Com dois a menos, Corinthians mostra alma, segura o rival e arranca ponto com cara de vitória no Dérbi
Se tem um jogo que explica o que é o Corinthians, é o Dérbi. E neste, teve de tudo: polêmica, expulsões, tensão — e, acima de tudo, resistência.
Com dois jogadores a menos em campo, o Timão buscou forças onde parecia não ter mais e segurou o empate contra o Palmeiras por 0 a 0, somando um ponto que, pelo contexto, vale muito no Campeonato Brasileiro.

O início até indicava um roteiro diferente. Empurrado pela necessidade da vitória, o Corinthians começou melhor, pressionando alto e tentando impor seu ritmo. Mas Dérbi não se joga — se sobrevive. E o jogo rapidamente ficou travado, físico, nervoso.
A primeira etapa foi marcada por um número absurdo de faltas e pouca bola rolando. Mais brigado do que jogado, o clássico teve como principal lance a expulsão de um jogador alvinegro após gesto interpretado como obsceno — decisão revisada pelo VAR e que mudou completamente o cenário da partida.
Até então, o Corinthians era quem mais tentava. Rodrigo Garro encontrou Yuri Alberto em boa oportunidade: o camisa 9 avançou, invadiu a área e finalizou forte, mas para fora. Foi a melhor chance de um primeiro tempo morno — e cada vez mais tenso.
Se já estava difícil, ficou ainda mais. Na volta do intervalo, o jogo ganhou em intensidade. Logo no primeiro minuto, o Corinthians tentou surpreender com chute de fora da área, exigindo defesa do goleiro adversário. Do outro lado, o Palmeiras também respondeu, explorando bolas paradas e pressionando.
E aí veio o golpe mais duro: Matheusinho foi expulso e deixou o Corinthians com apenas nove jogadores em campo.Era o cenário perfeito para o rival crescer. Mas foi aí que apareceu algo que não se treina — se carrega.
A alma corinthiana.
Mesmo em desvantagem numérica, o time se reorganizou, fechou espaços e contou com uma atuação gigantesca de Hugo Souza. Seguro, decisivo e frio nos momentos de maior pressão, o goleiro virou parede.
E ainda assim, o Corinthians teve a chance de sair com a vitória. Em contra-ataque, Yuri Alberto ficou cara a cara com o goleiro. Era o lance do jogo. Mas a finalização parou na defesa adversária.
Do outro lado, nos minutos finais, o Palmeiras ainda tentou na bola parada — e parou, mais uma vez, em Hugo Souza. O apito final não trouxe euforia. Trouxe algo diferente: respeito.
Porque empatar com dois a menos, em um clássico desse tamanho, não é tropeço. É prova de caráter. É o tipo de jogo que não se mede só na tabela — se mede na identidade.
O Corinthians pode não ter vencido. Mas saiu maior.
Agora, o foco se volta para a Copa Libertadores da América, onde o Timão terá mais um desafio importante pela frente contra o Independent Santa Fé, a partida acontece no dia 15 de abril, às 21h30, na NeoQuímica Arena.
Vai Corinthians.
Por Jessica Gomes
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