Virada de gigante


Raposa reage diante da torcida e embala confiança para a Libertadores

Nesse domingo (12), o Cruzeiro escreveu mais um capítulo de superação no Mineirão. Diante do Red Bull Bragantino, o time celeste conquistou sua segunda vitória ao vencer por 2 a 1, de virada, mostrando a força de quem não se entrega nem mesmo quando sai atrás no placar.

Foi um jogo em que o Cabuloso manteve a competitividade do início ao fim. Mesmo em desvantagem, a equipe demonstrou personalidade, buscou o resultado e transformou a pressão em combustível para reagir. A virada não representou apenas três pontos, foi um passo importante para elevar a moral, fortalecer a confiança do elenco e reafirmar o peso da camisa estrelada.

A partir dali, o foco estará totalmente voltado para o próximo desafio. A partida pela Copa Libertadores surgirá no horizonte como mais uma grande oportunidade para consolidar a evolução da equipe, sustentar o bom desempenho e seguir construindo, jogo a jogo, uma trajetória marcada por confiança e vitórias.

Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

Primeiro tempo

No fim da tarde de domingo, no Mineirão, começou mais um jogo, e quem piscou perdeu o início frenético desse confronto entre o Cruzeiro e o Red Bull Bragantino. Se você gosta de drama, esse roteiro foi prato cheio.

A Raposa começou querendo pressionar. Logo aos 3 minutos, Villarreal teve a chance de ouro após um bom passe de Arroyo, mas mandou a bola em cima do goleiro Tiago Volpi. A torcida ainda lamentava o gol perdido quando o destino resolveu cobrar caro.

Aos 8 minutos, o silêncio tomou conta do estádio. Após um cruzamento, a zaga bateu de cabeça e a bola sobrou para Andrés Hurtado. O lateral-direito não perdoou: um chute rasteiro, sem muita força, mas com a precisão de um cirurgião, no cantinho de Matheus Cunha. Bragantino 1 a 0.

O gol foi o estopim para a paciência do torcedor cruzeirense. O goleiro Matheus Cunha virou o alvo principal, com muitas vaias. Mas o futebol é mestre em mudar de lado. Quando o Bragantino tentou ser criativo demais em um escanteio ensaiado aos 17 minutos e falhou, o Cruzeiro viu a brecha que precisava.

Aos 18 minutos, o Mineirão explodiu. Villarreal, o mesmo que havia errado no começo, se redimiu com a autoridade de um artilheiro. Ele balançou as redes e mandou o recado: o jogo estava vivo.

Após o empate, o clima no Mineirão mudou de figura. A tensão deu lugar a uma eletricidade pura, com os dois times trocando golpes para tentar ampliar. Se o início foi de vaias, os minutos seguintes foram de respiração suspensa.

Com o placar em 1 a 1, o Cruzeiro resolveu mostrar quem mandava em casa. Matheus Pereira, o camisa 10, começou a ditar o ritmo. Aos 20 minutos, ele recebeu um passe açucarado de Gerson (que subiu ao ataque só para roubar essa bola!) e soltou uma bomba que passou raspando, assustando o Massa Bruta.

Mas o futebol é feito de redenção. Matheus Cunha, que minutos antes era o vilão da arquibancada,conseguiu fazer uma boa defesa.

Aos 30 minutos, o estádio quase veio abaixo. Neyser, com muita astúcia, roubou a bola e serviu Matheus Pereira. O meia devolveu para o atacante que, cara a cara com o gol, finalizou em cima de Tiago Volpi. No rebote, com o gol escancarado, a bola resolveu ganhar as nuvens. Era a chance da virada!

O jogo seguiu fervendo, com o Cruzeiro martelando e o Bragantino resistindo bravamente às investidas da Raposa. O empate persistia, mas o futebol apresentado era de quem não queria aceitar o morno!

Depois de tanta intensidade, o relógio bateu os 39 minutos e o ritmo finalmente baixou. As duas equipes, exaustas pela trocação franca, adotaram uma postura mais cautelosa. O jogo esfriou taticamente, com ambos os lados preferindo garantir o empate antes de ouvir o apito para o intervalo.

Aos 43 minutos, o lance que poderia ter selado a virada: Matheus Pereira, com a visão de jogo que lhe é peculiar, deu um passe magistral para Villarreal. O atacante recebeu em velocidade, teve o trabalho de se livrar da marcação, mas, na hora de chutar, mandou a bola na lua. Foi a segunda grande chance que ele desperdiçou no jogo.

Fica a pergunta: o Cruzeiro vai se arrepender desses gols perdidos ou o Bragantino vai punir a falta de eficiência da Raposa no segundo tempo?

Segundo tempo

Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

A bola voltou a rolar com as duas equipes mantendo as formações originais. Mas o clima de paz durou pouco. Logo no primeiro minuto, o jogo parou para uma trombada forte: Arroyo e Vinicinho se chocaram e o atendimento médico teve que entrar em ação.

Aos 3 minutos, o Bragantino tentou dar as cartas. Lucas Barbosa avançou perigosamente pela direita, mas encontrou o xerife Lucas Silva, que apareceu providencialmente para cortar a jogada e mandar para escanteio.

Mas o destino estava guardando o brilho para o lado azul da força. Aos 4 minutos, o Cruzeiro desenhou uma jogada de mestre que deixou a zaga do Massa Bruta zonza: Neyser saiu na cara do gol, mas finalizou em cima de Tiago Volpi. O estádio segurou o fôlego. A bola sobrou viva na área após uma dividida e, como um legítimo oportunista, o meia Christian não desperdiçou. Ele encheu o pé e estufou as redes!

Com a virada consolidada, o jogo no Mineirão entrou em uma fase de xadrez tático, onde o Cruzeiro tentava administrar a vantagem enquanto o Bragantino buscava desesperadamente um oxigênio para reagir.

O relógio virou o maior inimigo do Bragantino, enquanto o Cruzeiro, mais calmo, começou a jogar com a inteligência de quem sabe que a vitória está por um triz.

Aos 20 minutos, o estádio gelou. Após uma insistente sequência de escanteios, a bola foi alçada na confusão da área. Lucas Barbosa apareceu como um raio e empurrou para as redes. O lado paulista comemorava, mas o destino tinha outros planos: o bandeira levantou o instrumento, e o árbitro confirmou a posição irregular. Gol anulado!

O Massa Bruta não parou por aí. Aos 25, Vinicinho fez fila e finalizou, mas a zaga celeste travou na hora H. Aos 30, Ryan teve outra chance clara dentro da área, mas a pontaria falhou e a bola foi para fora. Era pressão pura!

O Bragantino incomoda, martela e busca o espaço, mas o Cruzeiro resiste bravamente, jogando com o relógio debaixo do braço e esperando o momento certo para dar o bote final.

Já nos acréscimos, o Cruzeiro quase transformou a vitória em goleada. Wanderson recebeu um belo passe, dominou no peito com categoria e soltou o pé. A bola passou tirando tinta da trave de Volpi.

A reta final no Mineirão foi um teste de sobrevivência para os corações azuis. O que começou com vaias lá no primeiro tempo, terminou com a arquibancada jogando junto, transformando o estádio em uma verdadeira fortaleza para garantir os três pontos.

Próximo jogo

O Cruzeiro volta a campo na próxima quarta-feira, 15 de abril, às 19h (de Brasília), quando enfrenta a Universidad Católica, no Mineirão, em Belo Horizonte, pela 2ª rodada da fase de grupos da Copa Libertadores da América.

Por Mury Kathellen

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.


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