Encarnados reagiram no segundo tempo, mas deixam escapar vitória diante do Porto

A noite prometia decisão no Estádio da Luz. E foi mesmo. Intensa, quente, tensa — como um clássico deve ser. Mas terminou com um gosto amargo para o Benfica. O empate por 2–2 frente ao Porto deixou a sensação de que os encarnados fizeram o suficiente para vencer… e saíram castigados.
O Porto foi quem abriu o placar, aproveitando um momento de desatenção e colocando pressão logo cedo no jogo. O Benfica demorou a encontrar o ritmo no primeiro tempo, mas quando voltou do intervalo mostrou outra postura. Mais agressivo, mais intenso e claramente mais perigoso.
As oportunidades começaram a aparecer — e também começaram a ser desperdiçadas. O Benfica criava, pressionava, cercava a área adversária… mas a bola insistia em não entrar. Até que, aos 69 minutos, Andreas Schjelderup finalmente conseguiu quebrar a resistência e colocar justiça no marcador.
A Luz explodiu. Era o momento em que parecia que o jogo viraria completamente.
O Benfica continuou por cima, empurrando o Porto para trás. O segundo gol apareceu mais perto do fim, aos 88 minutos, com Leandro Barreiro, que saiu do banco para empatar a partida e incendiar ainda mais o estádio.Mas a sensação que fica é clara: o Benfica foi melhor que o Porto.
Criou mais, atacou mais, teve mais iniciativa e mostrou mais vontade de ganhar. Ainda assim, o resultado final não refletiu totalmente o que se viu em campo.
E como em muitos clássicos, a arbitragem também acabou por entrar na conversa. Houve decisões que deixaram a Luz em ebulição e a sensação entre os benfiquistas foi de que, em vários momentos, o critério acabou por favorecer o Porto.
Outro fator que pesou foi a ausência de Fredrik Aursnes. O médio, uma das peças mais consistentes da equipa, fez falta num jogo que exigia intensidade, equilíbrio e capacidade de controlar o ritmo no meio-campo.
Apesar disso, alguns nomes brilharam. Gianluca Prestianni foi um dos grandes destaques da partida. O jovem mostrou personalidade num clássico pesado, chamou o jogo para si, criou perigo e foi um dos motores ofensivos da equipa encarnada.

A escalação que começou o jogo foi: Trubin; Barrenechea; Pavlidis; Dédic; Richard Ríos; Schjelderup; Prestianni; Dahl; Rafa Silva; Otamendi e Tomás Araújo.
Se dentro de campo o resultado deixou frustração, fora dele a torcida deu um espetáculo. A Luz apresentou um mosaico emocionante em homenagem a Cosme Damião, fundador do clube e figura eterna da história encarnada. Um momento bonito, simbólico, daqueles que lembram a grandeza do Benfica para além dos noventa minutos.
Agora, a matemática do campeonato se complica. A distância para o topo passa a ser de seis pontos, o que significa que o Benfica terá de fazer a sua parte — vencer os próximos jogos — e também torcer por tropeços de FC Porto e Sporting CP.Não é o cenário ideal. Mas ainda há campeonato.
Porque no Benfica, muitas vezes, é assim mesmo: contra tudo e contra todos.E antes de fechar esta noite intensa de clássico, fica também uma pequena homenagem. Hoje é o Dia Internacional da Mulher. Seja vestida de vermelho, azul ou verde — benfiquista, portista ou sportinguista — o futebol também é nosso.Hoje é o nosso dia.
Por Clara Bordignon
*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo