Tricolor vence por 2 a 1 no Maracanã e ganha fôlego na Libertadores, mas atuação preocupante e frágil acende o sinal de alerta
Na noite desta terça-feira (19), o Fluminense derrotou o Bolívar por 2 a 1 no Maracanã, em um jogo considerado um autêntico teste de sobrevivência na Libertadores. Depois de um começo de jogo avassalador que chegou a dar falsas esperanças de uma noite tranquila para a torcida, o time recuou de maneira inexplicável e se entregou ao nervosismo ao primeiro sinal de reação do adversário.
Essa característica de vulnerabilidade emocional e tática — em que a equipe desmorona e entra em pânico ao sofrer um gol do adversário — é o pior indicativo para a sequência do Fluminense, que agora está pelo tudo ou nada na competição.
A vitória mantém a pressão sobre as Laranjeiras. Apesar da vitória manter viva a esperança da classificação, o clima no Maracanã ao final da partida foi marcado por cobranças nas arquibancadas, vaias e uma evidente preocupação em relação às limitações coletivas apresentadas em campo. Na tabela do Grupo C, o Fluminense segue em uma posição delicada devido ao regulamento, porém o resultado garante que o Tricolor continua dependendo de si para se classificar, precisando fazer sua parte na rodada final. Vencer o Deportivo La Guaira no Maracanã é a única condição para manter vivo o sonho do bicampeonato.

Primeiro tempo
Com domínio inicial, a recompensa veio logo aos 6′. Arreaga entregou a paçoca na saída de bola, Guga avançou e cruzou para Canobbio, que soltou uma bomba, mas Lampe fez uma grande defesa. No rebote, o oportunista Lucho Acosta chutou de primeira para abrir o placar e incendiar o Maracanã.
Com a vantagem de 1 a 0 e precisando de pelo menos mais dois gols, o Flu adotou uma postura inexplicável e preguiçosa, recuando e permitindo que o adversário avançasse para o nosso campo.
A punição veio aos 23′, em uma falha tática e defensiva inaceitável. Em lançamento de Justiniano, Melgar apareceu livre na área para marcar o gol de empate do Bolívar. Nem Freytes nem Ignácio cortaram por cima e Guga errou feio na diagonal defensiva.
Guga jogava muito por dentro, com Canobbio de falso lateral, deixando um deserto imenso que Nonato simplesmente não conseguia cobrir fisicamente.
Após o baque do empate, o nervosismo tomou conta de vez. Entre os 37′ e 38′, o time parecia tonto em campo, trocando passes trôpegos no campo de defesa debaixo de vaias e protestos da torcida.
Aos 40′, no único espasmo de perigo antes do intervalo, Hércules arriscou um chutaço de fora da área, mas Lampe se esticou para espalmar para escanteio. Logo após a defesa, o goleiro deles começou a fazer aquela cera insuportável e irritante, atrasando o jogo diante de um Tricolor totalmente agitado.
Segundo tempo
Mesmo tendo colocado 11 jogadores para aquecer durante a etapa inicial, a comissão técnica de Zubeldía não realizou alterações no intervalo, insistindo no mesmo esquema que vinha dando errado.
Aos 51′, na nossa primeira descida perigosa, Savarino cruzou rasteiro e quase marcou, mas a bola passou lambendo a trave do Bolívar.
O clima tenso explodiu de vez aos 55′, quando Nonato e John Kennedy começaram a bater boca e discutir no meio-campo, mostrando o total desequilíbrio emocional do elenco.
Percebendo a tragédia iminente, as mudanças vieram aos 59′: saíram Canobbio e Nonato para as entradas de Castillo e Soteldo.
Aos 63′, Castillo chegou a incendiar a torcida ao marcar um gol após escanteio, mas a arbitragem anulou a jogada. John Kennedy, em posição de impedimento, tocou na bola de maneira desnecessária na pequena área antes dela entrar.
Depois da pausa de hidratação aos 67′, o Flu partiu para o ataque. Aos 70′, Soteldo limpou a marcação pela esquerda e cruzou. A bola desviou na zaga e sobrou limpa para John Kennedy chutar rasteiro e certeiro, sem chances para o goleiro rival: 2 a 1 e um respiro no Maracanã.
Aos 72′, saem John Kennedy e Guga para as entradas de Cano e Samuel Xavier. Aos 76′, no tudo ou nada para controlar o meio-campo, Ganso entrou no lugar de Savarino, empurrando Acosta para o lado esquerdo.
Ainda sobrou tempo para sofrer. Aos 89′, Samuel Xavier recebeu cara a cara e chutou forte, mas o goleiro do Bolívar operou um verdadeiro milagre para evitar o terceiro. Fim de jogo e um 2 a 1 dramático que garante a sobrevida.

A atuação trágica do time e o regulamento cruel da Libertadores
Sendo realista, o Fluminense fez um jogo idêntico a quase todos os outros nesta temporada. O time provou, mais uma vez, que é assustadoramente frágil e não consegue aguentar a pressão de um gol inimigo. A facilidade com que a equipe entra em pânico e perde a organização tática após sofrer o empate é inadmissível para um clube do tamanho do Tricolor.
E o preço dessa inconsistência defensiva tem um peso enorme na tabela. Com a mudança no regulamento promovida pela CONMEBOL para a temporada de 2026, o confronto direto tornou-se o principal critério de desempate na fase de grupos. Como o Bolívar venceu por 2 a 0 em La Paz e perdeu no Maracanã por “apenas” 2 a 1, os bolivianos levam vantagem no duelo direto devido ao saldo de gols nesse confronto particular. Por isso, mesmo empatados em 5 pontos, o Bolívar se mantém na vice-liderança do Grupo C, empurrando o Fluminense para a incômoda terceira colocação.
A conta para a última rodada é simples, mas tensa. O Fluminense precisa, obrigatoriamente, vencer o Deportivo La Guaira no Maracanã para chegar aos 8 pontos. Ao mesmo tempo, teremos que torcer desesperadamente pela derrota do Bolívar contra o já classificado líder Independiente Rivadavia, em La Paz. Se o Bolívar vencer seu jogo, o Fluminense estará eliminado mesmo que aplique uma goleada histórica no Maracanã, tudo por conta do regulamento do confronto direto.
Próxima parada: jogo “filler” no Maião
Antes da aguardada decisão na Libertadores, o Fluminense terá que virar a chave para o Campeonato Brasileiro. No próximo sábado (23), às 19h, o Tricolor viaja até o interior paulista para enfrentar o Mirassol no Maião, pela 17ª rodada do Brasileirão. Para o torcedor tricolor, este confronto é o típico jogo “filler”, uma distração incômoda em meio ao turbilhão que vivemos no torneio continental.
A dúvida que fica nas Laranjeiras é sobre o planejamento de Luis Zubeldía. Será que o treinador vai poupar muitos titulares para evitar o desgaste físico e possíveis lesões, ou mandará força máxima ao interior de São Paulo para dar ritmo de jogo ao elenco antes do duelo de vida ou morte contra o La Guaira? Com o time mostrando tanta instabilidade tática e psicológica, cada minuto de treino e descanso será crucial para definir se nossa temporada na América terminará em festa ou em tragédia.
Por Adrielle Almeida | 19/05/2026 22h44
*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo