Internacional domina a Chapecoense no Beira Rio e inicia escalada na tabela.
Em uma noite de pura afirmação tática e comunhão com as arquibancadas, o Internacional entrou em campo com a faca entre os dentes para enfrentar a Chapecoense. O que se viu no Beira Rio foi um atropelo técnico desde o primeiro minuto, com o Colorado assumindo o protagonismo absoluto e transformando o gramado em um território de sentido único. A vitória por 2 a 0, construída com autoridade e inteligência, não apenas garantiu os três pontos, mas serviu como uma declaração de intenções para o restante da temporada, mostrando que o time gaúcho atingiu um patamar de maturidade onde o domínio se transforma em resultado natural.

Desde o apito inicial, o Internacional estabeleceu uma estratégia de pressão alta que impediu a Chapecoense de ultrapassar a linha do meio-campo com a bola controlada. Os primeiros vinte minutos foram marcados por um volume de jogo avassalador, com os laterais atuando praticamente como alas e espetando a defesa adversária pelos corredores laterais. A articulação central, rápida e precisa, encontrava brechas em uma linha defensiva catarinense que tentava se segurar como podia em um bloco baixo extremamente compacto.
Essa insistência resultou em sucessivos escanteios e finalizações de média distância que já levavam perigo real, obrigando o goleiro visitante a realizar defesas difíceis logo cedo. O Inter não permitia o contra-ataque e, assim que perdia a posse, a “regra dos cinco segundos” para recuperação era aplicada com rigor, mantendo o adversário acuado em seu próprio terço defensivo.
A superioridade técnica colorada foi premiada ainda na metade da primeira etapa, após uma sequência de passes que envolveu quase todo o setor de meio-campo. Após uma triangulação envolvente pelo setor direito, a bola foi alçada na área com precisão cirúrgica. O setor ofensivo do Inter, demonstrando excelente leitura de espaço, Mercado aproveitou a falha de marcação na segunda trave para testar firme e abrir o placar, fazendo o Gigante explodir.
O gol não fez o time recuar para administrar; pelo contrário, serviu de combustível para que a equipe mantivesse o pé no acelerador, buscando ampliar a vantagem para evitar surpresas. A Chapecoense, visivelmente atordoada pela velocidade das transições coloradas, passou a cometer erros de passe primários na saída de bola, o que permitiu ao Inter recuperar a posse rapidamente e manter o “abafa” constante, terminando o primeiro tempo com uma estatística de posse de bola superior a 68%, um domínio raramente visto.
No retorno do intervalo, a Chapecoense tentou uma postura levemente mais adiantada, buscando o empate em lances de bola parada ou cruzamentos desesperados na área. No entanto, o sistema defensivo do Internacional mostrou-se impecável, com antecipações precisas dos zagueiros e uma cobertura eficiente dos volantes, que ganharam quase todas as “segundas bolas”. O controle emocional do time gaúcho foi fundamental para não se deixar levar pelo jogo físico e faltoso proposto pelo adversário, que tentava picotar a partida para tirar o ritmo do Colorado.
A tranquilidade definitiva veio através da marca penal. Em uma investida agressiva dentro da grande área, o atacante colorado foi derrubado após uma carga excessiva da defesa catarinense, e o árbitro não hesitou em apontar para o cal. Com extrema frieza e categoria, o batedor oficial Alan Patrick assumiu a responsabilidade, deslocou o goleiro com um chute firme e rasteiro, ampliando o marcador para 2 a 0 e selando qualquer chance de reação da Chapecoense. A partir daí, o que se viu foi um time que brincava com o tempo, trocando passes sob os gritos de incentivo da torcida.
Com o resultado consolidado, o técnico Pezzolano aproveitou para promover substituições estratégicas, preservando os titulares mais desgastados e mantendo a intensidade da marcação com peças descansadas. A entrada dos reservas não diminuiu o ímpeto da equipe, que seguiu criando chances e quase chegou ao terceiro gol em duas oportunidades nos acréscimos.
A vitória sólida, sem sofrer gols, reforça a confiança no sistema defensivo e coloca o Internacional em uma posição de destaque na tabela. Mais do que os três pontos, o desempenho coletivo enviou um recado direto aos concorrentes: o Inter possui repertório tático, profundidade no elenco e uma identidade de jogo clara. Ao apito final, a comunhão entre jogadores e torcida selou uma noite perfeita no Beira Rio, projetando um horizonte de grandes conquistas para a sequência da temporada e finalmente, fora da zona!
Por Larissa Ferreira
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