Se correr o tetra pega, se ficar o tetra come


Após sobreviver à puxada de tapete, Mecão vence nos pênaltis, cala o rival e escreve um dos capítulos mais épicos da sua história

O América de Natal é tetracampeão potiguar. Neste sábado (21), na Arena das Dunas, o Mecão venceu o rival (ABC FC RN) nos pênaltis, após empate em 1 a 1 no tempo normal, e escreveu o capítulo final de uma das histórias mais improváveis e mais bonitas do futebol recente no Rio Grande do Norte. Este é um título que, definitivamente, vai muito além das quatro linhas.

Depois de perder 18 pontos no Campeonato Potiguar, ver o rebaixamento bater à porta e aguardar a competição ser decidida fora de campo, o América fez o mais difícil: sobreviveu. Reverteu a punição nos tribunais, recuperou a pontuação e chegou à final para provar, dentro de campo, aquilo que nunca foi questionado: que é o melhor time da competição.

Foto: Carmen Gabrielli

Na arquibancada, um espetáculo à parte. Mesmo em minoria numérica, a torcida alvirrubra fez valer sua fama. Os 10% mais barulhentos do Rio Grande do Norte se fizeram presentes na Arena das Dunas. E o que se viu foi uma conexão simbiótica mutualista: quanto mais o time precisava, mais a torcida empurrava. E quanto mais a torcida cantava, mais o time respondia.

Dentro de campo, o primeiro tempo repetiu o roteiro da ida. O América dominante, com linhas altas, maior posse de bola e controle das ações, enquanto o rival se limitava a uma postura reativa, apostando em ligações diretas que pouco produziram. Faltou, mais uma vez, eficiência no último terço, e o placar seguiu inerte.

Na segunda etapa, veio o plot twist. Pressionado para mostrar serviço, já que se apresentava diante de uma torcida que se fez presente, o Alvinegro subiu as linhas e saiu à caça de resultado, buscando sair na vantagem ainda com a bola rolando. E foi assim que, aos 28 minutos, abriu o placar com Wallyson, após jogada iniciada por Luiz Fernando e Jhosefer.

Era o contexto que ninguém queria, mas era, também, o cenário em que o América mais cresce. O clichê que diz “se for fácil, não é América de Natal” é sempre uma verdade. Após o gol, o América precisou retomar o controle da partida e buscar o empate a todo custo, para levar a partida aos pênaltis. 

E, como sempre acontece, é quando tudo está contra nós que nosso poder de reação aparece e se sobressai. Aos gritos de “eu acredito” vindos da torcida alvirrubra e reverberados em toda a Arena das Dunas, Charles cobrou escanteio na medida para Renzo marcar de cabeça, aos 39 minutos.

E como se não bastasse o drama, o futebol ainda reservava mais um capítulo de tensão. Aos 43’, o rival teve a chance de retomar a vantagem, mas o Inacreditável Futebol Clube entrou em campo novamente: bola na trave. No rebote (da trave), outra trave. Isso não deixou dúvidas: o destino já tinha escolhido seu lado.

Com o empate persistindo, a decisão foi para os pênaltis. E aí a estrela dele brilhou mais uma vez. Renan Bragança, que já vinha sendo gigante ao longo da temporada, cresceu ainda mais quando o time precisou. Defendeu duas cobranças, de Luiz Fernando e Lucas Marques, e colocou o América com as mãos na taça. 

Foto 02: Instagram/@americafcnatal

Do outro lado, Coppetti, Charles, Tanque e Souza converteram. E foi justamente Souza, que dias antes havia desperdiçado uma cobrança decisiva na Copa do Brasil, quem tomou para si a responsabilidade e bateu o pênalti final. Com o congelador ligado na temperatura mínima, o ruivo cobrou de forma semelhante à anterior: paradinhas, esperou o goleiro se deslocar e chutou fraco, porém preciso. Gol do título e festa no campo e na arquibancada.

O América de Natal é tetracampeão potiguar. Invicto. Pela segunda vez na história. Mais de 40 anos depois do último tetra, o clube volta a alcançar um feito que não é para qualquer um. E isso tudo da forma mais americana possível: com drama, com luta, com superação e com emoção até o último segundo.

Um time que foi do quase rebaixamento ao topo. Um time que tentaram derrubar no tapetão, mas que respondeu com a bola. Um time que fez do limão uma limonada. E, no fim, fica a verdade que o futebol fez questão de escancarar: podem até tentar mudar o roteiro, mas a bola sempre encontra o craque. O título sempre encontra o dono.

Para enfatizar que ser América de Natal é viver esperando o máximo de emoção, transcrevo aqui o último parágrafo escrito por mim para o pós-jogo do tricampeonato potiguar, mas que poderia ser inédito para o tetra: “O Mecão mostrou, mais uma vez, que é um time que não se entrega. Que é na adversidade que ele cresce. Que é quando tudo parece impossível que devemos acreditar. Devemos acreditar até o fim, nunca duvidar. Afinal, ser América de Natal é isso: nunca desistir, apoiar sempre”.

Com o apagar das luzes da competição Estadual, o Mecão agora volta suas atenções à Copa do Nordeste, que se iniciará nesta quarta-feira (25). O primeiro duelo do Alvirrubro será diante do Maranhão, na Arena das Dunas, a partir das 19h. Até lá, vamos curtir nosso título e começar a sonhar com o Pentacampeonato em 2027.

Por Carmen Gabrielli

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo


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