Com gols de John Kennedy e Canobbio, o Time de Guerreiros deu uma aula de futebol no Mangueirão
Na noite desta quinta-feira (12), ao derrotar o Remo por 2 a 0 em um Mangueirão lotado, o Fluminense deixou claro para o Brasil que é gigante. Em um reencontro histórico que não acontecia pela elite nacional desde 1986, o Tricolor não se incomodou com a pressão adversária e definiu o jogo com uma atuação segura e dominante. Zubeldía foi muito esperto taticamente, explorando as carências do adversário para encerrar um pequeno jejum e colocar o Flu exatamente onde ele deve estar: na briga direta pela liderança do Campeonato Brasileiro.
A vitória foi a resposta mais importante que o grupo poderia dar após o vice-campeonato estadual. Na temporada inteira, o Fluminense só foi superado em duas ocasiões: contra o Palmeiras e contra o Boavista, ainda com o time alternativo, não deixando dúvidas sobre a solidez da equipe. O triunfo em Belém levou o Flu para a 3ª posição, com 10 pontos, colado nos líderes e abandonando qualquer resquício de dúvida sobre o ânimo do torcedor. Enquanto o Remo amarga a zona de rebaixamento e lida com a revolta de sua torcida por ter perdido o título paraense, o Fluminense é o único time a vencer o Leão em seus domínios até agora nesta edição.

Baile no Mangueirão
O Flu fez questão de deixar o jogo fácil desde o apito inicial. Em sua estreia no comando Remo, o técnico Léo Condé tentou assustar com Alef Manga e Yago Pikachu nas pontas, mas não foi o suficiente e o Tricolor manteve a cabeça no lugar e a bola no pé.
O primeiro gol saiu de uma jogada bem trabalhada e oportunista. Savarino, novidade da noite, criou a jogada que resultou em escanteio pela direita. Na cobrança, a bola sobrou para Renê, que bateu de primeira. No meio do caminho, o nosso camisa 9, John Kennedy, escorou para o fundo das redes aos 16’, desencantando após sete jogos sem marcar.
O controle foi quase total, mas Fluminense não é Fluminense sem a assinatura do nosso paredão. Fábio operou um milagre em uma cabeçada de Vitor Bueno que explodiu na trave, contando ainda com a sorte quando o centroavante João Pedro perdeu o rebote.
Na segunda etapa, o clima de Belém tentou intervir com uma chuva, mas o Flu usou o ambiente contra o dono da casa. Aos 63’ John Kennedy soltou uma bomba, o goleiro espalmou e, na sequência, Lucho Acosta, que jogou como um gênio participativo desde o minuto um, deu uma “cavadinha” com uma precisão absurda para a cabeçada certeira de Canobbio. Foi o balde de água gelada que desmoronou qualquer resistência paraense.
Xadrez que sufocou o Leão
Zubeldía troxe um grande diferencial pra noite, mudando o esquema. O time estava ficando refém de pontas que corriam muito para marcar, mas decidiam pouco, como Serna e Canobbio. Escalando Savarino como titular, o treinador ganhou em criação. Savarino jogou nas costas de Pikachu, enquanto o Flu forçava o jogo sobre Manga, que não voltava para marcar, deixando o lateral Sávio (sem ritmo) exposto. A escolha por Renê também foi essêncial. Mesmo com a chegada de Arana, ele se mantém titular porque trabalha por dentro como um construtor, limpando a saída de bola e permitindo que o Fluminense pouco sofra defensivamente.
Taticamente, vimos um time que não se desesperou. O ataque posicional pedido por Zubeldía permitiu que Savarino e Lucho Acosta jogassem juntos por dentro em várias ocasiões, trocando passes e cadenciando o ritmo até encontrar a estocada fatal. O Fluminense se mostrou um time que entende o jogo: se precisa ser reativo, ele é, mas se precisa ter a bola para calar um estádio lotado com “olé”, faz com uma naturalidade invejável. As entradas de Rodrigo Castillo, Otávio e Alisson no segundo tempo só reforçaram que o elenco ganhou opções de qualidade para manter a intensidade lá no alto.

De volta ao Maracanã
Com mais três pontos na bagagem, o Fluminense agora se prepara para reencontrar sua torcida. O próximo desafio é contra o Athletico Paranaense, no domingo (15), às 16h, no Maracanã, válido pela 6ª rodada do Brasileirão. É hora de encher o estádio e manter a pegada rumo à liderança isolada.
O Tricolor deixou o recado dado: é um time seguro, técnico e que sabe se virar quando a coisa aperta. A facilidade com que o Flu venceu em um terreno onde todos os outros visitantes levaram gols até aqui é um sinal de alerta para os rivais. Se preparem: é para ter medo deste Fluminense de Zubeldía.
Por Adrielle Almeida
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