Reage, mas não joga futebol


Fora de casa, Internacional busca empate contra o Botafogo e escancara um time que ainda não controla o jogo

No entardecer deste sábado (25), o Sport Club Internacional entrou em campo pelo Campeonato Brasileiro. No Estádio Mané Garrincha, enfrentou o Botafogo pela 13ª rodada e, se a ficha técnica aponta um ponto somado fora de casa, o enredo revela algo mais profundo: um time que não joga — reage.

Foto: Ricardo Duarte/ Sport Club Internacional

A primeira etapa foi de baixíssima qualidade. Uma salada de tédio e erros primários, quase uma disputa de quem falhava mais. Em 45 minutos, apenas um lance digno de nota: já nos acréscimos, Carbonero escapou pela direita e cruzou com precisão para Alerrandro, que parou em Neto. Ali esteve o gol que não veio.

O segundo tempo não elevou o nível ao ponto de empolgar, porém trouxe o que faltou antes: gols e algum sentido competitivo. O Botafogo voltou mais atento, ocupou melhor os espaços e encontrou um Inter previsível. Aos 8 minutos, Danilo recebeu com liberdade diante de uma marcação passiva — linhas baixas, pouca agressividade e distância entre setores. Finalizou de média distância, sem bloqueio, e abriu o placar.

A resposta colorada foi imediata. Aos 14′, Alerrandro retribuiu para Carbonero, que atacou a profundidade e, aproveitando a desorganização alvinegra, empatou. Aí reside a contradição: quando acelera, o Inter é perigoso. Com verticalidade e coragem, assume o protagonismo. O problema é tratar isso como exceção.

O jogo ganhou vida. Aos 20′, porém, Medina encontrou novamente um Inter espaçado, atrasado nas ações e permissivo pelos corredores. Em lance que mistura falhas coletivas e individuais, o Botafogo retomou a vantagem: 2 a 1, coerente com o momento.

A teimosia colorada voltou a funcionar. Aos 29′, Bernabei apareceu como surpresa, manteve a convicção no chute e buscou o empate. O lateral, intenso e de impulso ofensivo, tem sido uma das saídas mais surpreendentes de um time que insiste em esperar o jogo acontecer.

Foto: Ricardo Duarte/ Sport Club Internacional

Com o relógio acelerando, ambos oscilaram entre o “nada a perder” e o “tudo em um lance”. O duelo ficou mais franco, com riscos dos dois lados e alguma emoção até o fim.

O time de Paulo Pezzolano tenta, compete, reage — porém ainda joga como quem enxerga pouco o caminho. Parte atrás, corre mais do que pensa, responde mais do que propõe. Em um cenário de sobrevivência, flutua na linha d’água: ora respira, ora afunda.

Somar fora contra um elenco caro tem valor. O contexto, contudo, pesa. O gosto segue amargo pelo que se vê em campo. O Clube do Povo cede à própria imaturidade — nas escolhas, na leitura e no comportamento. Um time previsível, desorganizado e, talvez o mais preocupante, sem estímulo para assumir o jogo.

Ficha técnica — Internacional

Formação inicial: Anthoni; Bruno Gomes, Félix Torres, Victor Gabriel, Bernabei; Villagra,Bruno Henrique, Allex; Carbonero, Alerrandro, Vitinho.

Gols: Carbonero (14’/2ºT) e Bernabei (29’/2ºT).

Substituições: Paulinho no lugar de Bruno Henrique. Matheus Bahia no lugar de Carbonero. Borré no lugar de Alerrandro. Alan Patrick no lugar de Vitinho.

Cartões amarelos: Félix Torres, Victor Gabriel e Clayton Sampaio.

Por Jéssica Salini

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.


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