Lyon decide a hegemonia continental diante do Barcelona
Na tarde deste sábado (23), Les Fenottes entram em campo contra as Blaugranas para disputar a final da Liga das Campeãs da UEFA. O palco da decisão mais importante do futebol de clubes será o modesto Ullevaal Stadion, em Oslo, na Noruega, e a bola rola às 13h. A capacidade reduzida de 28.000 pessoas não apaga o show que se desenrolará no gramado. De certa forma, torna ainda mais intimista a performance de dois times tão familiarizados com a competição.

É inegável apontar o momento do Barcelona como a criação de uma dinastia. O time liderado por Alexia Putellas vai em busca de sua terceira taça, para assentar a hegemonia europeia e se fixar como um dos clubes mais importantes do mundo. Mesmo assim, caso o número de títulos pese, as Lionesas estão alguns metros na frente. O time francês tem nada mais, nada menos do que oito Ligas das Campeãs para chamar de suas. O maior campeão da competição se prepara para enfrentar o time que foi finalista nos últimos cinco anos.
Além de estarem familiarizados com a competição, os times também se conhecem muito bem. Lyon e Barça já se encontraram três vezes na decisão pela Europa e, até o momento, a história está do lado francês. Dos três embates definitivos, as Lionesas levaram 2019 e 2022, enquanto as Culés conquistaram a taça de 2024. Juntos, os clubes somam 11 participações em finais de Liga das Campeãs.
Assim como o Barcelona tem encarreirado final atrás de final na Champions nos últimos anos, o Lyon soube o que foi obter uma sequência de finais – e vitórias – entre as temporadas 2015/16 e 2019/20, voltando à decisão logo em 2021/22 para levantar sua oitava taça.
Não é surpresa que exista muito talento, raça e – principalmente – muita história colorida pelo azul, vermelho e branco do uniforme do Lyon. Das maiores artilheiras por campeonato, cinco alcançaram o feito enquanto vestia a camisa das Lionesas, tornando o time o mais citado na lista. Ada Hegerberg, número 14 do time francês, tem o recorde de maior goleadora do campeonato, com 69 gols ao total, e ainda o recorde de maior artilheira de uma só edição, tendo balançado as redes 15 vezes na temporada de 2017/18.
Contudo, não é só de passado que vive um time tão importante quanto esse. O Lyon conta com um sabor de juventude muito fresco e talentoso, além de um molho brasileiro para deixar tudo mais picante. Na lista de principais jogadoras do time nesta temporada, podemos ver Ada – óbvio -, as francesas Wendie Renard e Kadidiatou Diani, zagueira e atacante, respectivamente, e a atacante haitiana Melchie Dumornay. Juntas, elas somam 14 gols na competição só nesta temporada.

O molho brasileiro fica por conta da selecionável e ex-Braba, Tarciane, e da jovem estrela de 17 anos, Giovanna Waksman. A zagueira deixou o Houston Dash e se apresentou ao Lyon em fevereiro de 2025 e, desde então, conquistou uma Copa da França e uma Copa da Liga, marcou 4 gols e ainda se tornou peça importantíssima para o jogo de rotação da professora Jonatan Giráldez.
Giovanna, por outro lado, experimenta ter um contrato com uma equipe profissional e competitiva pela primeira vez. Apesar de já compor o time, a atacante está se recuperando de um entorse no joelho e precisará assistir à final do lado de fora do campo.
Dessa forma, as 11 iniciais de Giráldez provavelmente serão: Christiane Endler; Ashley Lawrence, Wendie Renard, Ingrid Engen e Selma Bacha; Melchie Dumornay, Lindsey Heaps e Lyly Yohannes; Vicki Becho, Ada Hegerberg e Jule Brand;
Nenhum jogo está decidido antes do apito final e este promete ser um dos mais disputados dos últimos tempos. Um Barça calejado contra um Lyon de volta à briga tem tudo para encher os olhos de todas as espectadoras. Enquanto alguns já decidiram que 2026 cairá no colo de Aitana Bonmatí e Alexia Putellas por conta de suas histórias com o clube catalão, eu digo que isso é mero preciosismo.
Ganha quem jogar mais, é claro. Entretanto, se formos pensar dessa maneira saudosista, em números e no passado. Se formos encarar o agora sob as belas lentes do ontem. Se cada um dos títulos, das vitórias e dos recordes entrarem em campo. Então, que a Europa se curve logo às Leoas!
Por Luiza Corrêa
*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.