O Inter levou 90 segundos para perder o jogo e 90 minutos para confirmar


Fora de casa, o Internacional coleciona mais uma derrota e segue sem vencer no Campeonato Brasileiro

O Internacional levou apenas 90 segundos para transformar mais uma noite de Campeonato Brasileiro em frustração. Na Arena MRV, diante do Atlético Mineiro, o Colorado voltou a repetir um roteiro que já começa a se tornar familiar: erros defensivos precoces, dificuldades ofensivas crônicas e mais uma derrota fora de casa. Perdendo o jogo por 1 a 0.

Ainda com um final de semana amargo e indigesto atravessado na boca do estômago, o torcedor alvirrubro recebeu mais uma demonstração de incapacidade, incompetência e um quase desespero. Será que ainda podemos usar o “quase” aqui?

Foto: Ricardo Duarte/SC Internacional

Com poucos segundos de jogo, o Inter até encontrou o caminho do gol. Pareceu um suspiro de alívio no meio da fumaça caótica e asfixiante de uma sequência de partidas horrível. Mas, na resposta do Atlético Mineiro, com menos de dois minutos de jogo, Cuello encontrou uma defesa — ainda podemos chamar o conjunto de ditos atletas que compõem a linha defensiva colorada de defesa? — completamente perdida e desatenta. Assim nasceu o gol do jogo, mais uma vez em um erro que começou em Bernabei.

Dali em diante, com os mandantes à frente no placar e os visitantes muito assertivos em errar, vimos um jogo intenso e de embate físico. O “placar” de faltas anotadas na partida — cerca de 34 — mostra numericamente que os encontros entre os jogadores em campo estiveram longe de serem técnicos ou cordiais.

Aliás, tecnicamente falando, o Inter pouco esteve em campo. Apareceu, tentou, mas encontrar aquele espaço no final de um dos lados do gramado, demarcado pela goleira e que representa o objetivo principal do jogo, foi uma tarefa completamente impossível para o ataque colorado. Que os deuses do futebol perdoem tamanha incompetência. Quantas vezes ainda repetirei essa palavra neste texto? Diversas — e ainda assim não serão suficientes para quantificar a ausência de capacidade cognitiva do meio para a frente do time de Pezzolano.

O Internacional acumulou escanteios, ataques e arremates, mas facilmente classificáveis como a pintura de um deficiente visual em meio a um tiroteio. Na luta pela sobrevivência no Campeonato Brasileiro, o Inter se apresenta como um panda: completamente inapto e inofensivo.

Na segunda etapa, o jogo tornou-se mais interessante, é verdade. Mas também é verdade que todos nós sabemos como terminou. A necessidade do gol — ou ao menos de um ponto — trouxe ao time, que já não sabe marcar na tranquilidade, o desassossego de quem corre atrás do placar. Assim, discutiu mais do que jogou bola e viu as ceras teatrais de Everson roubarem tempo e paciência.

Trocou, mudou peças, renovou o fôlego — não acertou o gol. Discutiu, brigou, empurrou, foi empurrado — perdeu-se ainda mais de si mesmo. Jogou à evidência de um time incompleto. E seria uma injustiça imensa dizer que aqui tudo recai sobre as costas do técnico uruguaio. Há muito mais daqueles incapazes de formar um elenco minimamente decente para uma competição como o Brasileirão do que daquele que tenta fazer algo com a baixa inteligência cognitiva do que tem em mãos.

O mais assustador desta derrota não é o placar de 1 a 0 construído em menos de dois minutos. O mais assustador é a sensação de que ele poderia ter sido escrito antes mesmo da bola rolar. Porque quando um time entra em campo sem saber exatamente como se defender, como atacar ou como reagir, o resultado deixa de ser acidente e passa a ser destino. E hoje, mais uma vez, o Internacional pareceu caminhar resignado para ele.

Próximo jogo

Dentro de casa, o Inter volta a campo no próximo domingo (15), quando recebe o Bahia em busca de uma vitória e de um pouco de paz para o seu torcedor.

Por Jéssica Salini

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal em Campo


Deixe um comentário

Veja Também:

Faça o login

Cadastre-se