primeiro tempo porque tinha gente e sombra bloqueando a visão da bandeira e a gente não vai usar disso para falar do absurdo que é o VAR existir no Brasil oficialmente desde 2018 e ainda não ter chego na fase de pontos corridos do principal campeonato de futebol feminino? Falar em polêmica é fácil, difícil é criticar de forma contundente o que acontece de errado, né?

O jogo seguiu depois disso com muita bronca completamente justificada do lado do Flamengo. As Gurias Coloradas conseguiram aproveitar a desconcentração revoltada das adversárias para criar chances, mas nenhum gol. Vivi Holzel e Gabi Barbieri eram, de longe, as melhores jogadoras em campo. 

Tanto o ataque delas, quanto o nosso, protagonizou momentos constrangedores. Como assim Cristiane não consegue fazer um pivô simples e tá tentando driblar e dar caneta? Como assim Darlene e Sole pedem bola de qualquer lugar do campo sendo que não conseguem acertar o alvo de frente para a rede vazia?

O Deus nos acuda até parou para o intervalo, mas não fomos agraciados com o frio obrigando a arbitragem a desistir do jogo sem uma segunda etapa. Nada mudou. Quer dizer, Pati Llanos e Soll entraram, mas nada efetivamente mudou. 

As ações seguiram truncadas, os erros seguiram dando o tom da partida e nenhuma atacante conseguiria ser decisiva, mesmo se a vida de alguém dependesse disso. Então, falta na minha ex, Djeni, perto da área do Inter aos 12 minutos do segundo tempo. Jucinara na bola, é óbvio, e uma cobrança perfeita, como de praxe. Barbieri até tentou coroar sua noite ótima com uma defesaça, mas não tem nem Cata Coll, nem Christiane Endler que pare uma cobrança de perto da Jucinara. 1×0.

Depois do gol, ficou claro que se alguém fosse marcar, seria o Flamengo ampliando e não o Colorado empatando. Contudo, nada disso aconteceu. O jogo ganhou mais ímpeto de ambos os lados, mas nenhuma técnica ou tática para realmente ser eficiente. A maionese já tinha desandado completamente e Maurício Salgado seguia mudo em Cristo, se recusando a direcionar as Gurias a fazerem qualquer coisa. Frio demais pra pensar, né, professor?

Foto:  Lara Vantzen/S.C. Internacional


Falando em falta de técnica e tática, a minha falta de técnico, decidiu em algum momento que seria interessante recuar a Aninha, maior cérebro pensante do meio-campo, para a zaga. Eu larguei aí. Só quem não largou foram a própria camisa 28 e Valéria Cantuário. De resto, nem os quero-queros do Sesc estavam aguentando mais aquela tortura em forma de pseudo partida de futebol.

Graças a Deus o apito da árbitra soou finalmente e pudemos ser libertos de seguir acompanhando aquilo no frio que fazia. As partes complicadas – tirando assistir ao jogo até o final, é claro – são os fatos de que essa derrota marca quatro anos que não conseguimos vencer o Flamengo, mesmo o time delas piorando consideravelmente a cada temporada, e o fato de que elas nos passaram na tabela. Ao final da partida estávamos em sexto, mas temos todo o jeito de cair mais e passar a pausa para a Copa do Mundo em oitavo. Que maravilha!

Próximo jogo

Além disso, na próxima quarta-feira (27), o Beira-Rio recebe o primeiro Gre-Nal da história da Copa do Brasil de Mulheres e temos tudo para sermos eliminadas pelo rival na maior casa que temos. No final das contas, que Deus tenha misericórdia de nós porque a Jucinara não teve e a Camila Pini com certeza não terá!

Por Luiza Corrêa

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.


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