Olha lá quem vem virando a esquina


Vem o Brasileirão, com toda a alegria festejando

Na Avenida Padre Cacique, na altura do nº 881, o Clube do Povo estreia na noite desta quarta-feira (28), às 19h, pelo Campeonato Brasileiro de 2026. O adversário, apesar de não estar geograficamente tão distante, fazia um bom tempo que não aparecia por aqui, na primeira divisão. O Athletico-PR vem a Porto Alegre para, no inferno do Beira-Rio, enfrentar o Inter e o seu povo.

Foto: Ricardo Duarte/ Sport Club Internacional

Eu sei. O torcedor colorado pode até torcer o nariz para o retorno ao Brasileirão depois de uma temporada em que o alívio — quase um suspiro coletivo — só veio nos minutos finais da última rodada. Mas vem cá… diz pra mim que a deliciosa vitória no Gre-Nal 449 não devolveu algo que parecia esquecido. Um gosto antigo. Um brilho no olhar. A sensação de que o Internacional, aquele de alma dura e espírito provocador, está de volta.

Porque o que se viu foi um Inter brigador, sarcástico, enjoado de enfrentar. Um Inter encardido. Um Inter que incomoda. Como se jogadores antes perdidos tivessem sido acolhidos no ninho e, pouco a pouco, estivessem se reencontrando consigo mesmos. A Máquina parece ter sido recalibrada com cuidado, quase com carinho. E não existe sintonia mais honesta do que aquela que se constrói entre o Colorado e um torcedor que ama sem reservas, sem garantias, sem contrato.

Das loucuras que só quem vive de Inter conhece — como já ensaiar, meio rindo de si mesma, uma comemoração de tetracampeonato brasileiro — ao choque de realidade de um elenco que, sim, ainda é fisicamente limitado. Mas há algo novo ali. Há Pezzolano. Há convicção. Há comando. E confesso, sem pudor algum: já me encontro completamente PAPAZZOLADA.

Passado o lirismo natural de uma vitória esmagadora em clássico, o Inter retorna ao chão da racionalidade. O elenco, que vem correspondendo muito bem no Gauchão mesmo alternando entre titulares e reservas, se reapresentou na segunda-feira (26), com olhos atentos para um desafio de outra grandeza.

Dentro de casa — ainda que em um horário pouco convidativo — o Colorado recebe o Rubro-negro Paranaense recém-promovido da Série B. Para isso, o uruguaio que atende pelo apelido de Papa, e que hoje comanda a casamata alvirrubra, pode finalmente repetir uma escalação pela terceira vez consecutiva. Algo raro até aqui, fruto de um elenco curto e de uma agenda impiedosa. Ainda assim, começar bem 2026 é obrigação. Manter a paternidade no Beira-Rio é dever. Seguir jogando bem é o caminho.

Foto: Ricardo Duarte/ Sport Club Internacional

A expectativa é de que Pezzolano mande a campo o seguinte XI inicial: Rochet; Bruno Gomes, Mercado, Victor Gabriel e Bernabei; Ronaldo, Paulinho, Vitinho, Alan Patrick e Carbonero; Borré.

Com o coração mais alto que a razão, eu espero muito deste Inter em 2026. Os motivos racionais talvez ainda sejam poucos, mas o que vejo é um Colorado que se fecha sobre si mesmo enquanto estende a mão à sua torcida. Um responde ao outro. Um sustenta o outro. E assim se constrói algo grande — tijolo por tijolo, feito de amor, confiança e insistência.

Não foi assim que esse mesmo povo ergueu um estádio improvável sobre as águas abençoadas do Guaíba? Não foi assim que, num facho de luz quase místico, uma cabeçada eternizou um título nacional?

Vive-se de Inter por aqui. E mesmo nos momentos mais frios, vive-se intensamente. Vive-se bem. Vive-se inteiro.

VAMOS, COLORADO.

Por Jéssica Salini

*Esclarecemos que os textos publicados nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.


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