América perde mais uma, segue sem vencer na Série B e aprofunda crise dentro e fora de campo
Em mais uma noite de domingo (3), em que só os torcedores mais apaixonados compareceram ao Independência, o América foi derrotado de virada por 2 a 1 para o CRB, em partida iniciada às 20h30, válida pela sétima rodada da Série B do Campeonato Brasileiro. Nem em casa o time consegue encontrar respostas para a própria incapacidade, mesmo após uma semana cheia de treinamentos.

Esse texto é diferente dos demais. Em outros momentos, tento manter um olhar mais distante, mais técnico, quase profissional. Hoje não. Hoje é impossível. Hoje é sentimento puro. É o meu sentimento como torcedora, e deixo aqui também o espaço para que outros torcedores se identifiquem ou até discordem, porque o que estamos vivendo não dá mais para tratar com frieza.
Em campo, o roteiro foi mais uma vez cruel e repetitivo. O América até começou melhor e abriu o placar aos nove minutos do primeiro tempo, com Emerson Santos, de cabeça, após cobrança de falta de Paulinho. Um gol que, além de colocar o time na frente, também encerrava um jejum ofensivo que já incomodava. Era o tipo de momento que poderia significar uma virada de chave. Mas não foi.
O jogo seguiu truncado, com poucas chances claras para os dois lados. E, como tem sido comum, bastou um vacilo para tudo desandar. Aos 40 minutos da primeira etapa, o CRB empatou com Dadá Belmonte, aproveitando rebote dentro da área. Já no segundo tempo, quando o empate já parecia um resultado frustrante, mas previsível, veio o golpe final. Aos 39 minutos, Guilherme Pato tentou um cruzamento que passou por todo mundo e morreu no fundo das redes. Um gol estranho, defensável, e que gerou vaias imediatas ao goleiro Gustavo.
Com o resultado, o América chega a sete jogos na Série B sem vencer. São apenas dois pontos somados e a lanterna isolada da competição. Hoje, o Coelho é o único time que ainda não venceu no campeonato. E isso, por si só, já diz muito.

Antes mesmo de entrar na coletiva, a impressão que fica é que nem o próprio Roger Silva consegue entender completamente o que acontece com esse elenco quando precisa decidir jogos. Na entrevista, o treinador destacou que a equipe treinou intensamente o setor ofensivo durante a semana. Três sessões completas voltadas para isso. E, ainda assim, o time não consegue atacar com eficiência. É absurdo.
Claro que seis titulares no departamento médico fazem diferença. Isso é fato. Mas, em um elenco já limitado, não dá para ser totalmente refém dessas ausências. Em algum momento, quem entra precisa corresponder. O ponto positivo, se é que dá para tirar algum, é que Roger parece disposto a tentar. A mexer. A buscar soluções. E essa postura, pelo menos, agrada. Mas a dúvida que fica é: será que só querer é suficiente? Porque já são sete rodadas e nenhuma vitória.
Outra fala que chamou atenção foi a de que Alê, uma das principais referências do elenco, deixou o vestiário antes dos demais jogadores. Em um momento como esse, o que mais se espera é união. E qualquer sinal de ruptura interna só aumenta a preocupação.
Também surgiram informações, ainda que extraoficiais, sobre atrasos de pagamentos. Segundo relatos que circulam, esses valores teriam sido quitados por meio de um empréstimo. Se isso for verdade, elimina uma possível justificativa externa. E nos joga para uma questão ainda mais incômoda: o que, afinal, explica esse desempenho?
Porque o sentimento do torcedor hoje é esse. Medo. Tristeza. Ansiedade. Todo jogo virou uma espécie de tortura psicológica, com hora para começar e para terminar, mas quase sempre com o mesmo resultado.
O América volta a campo na próxima quarta-feira (6), pela Copa Sul-Sudeste, contra o Cianorte, no Independência, às 21h30, em um jogo que, na prática, já não vale mais nada. E, sendo bem honesta, nem sei qual será o clima para esse confronto.
Já pela Série B, o próximo desafio será fora de casa, contra o Náutico. E aí não tem mais espaço para discurso, para promessa ou para tentativa. Ou o América começa a reagir agora, ou essa temporada pode tomar um rumo muito mais perigoso do que qualquer torcedor gostaria de admitir.
Laura Assis Ferreira
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