Uma estreia amarga, um time irreconhecível e um alerta que ecoa na arquibancada
Na noite de quinta-feira (29), no Rio de Janeiro, o Cruzeiro encarou o Botafogo e viveu uma estreia no Brasileirão 2026 que doeu e muito no coração do torcedor. O que se viu em campo foi um time irreconhecível, distante daquele Cabuloso intenso e competitivo de 2025. Cadê a pressão alta, as jogadas rápidas, a fome de bola? O placar final, um duro 4 a 0, traduziu com fidelidade tudo o que foi o jogo.
Vergonha? Talvez seja cedo para um rótulo definitivo, afinal a temporada está apenas começando. Mas o início foi indigesto: derrota no clássico, tropeço logo na estreia do Brasileiro e uma sensação incômoda de que algo não encaixou. As contratações funcionaram? Onde foi parar o time guerreiro, que competia cada bola como se fosse a última?
O primeiro tempo até deu sinais de esperança. O Cruzeiro tentou, se organizou em alguns momentos e mostrou vontade. Mas o retorno do vestiário trouxe um apagão inexplicável. O time perdeu intensidade, se desconectou do jogo e deixou o brilho escapar, abrindo caminho para uma goleada que machucou mais do que o placar sugere.
Ainda assim, o calendário é longo, os campeonatos são muitos e a camisa pesa. Resta ao torcedor acreditar que o Cruzeiro vai se reencontrar, ajustar as engrenagens e lembrar a todos, principalmente a si mesmo, por que é gigante. Porque ser Cruzeiro é cair, levantar e voltar mais forte.

PRIMEIRO TEMPO: SEGURANDO A PRESSÃO E RESPONDENDO COM PERSONALIDADE
O Cruzeiro foi para o intervalo mostrando que sabe competir fora de casa e não se intimidou diante do Botafogo no primeiro tempo. Mesmo enfrentando um adversário forte e empurrado pela torcida, a Raposa manteve a cabeça no lugar, suportou a pressão inicial e, aos poucos, foi encontrando espaços para incomodar.
Os minutos iniciais exigiram atenção redobrada do sistema defensivo. O Botafogo tentou se impor com bolas levantadas na área e chutes de média distância, mas o Cruzeiro respondeu com organização, entrega e um Cássio seguro sempre que foi exigido. Kaiki Bruno teve papel importante nas coberturas, cortando cruzamentos perigosos e dando solidez ao lado esquerdo.
Com o passar do tempo, o time celeste começou a gostar do jogo. Matheus Pereira apareceu bem nas transições, puxando contra-ataques e arriscando de fora da área, enquanto Kaio Jorge foi uma ameaça constante em profundidade. O KJ chegou a balançar as redes, mas o gol acabou anulado por impedimento, daqueles lances que fazem o torcedor levantar do sofá e xingar o bandeira.
O meio-campo travou batalhas intensas. Lucas Silva e companhia brigaram por cada bola, mesmo sob marcação pesada, e o Cruzeiro conseguiu equilibrar a posse, esfriando o ritmo do adversário. Houve chances para os dois lados, é verdade, mas a Raposa mostrou maturidade, competitividade e personalidade para sair viva do primeiro tempo.
Quando o apito soou para o intervalo, o sentimento era claro: não foi um primeiro tempo brilhante, mas foi um primeiro tempo de time grande. Seguro atrás, perigoso quando teve espaço e totalmente no jogo. Tudo em aberto e com o Cruzeiro mostrando que está pronto para lutar até o fim.

SEGUNDO TEMPO: APAGÃO CELESTE
O segundo tempo começou com o Cruzeiro tentando mostrar que ainda estava vivo no jogo. Voltando do vestiário com intenção de ter mais posse de bola, jogadas rápidas, chutes fortes e bola levantada na área para prender a respiração achando que o gol poderia sair a qualquer instante.
Mas futebol não perdoa distração e o Botafogo foi cirúrgico. Logo no início da etapa final, o adversário fez o primeiro gol e ali algo se quebrou. O Cruzeiro sentiu. A intensidade caiu, os espaços apareceram e a confiança foi embora junto com o brilho. O que era tentativa de reação virou desorganização.
Ainda assim, o Cabuloso tentou. Wanderson arriscou, Matheus Pereira buscou o jogo, o time rondou a área e obrigou o goleiro adversário a trabalhar. Mas cada ataque frustrado parecia pesar mais nas pernas e na cabeça. Do outro lado, o Botafogo jogava solto, trocando passes, ouvindo o “olé” da torcida e aproveitando cada erro celeste.
Os minutos finais foram duros de assistir. Vieram mais gols, veio a goleada e veio aquela sensação amarga de impotência. O segundo tempo escancarou um apagão coletivo, daqueles que machucam o torcedor porque não combinam com a história do clube.
No apito final, ficou o silêncio, a indignação e a pergunta que ecoou na alma azul: como um time tão grande pode desaparecer assim em 45 minutos? Resta a esperança de que a resposta venha rápido, porque o Cruzeiro é gigante e gigante não pode aceitar noites como essa.
Próximo jogo
Depois de uma noite dura no Brasileirão, o Cruzeiro já tem a chance de reagir. Neste domingo (01/02), às 20h, a Raposa enfrenta o Betim, em duelo válido pela fase de grupos do Campeonato Mineiro.
A partida vai além do peso de mais uma rodada do Campeonato Estadual. É um teste de caráter, postura e capacidade de resposta. O torcedor espera ver em campo um Cruzeiro diferente: mais intenso, mais concentrado, mais próximo do time que sabe competir e impor respeito. Não se trata apenas do resultado, mas de atitude, entrega e identidade.
Para o torcedor, fica a expectativa de uma atuação convincente, com alma e fome de vitória. Porque o Cruzeiro é gigante e gigante responde dentro de campo.
Por Mury Kathellen
*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.