À procura de um lateral esquerdo  


Internacional abre o placar, mas leva empate com gol de pênalti

No anoitecer desta quarta-feira (4), o Colorado visitou o Maracanã, no Rio de Janeiro, para enfrentar o Flamengo pela segunda rodada do Campeonato Brasileiro. A má fase dos donos da casa e a inteligência de Pezzolano resultaram em um primeiro tempo dominado pelos visitantes e um segundo tempo mais equilibrado e pendendendo para o Rubro-Negro. Mesmo com o Inter melhor no jogo, a falta de cognição de Bernabei fez o placar terminar empatado em 1×1. Nós perdemos dois pontos, eles ganharam um. 

Foto: Ricardo Duarte

O Internacional entrou com a formação completamente adaptada ao jogo de Filipe Luís, com intensidade pela esquerda – aproveitando a presença do horroroso lateral Emerson Royal, que trabalhava com Paquetá como meia direito – e linhas densas e compactas, bem postadas, trabalhando em sincronia. Bruno Gomes pela direita cuidou do setor esquerdo dos adversários, que trabalhou muito mais por conta da qualidade. Junto a isso, o Colorado abriu mão da posse de bola e reduziu o campo de jogo de ambos os times ao círculo central, evitando marcar muito próximos de Rochet e tentando infiltrar em jogadas de velocidade, sem povoar tanto a área de Rossi.

Com um DNA agressivo, o Inter se colocou no ataque no primeiro minuto de partida. Paquetá – aquele que vale 260 milhões – perdeu a bola para Carbonero, que driblou o cone Emerson Royal e partiu pela esquerda em direção à meta. O camisa 7 cortou para dentro e acabou finalizando rente à trave. 

Antes dos 5 minutos de bola rolando, já havia sido distribuído um cartão para cada lado. Aos 3 minutos, o camisa 20 deles – aquele mesmo – foi driblado por Alan Patrick próximo à linha de lado e, não conseguindo dar continuidade à jogada, agarrou o capitão colorado pela camisa e o jogou no chão para a felicidade de quem apostou em um amarelo para ele. Logo depois, o volante Ronaldo devolveu puxando o capitão deles, Arrascaeta, após ser ultrapassado e também foi coroado com uma tarjeta. Sendo bem sincera, nada mais Inter x Flamengo do que isso. 

Ignorando o jogo por alguns instantes, eu sinto que este clássico nacional, como bem o Internacional chamou em seu X (antigo Twitter), é um dos mais interessantes de se assistir. Sempre tem batalha, raça, sufoco, ódio, nervos à flor da pele e tudo isso enquanto as torcidas comem churrasco e tomam cerveja ao redor do estádio. Apesar dos estresses dentro de campo, são duas das poucas torcidas que ainda se respeitam e recebem bem uma à outra em suas casas. Que isso não mude.

Passados 20 minutos e tínhamos três finalizações do Inter contra nenhuma do Flamengo. Não sei vocês, mas eu passei a semana tendo certeza que o Rubro-Negro acordaria contra nós e ao chegar nessa marca tendo apenas agredido a defesa deles, comecei a pensar que talvez pudessemos sair vivos do Maraca. Os primeiros ataques promissores dos donos da casa vieram de dois cruzamentos de Arrascaeta: um na cabeça de Léo Pereira e um que acabou sendo interceptado por Bruno Gomes e dando rebote para Paquetá. 

Quase batendo 30 minutos, o Colorado voltou a dominar as ações de ataque. Vitinho levou a bola pelo meio até a entrada da área, onde bateu para uma defesa de dois tempos de Rossi. Dez minutos depois, Alex Sandro seguiu pela esquerda sem conseguir ser parado, mesmo com a defesa reforçada. Dentro da área, Mercado acabou não chegando a tempo de interceptar o cruzamento em direção a Paquetá – aham, ele mesmo. O meia finalizou e Victor Gabriel precisou, literalmente, se jogar em direção à bola para bloqueá-la.

