Presente na arquibancada, ausente em campo: Inter repete erros e sucumbe ao lanterna
Na manhã deste domingo (19), às 11h, mais de 30 mil torcedores estiveram no Beira-Rio para acompanhar, in loco, mais uma atuação desorganizada, ineficiente e decepcionante do Internacional de Paulo Pezzolano, que culminou em uma derrota por 2 a 1 para o então lanterna do Brasileirão, o Mirassol.

O Inter cobrou a ausência do torcedor — e ele se fez presente. Em casa. Um lugar que já foi inferno na vida do adversário, mas que, nesta temporada, tem se tornado palco de decepções e dores para o torcedor colorado.
Pela 12ª rodada do Brasileirão, o Inter só precisava se manter competitivo no jogo. Apesar de não apresentar números expressivos, ainda enfrentava o lanterna da competição. Mas é fato: futebol definitivamente não se joga por tabela ou classificação. E assim, os donos da casa viram um adversário que se apresentou com uma estratégia muito bem definida: defender-se com eficiência — fundamento que o Colorado parece desconhecer.
A eventual lista de desculpas vem se esgotando. E hoje, nem as mexidas necessárias pela lesão de Rochet, nem as ausências por suspensão de Bernabei e Gabi Mercado servem como resposta diante de mais uma derrota.
Em casa, o Internacional começou pressionando, mas com a eficiência de uma peneira tentando segurar água: o pouco que se sustentava de um lado escapava pelo outro. E quando chegava à frente do gol de Walter, esbarrava, mais uma vez, em uma imensa dificuldade de efetividade. Do meio para frente, ninguém chuta ao gol; do meio para trás, ninguém consegue evitar o chute adversário. Se fosse ensinar futebol a uma criança, o que faz em campo o Sport Club Internacional seria capítulo obrigatório: tudo o que não se deve fazer em campo.
Mais uma vez, o Inter foi o time que tem a bola, mas não faz ideia do que fazer com ela. E precisou de pouco tempo para ver, em um lance digno do mais legítimo “bati sem querer”, Lucas Oliveira abrir o placar para o Mirassol, aos 22 minutos da primeira etapa. O gol obrigou o Clube do Povo a correr atrás do resultado — e se já não sabia o que fazer com o jogo empatado, perdendo, você já sabe muito bem como a história costuma terminar.
O time paulista estacionou — e muito bem, diga-se — um verdadeiro ônibus à frente da própria área. E o Inter se via perdido em uma chuva de lançamentos sem sentido, sem objetivo e sem o mínimo de capricho.
Mais uma vez, ficou evidente a ausência do camisa 10. Se coletivamente os outros nove jogadores de linha pouco conseguiam fazer a bola chegar em Alan Patrick, dele e de Rafael Borré viu-se ainda menos em termos de protagonismo e presença. É difícil encontrar em campo quem claramente se ausenta do jogo.

Já na beirada do intervalo, o que era ruim piorou. Quando o Inter parecia, ainda que timidamente, encontrar espaços na busca pela igualdade, André Luis, aos 44 minutos, ampliou para o Mirassol, levando o adversário ao intervalo com uma tranquilidade desconcertante.
A volta do intervalo, que deveria trazer organização, escancarou ansiedade. O time voltou mais agressivo, empurrando o adversário para trás, mas muito mais nervoso do que consciente. Viu-se um Inter apressado, sem definição: antecipando jogadas que pediam mais calma, errando tempos de bola e se perdendo completamente na construção ofensiva. Faltou sustentação, faltou leitura, faltou futebol.
O visitante, à frente no placar, amadureceu o jogo com inteligência. Mesmo com pouca posse de bola, parecia assistir ao desespero colorado, vendo a bola queimar nos pés de quem não sabia o que fazer com ela. O Mirassol precisou de pouco esforço para sustentar o resultado, enquanto o Inter “colocava os pulmões para fora”, correndo de forma desorganizada, como baratas tontas.
Pezzolano fez o que pôde dentro das opções que tinha. E aqui cabe a reflexão: até que ponto se pode cobrar milagre de quem trabalha com um elenco que, além das limitações físicas, parece cada vez mais comprometido cognitivamente? Em campo, o que se via era uma guerra entre poucos neurônios tentando sobreviver à afobação coletiva. Faltou oxigênio — e sobrou desespero.
Não que tenha mudado o resultado ou representado algo além de um suspiro tardio, mas, já aos 48 minutos da segunda etapa, em um lance insistente de bate e rebate, Alan Patrick descontou. Seria compaixão dos deuses do futebol? Ou apenas mais uma daquelas ilusões cruéis que nos fazem acreditar, por alguns segundos, que ainda dá?
Não deu.
Mais uma vez, o Inter perdeu dentro de casa. E perder em casa dói diferente. Dói mais fundo. Dói mais.
Por Jéssica Salini
*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.