Do sonho europeu ao pesadelo doméstico: A queda que expõe um time sem rumo


Há poucos meses, falar de Filipe Luís era falar de identidade, de pertencimento, de um Flamengo que competia mesmo quando perdia, de um time que não se acovardava. Hoje, o que se vê é um Flamengo que se desmonta.

A última derrota para o Club Atlético Lanús não se trata apenas um vice, mas de um grande alerta, mais uma mancha grotesca na história de Filipe Luís à frente do time. Porque aquele Flamengo que “não se apequenava” tomou um gol de escorregão, porque aquele time que “sabia sofrer com dignidade” desmoronou na prorrogação, porque aquele elenco “mentalmente forte” assistiu o adversário correr sozinho no último lance enquanto o Maracanã ficava em silêncio.

Foto: Reprodução X – @futebol_info

O Flamengo que encarou o Paris Saint-Germain de igual para igual agora não consegue se impor quando precisa sustentar uma vantagem simples. O time que competia por 120 minutos hoje não consegue acabar com a vantagem do adversário de apenas um gol. O que era identidade virou desorganização, o que era intensidade virou nervosismo, e dói admitir.

Se pouco tempo atrás se falava de um treinador que ensinava cultura, hoje o time parece ter desaprendido fundamentos. Em campo se vê jogadores cometendo erros primários, desligamentos inaceitáveis, uma falta de vergonha competitiva que machuca mais que qualquer placar.

Filipe Luís dizia que competir era inegociável. Mas o que foi negociado no início da temporada? A concentração? A responsabilidade? O respeito ao torcedor? O problema não é perder. O Flamengo já perdeu finais épicas e saiu maior. O problema é como o Rubro-Negro vem perdendo.

É perder com cara de time que acha que a camisa resolve sozinha e deita em campo, é perder acumulando justificativas enquanto os títulos escapam. Dois troféus. Duas oportunidades. Nenhuma resposta convincente.

A diretoria vende estabilidade, o elenco parece confortável, o treinador ainda fala em processo. E o torcedor? O torcedor está cansado de esperar respostas do tal “processo”. O processo não entra em campo, não marca no escanteio e não evita escorregões.

Talvez o mundo ainda veja Filipe como promissor. O torcedor começa a enxergar algo mais perigoso: um time que perdeu a fome. E o Flamengo sem fome é um paradoxo. É luxo que virou acomodação, é talento que virou displicência. Nunca foi sobre falta de capacidade, mas falta de competitividade, de imposição e principalmente de VERGONHA.

O restante do Carioca? quase protocolar. O Brasileiro? Longo, implacável, revelador. A Libertadores? Nossa maior obsessão… Mas o que exatamente esse Flamengo vai disputar? Um título por inércia? Uma reação por orgulho ferido? O Brasileirão e a Liberta não perdoam ilusões, cobram constância, competitividade e maturidade psicológica.

E hoje a pergunta que ecoa não é contra quem o Flamengo joga, mas quem o Flamengo será quando entrar em campo. Vai resgatar a identidade que prometeu defender ou continuar vivendo do que um dia foi? Porque a história não espera discurso. Ela exige resposta.

Por Rayanne Saturnino

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo


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