Sabemos que o futebol, injusto como é, não recompensa esforço sem estufar as redes. Mesmo com o time muito melhor que os donos da casa, ainda faltava esse mínimo detalhe para que isso ficasse claro para além de números e estatísticas. E, eu até sei que dizem que a bola procura o craque, mas em um time organizado, ela é conduzida até ele. 

Aos 47 minutos, o volante Ronaldo, que não havia acertado nada até o momento, acabou perdendo a bola para Paquetá – … – no meio de campo. Sabendo o que aquilo poderia custar caso o craque do 18º colocado da Premier League decidisse jogar o que sabe, o camisa 16 prontamente recuperou e organizou a jogada até largar para Alan Patrick. O 10 e faixa lançou para Carbonero, que arrancou pelo meio campo, driblando os defensores, até tocar para Borré. 

Entrando pela direita da área, o colombiano ameaçou chutar de primeira, vendo Léo Ortiz – CRIA DO CELEIRO DE ASES – cair como um patinho e deslizar até a linha de fundo. Cortando para a esquerda, o camisa 19 finalizou por cima de um Rossi já no chão e abriu o placar para o Inter logo antes do final do primeiro tempo. 

E, pelo incrível que pareça, foi no intervalo que a diferença brutal entre os times pode ser percebida. Enquanto o Internacional, que gastou R$ 306,91 milhões nas últimas 6 temporadas, não promoveu trocas, o Flamengo, que torrou R$ 325,3 milhões nas últimas duas contratações, colocou Varela e Pedro nos lugares de Emerson Royal – que foi duramente vaiado na saída – e Bruno Henrique – que se estava em campo antes, eu não vi. Mesmo no seu pior momento, com os piores resultados, o Rubro-Negro ainda tem uma infinidade de jogadores do mais alto nível em seu banco e a possibilidade de renovar completamente o ânimo para a etapa complementar. 

Foto: Ricardo Duarte

Isso não ficou claro de início, já que com menos de 10 segundos, o Colorado quase meteu para dentro em um lançamento em profundidade para Carbonero, que ultrapassou Léo Pereira, e finalizou de fora da área para uma belíssima defesa de Rossi. 

O início do segundo tempo foi marcado por ataques com pressa e ânsia dos dois lados. Fechando dois minutos, num erro de Victor Gabriel, Cebolinha levantou na área para que ninguém cruzasse. Aos 3’, Alan Patrick serviu Carbonero, que mais uma vez parou nas luvas do goleiro argentino. Aproveitando o rebote, Bernabei mandou para fora, mesmo já estando impedido. Dois minutos depois, Arrascaeta cruzou em direção a Varela, mas Paquetá – AHAM, ELE -, afobado que só, pulou antes e cabeceou para fora, servindo de zagueiro para o Colorado.

O ritmo ficou frenético e isso estava, obviamente, beneficiando os donos da casa, que estão muito acima no quesito físico e já tinham Carrascal, no lugar do craque máximo Paquetá, e Samuel Lino, no lugar de Everton Cebolinha. Enquanto isso, as entradas promovidas por Pezzolano foram Bruno Henrique, no lugar do volante Ronaldo, e Aguirre, no lugar de Vitinho, para se livrar dos amarelados e poder apertar a marcação. 

É desleal que mesmo jogando nada, o time dos caras ainda tenha um arsenal enquanto a nossa esperança está em uma finalização do Cafecito. Só que, tudo bem, o pior em campo não foi ele, afinal, o desastre estava ali o tempo todo, mas a gente só viu aos 20 minutos, quando o árbitro apitou um pênalti pra eles. Em uma dividida de bola na área, o abençoado – pra não dizer outra coisa – Bernabei tentou afastar a bola e, perdendo o tempo da passada, grudou as travas no pé de Varela. 

