Fim de um sonho


Bahia perde nos pênaltis e está fora da Libertadores

Foto:  Rafael Rodrigues | ECBahia

Dói escrever. Dói lembrar. Dói, principalmente, aceitar. O sonho da América terminou cedo demais para nós. O mais temido aconteceu: o Bahia foi eliminado da Copa Libertadores da América 2026.

Depois de vencer por 2 a 1 no tempo regulamentar contra o O’Higgins, empurrado por uma Arena Fonte Nova pulsante e acreditando até o último segundo, o Esquadrão viu a classificação escapar nas penalidades. Nos pênaltis, derrota por 4 a 3. As cobranças de Dell e Everton Ribeiro pararam nas mãos do goleiro chileno, e ali, junto com aquelas defesas, parecia que nosso coração também ficava pelo caminho.

Mas antes do desfecho cruel, teve luta. Teve entrega. Teve um time que honrou a camisa até o último minuto. Mas, como tantas vezes acontece, faltou capricho na finalização, mais pontaria, um time mais assertivo nos momentos decisivos.

A partida

O Bahia entrou em campo com: Ronaldo, Roman, Gabriel Xavier, Ramos Mingo, Luciano Juba, Caio Alexandre, Jean Lucas, Everton Ribeiro, Ademir, Willian José e Erick Pulga.

Sabendo que precisava vencer, o Tricolor não esperou nem o adversário respirar. Na primeira saída de bola, com apenas 25 segundos de bola rolando, a Fonte Nova explodiu. Ademir recebeu lançamento e deixou Willian José em ótima condição para empurrar para as redes. Era o início perfeito. Era o roteiro que a gente queria escrever.

O Bahia seguiu avassalador. Nos primeiros 15 minutos, quase 80% de posse de bola, intensidade absurda, pressão sufocante. Pulga infernizava pela esquerda, Ademir acelerava pela direita, e o O’Higgins mal conseguia sair do campo de defesa.

Mas Libertadores não perdoa. Aos poucos, o time chileno equilibrou as ações e passou a levar perigo. Aos 18’, González assustou em finalização perigosa, lembrando que nada seria simples.

Depois da pausa para reidratação, o ritmo Tricolor voltou a crescer na reta final do primeiro tempo. Pulga chegou a balançar as redes, mas estava impedido. Pouco depois, aos 42’, ele foi derrubado na área. Pênalti. A tensão tomou conta. Willian José cobrou, o goleiro defendeu, mas no rebote, ele mesmo mandou para o fundo do gol. 2 a 0 Bahea, a Fonte Nova virou um verdadeiro caldeirão. A classificação parecia possível. Parecia próxima. Parecia nossa.

Na volta do intervalo, o Bahia quase ampliou logo nos primeiros segundos, novamente com Pulga, em chute colocado que passou muito perto. Mas o futebol, às vezes, é cruel demais.

Após falha na saída de bola, o O’Higgins recuperou a posse. Sarrafiore cruzou da esquerda e Castillo diminuiu o placar. O 2 a 1 levava a decisão para os pênaltis, e trouxe junto um silêncio apreensivo que só quem estava na Arena entende.

Ceni tentou mudar o panorama. Colocou Acevedo e Kike Olivera, buscando mais intensidade e equilíbrio. Na reta final, lançou Everaldo e Dell, formando uma dupla de área na tentativa do gol salvador. O Bahia foi para o tudo ou nada. A torcida empurrava, cantava, acreditava, mas o terceiro gol não veio. E a decisão foi para os pênaltis.

Nas cobranças, Everaldo, Juba e Rodrigo Nestor converteram para o Bahia. Mas Dell e Everton Ribeiro pararam no goleiro. Do outro lado, os chilenos foram mais eficientes, acertaram quarto cobranças. E assim, de forma dolorida, nosso sonho continental chegou ao fim.

Foto: Letícia Martins | ECBahia

Foi uma eliminação precoce. É frustrante. Um clube do tamanho do Bahia, com a força da sua torcida e o investimento feito, queria e podia mais. A Libertadores era mais que um torneio: era um símbolo do novo momento do clube, reconstrução, ambição de voltar a ser protagonista na América. Mas nem tudo sai como queremos, agora é hora de levantar a cabeça, transformar a dor em combustível, que a frustração de hoje vire aprendizado amanhã.

A temporada continua. Temos a decisão do Campeonato Baiano, a missão de seguir firmes no topo da tabela do Brasileirão e a estreia na Copa do Brasil em abril. O ano ainda reserva batalhas importantes, e esse grupo já mostrou que tem entrega e qualidade.

Próximo desafio

Agora, o foco do Tricolor se volta para o Baianão. O Bahia enfrenta a Juazeirense, em confronto único da semifinal, neste sábado (28), às 17h, na Arena Fonte Nova.

A gente sofre. A gente chora. Mas a gente nunca abandona. Porque ser Bahia é isso: acreditar sempre. E sábado estaremos lá de novo para empurra o Esquadrão nos 90 minutos! #BBMP

Por Thamires Barbosa Araújo

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo


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