90 minutos (ou mais) separam o Mecão de um tetra campeonato histórico
O América de Natal volta a campo neste sábado (21), às 16h, na Arena das Dunas, para encarar o ABC no confronto decisivo do Campeonato Potiguar 2026. Após o empate em 1 a 1 no jogo de ida, a final chega completamente aberta: quem vencer levanta a taça. Em caso de nova igualdade, o título será decidido nas cobranças de pênaltis. É o terceiro encontro entre as equipes na temporada (e o mais importante até aqui).

No jogo de ida, o que se viu foi um América dominante do início ao fim. Com linhas altas, boa circulação de bola e imposição territorial, o Mecão tomou para si a responsabilidade da partida e foi, a todo momento, em busca de construir uma vantagem. Ainda no primeiro tempo abriu o placar e, dessa vez, o gol não fez mal ao Mecão, que seguiu ao longo de todo o resto da partida pressionando para ampliar a diferença.
Do outro lado, o rival adotou uma postura exclusivamente reativa. Sem conseguir se impor, teve dificuldade para manter a posse de bola e praticamente não conseguiu articular transições ofensivas, limitando-se a sobreviver defensivamente e apostar em raras bolas paradas. O problema é que o futebol cobra caro a falta de eficiência.
Mesmo superior e acumulando oportunidades, o América não conseguiu aproveitar o domínio e construir um placar elástico e acabou punido no apagar das luzes, quando o adversário encontrou o empate e deixou completamente aberta a decisão deste sábado.
Na visão do técnico Ranielle Ribeiro, o resumo da primeira parte da final passa justamente pelos detalhes. O treinador classificou o primeiro tempo como “impecável”, mas lamentou a falta de eficiência nas oportunidades criadas e o erro decisivo no fim. Para ele, a chave agora é clara: não mudar a rotação.
Repetir o comportamento, ajustar a pontaria e entender que o jogo não acabou, está apenas no intervalo. E é exatamente assim que o América precisa encarar está decisão: como a continuidade de um jogo de 180 minutos. A atuação da ida mostrou um caminho, mas também deixou um alerta evidente: em decisão não há brecha para erros, não há momento para baixar a guarda. O jogo só acaba quando termina e a atenção deve estar sempre presente.
Para o duelo final, o Mecão pode ter reforços importantes. Aruá e Taddei, dois dos principais nomes da equipe, devem retornar e aumentar o poder de decisão do time. Lucas Mendes, após o susto no jogo de ida, também fica à disposição. Por outro lado, Evandro está fora, e a responsabilidade deve cair sobre Charles, nome que divide opiniões, mas que terá a missão de responder dentro de campo.
Além de Evandro, Judson, peça fundamental no equilíbrio da equipe e dono de um fôlego praticamente inesgotável, está fora da decisão após receber o terceiro cartão amarelo no jogo de ida.
Mais do que um jogo, este é o último parágrafo de uma história que começou a ser escrita há anos e que pode ganhar um capítulo eterno. O tetracampeonato não é apenas um título: é a chance de repetir um feito que não acontece há mais de quatro décadas, de eternizar uma geração e de transformar esse elenco em parte definitiva da memória do clube.
Agora, não há mais espaço para rascunho. É decisão. É detalhe. É guerra! Por ironia do destino, a história insiste em ser escrita no palco das grandes emoções, então que fique claro: na Arena das Dunas, em noite de decisão, não existe neutralidade. No fim das contas, pode até mudar o mando no papel, pode até mudar o ambiente nas arquibancadas… mas na Arena das Dunas, todo mundo sabe: só o Mecão joga em casa.
Provável América: Renan Bragança; Lucas Mendes, Lucas Rodrigues, Renzo e Charles; Coppetti, Aruá e Souza; Taddei, Cassiano e Salatiel (Tanque).
Por Carmen Gabrielli
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