O que mais me pega é que na narração do Premiere, Luiz Carlos Jr. definiu o momento como ele foi. Nas palavras do narrador, o Flamengo “ganhou um pênalti”. Infelizmente, o presente não foi do árbitro. Se tivesse sido, eu estaria no Twitter reclamando da CBF e chamando os caras de VARmengo. Só que não, o presente foi do meu lateral esquerdo que não sabe marcar nem se a Amarok dele depender disso. Sem discussão, Arrascaeta cobrou colocando Rochet, que não é nenhum Safanov, de um lado e a bola do outro. 

O jogo seguiu na mesma intensidade, exigindo muito do físico dos dois lados. Em determinado momento, entraram Thiago Maia, Félix Torres e Alerrandro nos lugares de Carbonero, Mercado e Borré. O camisa 9, inclusive, já recebeu uma agressão de boas vindas de Pulgar, que o golpeou na nuca, provavelmente com um tapa. Eu não posso ter certeza porque o Premiere não se dignou a mostrar um replay do lance – que aconteceu sem qualquer perigo de bola perto deles -, e nem o bandeirinha se dignou a avisar ao árbitro. Licença pra bater que dizem, né?

Antes do apito inicial, eu achei que, com sorte, conseguiríamos empatar com o Flamengo no Rio de Janeiro – levando em consideração o nosso histórico de levantar defunto. Depois do apito final, esse empate deixou um gosto amargo na minha boca. Se meu lateral esquerdo não fosse um candidato a zerar a redação do Enem, os três pontos seriam nossos em uma vitória magra, porém dominante no Maracanã. 

Eu gosto das ações ofensivas de Bernabei, como bem vimos no greNAL, mas é inaceitável o quão infantil e desmiolado ele pode ser na hora de defender. De onde eu vejo, temos um ponta esquerda, no máximo um ala. Enquanto isso, deveríamos estar à procura de um lateral porque não dá mais para perder pontos preciosos nas costas de um inconsequente desses. 

No mais, esse jogo me deixou otimista. Como bem disse Filipe Luís, o treinador com os cabelos mais sedosos e belos do futebol mundial, eles estiveram bem mais próximos da derrota do que da vitória. Isso quer dizer que nós encaramos um dos estádios mais difíceis de se encarar, independente da fase do Flamengo, com a cabeça erguida e protegidos por uma tática que anulou Bruno Henrique e Paquetá – o cara aquele – e deixou Arrascaeta completamente desconfortável.

O time confuso e desajustado que perdeu para o Athlético no Beira-Rio não é nem esboço dos titulares que defenderão a Camisa Vermelha nos campeonatos nacionais, logo não pode ser exemplo. Exemplo é o que vimos hoje e o que teremos daqui para frente com as adições que ainda estão por vir.

Eu quero ganhar o Gauchão e eu quero muito disputar títulos nacionais este ano. Não ganhar faz parte e, honestamente, a gente tá acostumado. O que eu não quero é assistir ao Internacional sem enxergar a alma, o sangue e o suor dos jogadores ultrapassando as fibras da camisa. Eu quero um time com raça que vai me fazer acreditar que as coisas podem ser melhores do que elas vêm sendo e eu acho, de verdade, que temos o grupo para isso. 

Tanto a gurizada do Celeiro de Ases, que vem representando no Gauchão e eu espero que siga tendo oportunidades de fazer parte do elenco no estadual, quanto os integrantes do time profissional que estão mostrando muito brio ao entrar em campo nas duas competições. Penso que isso tem muito a ver com o sangue quente de Pezzolano e o respeito que Abel e Soldado têm pela nossa história.

O Inter volta a campo no sábado (8), às 18h, no Beira-Rio, para defender a ida para a semifinal do Gauchão em jogo único contra o São Luiz. Sabendo da importância de copar o estadual, digo que o suficiente não é mais o suficiente e, em algum momento, o máximo possível vai se tornar pouco. É o que eu tenho dito: qualquer coisa que não seja dar a vida por um campeonato não serve mais para o Internacional e isso precisa estar claro. 

Por Luiza Corrêa

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo


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