Domínio colorado, decisão do apito


Inter é superado pelo Grêmio na final do Gauchão

O domingo (08)  tinha tudo para ser uma tarde de redenção histórica no Gigante da Beira Rio. O Internacional entrou em campo com a alma de quem acredita no impossível, dominando as ações e empurrando o rival contra as cordas. No entanto, o empate em 1 a 1, que garantiu o título gaúcho ao Grêmio, deixou um gosto amargo que vai muito além do placar agregado, ficou a sensação de que, mais uma vez, os critérios da arbitragem de Rafael Klein e a interferência do VAR pareciam seguir um roteiro escrito fora das quatro linhas.

Imagem: Ricardo Duarte/Internacional

O Beira Rio pulsava. Mais de 41 mil vozes criaram o cenário perfeito para o que deveria ser uma tarde de glória colorada. O Internacional entrou em campo com a alma de quem acredita no impossível, dominando as ações e empurrando o rival contra as cordas. 

O apito inicial de Rafael Klein deu largada a um monólogo. O Internacional, com uma postura agressiva e linhas compactas, não permitiu que o Grêmio respirasse. Ronaldo e Paulinho formaram uma barreira intransponível no meio-campo, recuperando bolas em segundos e acionando imediatamente o talento de Alan Patrick. O capitão, em tarde inspirada, parecia jogar em outra rotação, distribuindo passes que rasgavam a defesa tricolor.

Aos 41 minutos, o estádio testemunhou o lance que se tornará o grande debate da temporada. Alan Patrick, após uma finta desconcertante na entrada da área, foi derrubado por uma carga dupla de Gustavo Martins e Monsalve. O impacto foi seco, claro e audível da arquibancada. Klein, bem posicionado, não hesitou: apontou para a marca da cal. O Beira Rio rugiu em um clamor de “justiça”. No entanto, o VAR (que em lances similares a favor do rival costuma ser célere), iniciou uma análise que durou sete minutos. No monitor, Klein pareceu buscar uma agulha no palheiro para invalidar sua própria convicção. A anulação do pênalti não foi apenas um erro; foi uma intervenção que mudou a temperatura emocional do clássico.

Para piorar o roteiro, no único descuido defensivo da etapa, aos 53 minutos (em um tempo de acréscimo inflado pela própria demora do VAR), Gustavo Martins aproveitou uma cobrança de escanteio para abrir o placar a favor do Grêmio. O 1 a 0 era uma heresia futebolística diante do volume de jogo colorado.

Na volta do vestiário, Pezzolano mostrou porque é considerado um estrategista de elite. Realizou mudanças na equipe, alterando a estratégia de jogo. O Inter empilhou chances: uma bola na trave de Mercado após cobrança de falta magistral e duas intervenções milagrosas de Weverton em chutes à queima-roupa de Rafael Borré.

Aos 32 minutos, o limite da civilidade esportiva foi ultrapassado. Em um lance fora da bola, o defensor Wagner Leonardo desferiu uma cotovelada violenta no rosto de Borré. O atacante colorado caiu imediatamente, com o rosto banhado em sangue. Mesmo diante da gravidade, a arbitragem de campo precisou ser “lembrada” pelo vídeo de que agressão é expulsão. Desta vez, a evidência física era incontestável. Cartão vermelho e nova penalidade.

Com a alma de quem carrega a história de um clube, Alan Patrick assumiu a cobrança. Aos 36 minutos, com uma batida seca e precisa, ele estufou as redes e incendiou o Beira-Rio. Era o 1 a 1. O estádio virou um vulcão, e a virada parecia apenas uma questão de tempo e justiça.

O que se viu nos 15 minutos finais foi um insulto ao espectador. O Grêmio, com um a menos e acuado, abdicou de qualquer tentativa de jogar. O goleiro Weverton levava quase um minuto para repor cada bola em jogo. Jogadores adversários desabavam no gramado com cãibras seletivas a cada ataque perigoso do Inter.

Rafael Klein assistiu a tudo com uma complacência irritante. Os cartões amarelos por cera só foram exibidos quando o cronômetro já era o maior aliado do rival. Dos 10 minutos de acréscimo concedidos, a bola rolou por menos de um terço do tempo. O jogo foi sistematicamente picotado, impedindo que a superioridade técnica do Inter se traduzisse no gol do título.

O Internacional encerra o Gauchão 2026 com a certeza de que possui o projeto de futebol mais sólido do estado. O título não veio para a estante, mas o respeito e o reconhecimento da superioridade colorada ficaram cravados no gramado do Beira Rio. O time de Pezzolano sai maior do que entrou, ciente de que, para vencer grandes batalhas, muitas vezes precisará superar não apenas onze homens, mas também a fragilidade de quem segura o apito.

Voltando a pensar em Campeonato Brasileiro, o Colorado viaja até Minas Gerais para enfrentar o Atlético, na quarta-feira (11), às 19h, pela quinta rodada da competição.

Por Larissa Ferreira

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo


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