Pênaltis inacreditáveis e ineficiência ofensiva marcaram a derrota do América para o Goiás na noite deste domingo (22)
Na noite deste domingo, 22 de março, o América foi até Goiânia para sua estreia no Campeonato Brasileiro Série B, e o que era para ser um momento de ansiedade e felicidade, se transformou em mais um capítulo de frustração para o torcedor americano. Logo aos primeiros minutos de jogo, a sensação já era de que a noite seria longa, e ela terminou com um doloroso 3 a 1 no lombo para voltar para casa.

A ineficiência do ataque americano já vem sendo tratada por mim e por muitos comentaristas esportivos há algum tempo – arrisco dizer que há mais de um ano. A chegada de Valentim mudou bastante o time defensivamente e trouxe mais organização, mas o ataque segue frouxo, e aí eu nem consigo colocar tudo na conta do treinador. Em muitos momentos, parece ser realmente um problema dos atletas que temos disponíveis. O América até consegue competir, até consegue ter posse, até consegue construir algumas jogadas, mas quase nunca transforma isso em contundência.
Quanto ao jogo, ainda no começo da partida tivemos um pênalti que, para mim, não era cabível, mas é aquele tipo de lance interpretativo que acaba ficando na mão da arbitragem. O problema é que, do outro lado, eles souberam aproveitar. A cobrança foi convertida, e a impressão que fica é a de que só os nossos atletas é que não sabem bater pênalti neste país.
Agora, o segundo pênalti marcado ainda no primeiro tempo foi simplesmente inacreditável. Um erro amador do zagueiro Emerson, que se atrapalhou na saída de bola e colocou a mão na bola dentro da área. Pênalti marcado, pênalti convertido, e ali o jogo já ganhava um contorno muito mais cruel do que deveria.
Seguindo ainda no primeiro tempo, parecia que haveria uma mudança de chave. A expulsão do lado do Goiás fazia imaginar que o América jogaria todo o segundo tempo com um a mais e, portanto, teria condição real de buscar a reação. E, de fato, o time chegou mais, tentou mais e ocupou mais o campo de ataque. O problema, mais uma vez, esteve na falta de qualidade para concluir as jogadas. E aí veio o castigo final: um chute de fora da área, o terceiro gol do Goiás e um cenário triste demais para quem ainda tentava encontrar algum motivo para acreditar.
O tiquinho de acalanto veio com o gol de Mastriani, que voltou a marcar com a camisa do América neste retorno ao clube. Outro ponto positivo para o torcedor foi a volta de Alê, depois de mais de um ano no departamento médico, e aqui não é hipérbole, ele realmente passou mais de um ano no DM. Em meio a tanta irritação, são duas notícias que pelo menos ajudam a lembrar que ainda existe alguma possibilidade de reconstrução no meio do caos.

E eu sei que vai parecer uma ameaça, mas não é: prepare o coração, torcedor, porque quarta-feira tem mais América. Depois de uma estreia tão frustrante na Série B, não existe muito espaço para lamentações longas, porque o calendário já empurra o time para outro compromisso importante.
O próximo desafio será contra o Novorizontino, em Novo Horizonte, no interior de São Paulo, às 21h30 desta quarta-feira (25/3), pela estreia na Copa Sul-Sudeste, como destacou Mateus Pena, em matéria para O TEMPO. E talvez esse seja justamente o único caminho possível para o torcedor americano neste momento: seguir. Seguir mesmo irritado, seguir mesmo cansado, seguir mesmo depois de mais uma noite em que o time fez a gente perder um pouco da paciência e da esperança.
Porque é isso que o torcedor do América faz, no fim das contas. Reclama, se estressa, critica, promete que vai se afastar emocionalmente, mas quando chega o próximo jogo já está de novo acompanhando, torcendo, se envolvendo e tentando encontrar algum sinal de melhora. Que a partida de quarta sirva, pelo menos, para devolver um pouco de dignidade ao desempenho do time, para mostrar alguma reação e para fazer o torcedor acreditar que essa estreia ruim não será o retrato do restante da temporada. Por aqui, entre a raiva, o cansaço e o apego de sempre, tentamos seguir.
Laura Assis Ferreira
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