Sem vitória, sem paz


Mesmo com gol de Arrascaeta e reação no segundo tempo, o Rubro-Negro voltou a tropeçar no Maracanã e segue sem convencer a torcida

Na noite desta quarta-feira (4), no Maracanã, Flamengo e Internacional empataram em 1 a 1 pela segunda rodada do Campeonato Brasileiro. Borré abriu o placar para os gaúchos ainda nos acréscimos do primeiro tempo, e Arrascaeta deixou tudo igual ao converter pênalti na etapa final.

O resultado até interrompe a sequência de derrotas, mas não a sensação de incômodo: já são quatro jogos sem vencer, e o Rubro-Negro deixou o gramado novamente sob vaias, um retrato fiel de um time que ainda não convenceu o seu torcedor neste início de temporada.

Foto: Gilvan de souza/Flamengo

O clima antes mesmo da bola rolar já dava sinais de que a paciência estava curta. Se por um lado o Maracanã recebeu Lucas Paquetá com festa, mosaico, aplausos e a esperança depositada na cria que voltou, por outro, os protestos ecoaram cedo. “Queremos raça” e “não é mole, não, pra jogar no Mengo tem que ter disposição” foram cantos que misturavam cobrança e alerta para um elenco que entrou pressionado após três derrotas consecutivas.

Quando a partida começou, o roteiro foi quase previsível. O Flamengo teve mais a bola, tentou costurar jogadas e ocupar o campo ofensivo, mas encontrou um Internacional organizado defensivamente e pronto para acelerar nos contra-ataques. O jogo demorou a engrenar, com poucas chances claras, até que Carbonero passou a explorar erros rubro-negros e assustar Rossi em chegadas perigosas. Do outro lado, a melhor oportunidade veio com Paquetá, em finalização defendida por Rochet.

O time de Filipe Luís parecia crescer nos minutos finais da primeira etapa e ensaiava uma pressão quando foi castigado pela própria desatenção. Após um bate-rebate no meio, o Inter armou um contra-ataque rápido: Alan Patrick encontrou Carbonero com espaço, e Borré apareceu em velocidade para cortar a marcação e finalizar na saída de Rossi. Um golpe silencioso, daqueles que fazem o estádio inteiro prender a respiração antes de transformar expectativa em irritação.

A volta do intervalo trouxe um Flamengo mais intenso. Antes mesmo do primeiro minuto, Rossi já era exigido novamente, mas a resposta rubro-negra veio na mesma moeda: mais velocidade, mais presença ofensiva e um time disposto a empurrar o adversário para trás. As chances começaram a surgir, ainda que sem o capricho necessário na conclusão.

O empate nasceu justamente dessa insistência. Aos 20’, Bernabei demorou a afastar a bola, Varela se antecipou e sofreu o pênalti. Arrascaeta cobrou com segurança, devolvendo ao Maracanã a esperança de uma virada que parecia questão de tempo.

Mas ficou só na sensação. O Flamengo seguiu pressionando, rondou a área, acumulou posse e presença ofensiva, enquanto o Internacional se fechava cada vez mais, resistindo como podia. Faltou ao Rubro-Negro aquilo que tem separado o time das vitórias: contundência. A bola circulava, o relógio corria, e a ansiedade crescia nas arquibancadas.

Foto: Gilvan de souza/Flamengo

Porque o que mais incomoda já não é apenas o resultado, é o reconhecimento cada vez mais difícil do time em campo. O Flamengo até tenta, mas parece travado, previsível, distante da intensidade que o torcedor se acostumou a ver. Há esforço, mas falta imposição. Há volume, mas falta ferida no adversário.

O apito final transformou o que ainda era esperança em impaciência declarada. As vaias voltaram, mais altas, quase como um desabafo coletivo. O empate evita mais uma derrota, mas não evita a preocupação. Quatro jogos sem vencer, atuações que não empolgam e uma temporada que já começou cobrando mais do que o time tem conseguido entregar.

No Maracanã, ficou claro: o torcedor ainda canta, ainda empurra, ainda acredita, mas também está perdendo a tolerância.

Próximo jogo:

O Flamengo volta a campo neste sábado (7), às 21h, pela fase de grupos do Campeonato Carioca, em mais uma oportunidade de buscar afirmação na temporada. 

Por Rayanne Saturnino 

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo


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