Mesmo com um jogador a mais, Corinthians empata com o Flamengo por 1 a 1 na Neo Química Arena e frustra a Fiel
Não está fácil ser corinthiano. Em Itaquera, a regra sempre foi clara: não se empata, não se perde — se vence. A Neo Química Arena é território sagrado, lugar onde o adversário precisa sentir o peso da camisa. Mas, infelizmente, o Timão tem esquecido disso.

A partida começou como um pesadelo. O Flamengo entrou ligado, pressionando desde o primeiro minuto. E não demorou: logo aos dois minutos, Hugo Souza saiu jogando mal, Jorginho roubou a bola no ataque e serviu Pedro, que com categoria encontrou Lucas Paquetá. Finalização cruzada, bola na rede e frieza de quem não perdoa.
O cenário poderia ter sido pior. O Flamengo rondava, ameaçava, mas não concluía, e o futebol, como todo corinthiano sabe, cobra caro quem não mata o jogo.
Foi então que o Timão apareceu.
Memphis Depay enxergou o jogo como poucos e achou um passe preciso para Matheus Bidu. O lateral cruzou na medida, meia altura, e aí… ele. Sempre ele. Yuri Alberto, livre na pequena área, empurrou para o gol. Sem chance para o goleiro. Golaço. Grito preso na garganta finalmente solto.

Mas a alegria durou pouco.
Memphis, o cérebro do time, sentiu a coxa e deixou o campo. Foi direto para o vestiário, deixando a Fiel com aquele sentimento que já virou rotina: nunca dá para contar com o time completo.
Ainda antes do intervalo, veio mais um capítulo. Danilo cruzou, Arrascaeta acertou um voleio absurdo… mas esqueceu de um detalhe: no gol estava Hugo Souza. O goleiro se esticou todo e fez uma defesa monumental. Redenção em forma de milagre. Brilha, Hugo. Você merece.
O segundo tempo veio carregado de tensão — e polêmicas.
Primeiro, um lance claro: Ayrton Lucas chegou atrasado e derrubou André na área. Pênalti? Para todo corinthiano, sim. Para o árbitro Rodrigo José Pereira de Lima, nada. O VAR? Silêncio ensurdecedor.
Depois, a expulsão de Evertton Araújo após pisão em Breno Bidon. Cartão vermelho dado, revisado e mantido — mesmo com contestação do VAR.
Era o roteiro perfeito: um a mais em casa. Era hora de mostrar grandeza. Era hora de vencer. Mas não foi.
O Corinthians teve a vantagem, teve o apoio da sua Fiel torcida, teve o cenário… e não teve coragem.
E é aí que dói.
Mais um empate em casa. Mais uma chance desperdiçada. Mais uma atuação que deixa a sensação de que falta algo que não se treina: raça, alma, entendimento do que é vestir essa camisa.
Com a pausa da Data FIFA, Dorival Júnior terá tempo. Tempo para ajustar, para cobrar, para tentar fazer esse elenco entender que técnica sem entrega não sustenta o Corinthians.
Porque, no fim, fica a pergunta: de que adianta trocar treinador, se quem está em campo ainda não entendeu o peso do escudo?
O próximo desafio será contra o Fluminense, no Maracanã. E talvez, longe de Itaquera, o time reencontre aquilo que anda faltando dentro de casa.
Mas uma coisa é certa: já passou da hora de virar a chave.
Vai, Corinthians. A Fiel nunca abandona. Mas também nunca deixa de cobrar.
Por Jessica Gomes
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