Inter supera drama e atropela Grêmio em noite mágica
Existem capítulos na história do futebol que não são escritos com tinta, mas com suor, superação e uma conexão mística entre as arquibancadas e o gramado. O greNAL 449, disputado neste domingo (25), no Beira Rio, foi uma dessas páginas imortais. Em um confronto que teve contornos de cinema, o Internacional derrotou o Grêmio por 4 a 2, transformando uma iminente tragédia em um triunfo vermelho que ecoará pelas ruas de Porto Alegre por muito tempo.

O cenário inicial parecia desenhado para testar a fé do povo colorado. Sob um céu carregado, o apito inicial deu lugar a um grêmio extremamente vertical. Logo aos 4 minutos, em uma falha de posicionamento da linha defensiva, Amuzu recebeu em velocidade e não perdoou, balançando as redes de Rochet. O silêncio que se abateu sobre o Gigante durou poucos segundos, logo substituído por um rugido de incentivo.
A resposta do Internacional foi tática e passional. O time de Pezzolano adiantou as linhas e passou a sufocar a saída de bola tricolor. Aos 9 minutos, a insistência deu fruto: após uma cobrança de escanteio milimétrica de Alan Patrick, o defensor Marcos Rocha acabou desviando contra o próprio patrimônio. O 1 a 1 trouxe o jogo de volta ao equilíbrio, mas o primeiro tempo seguiu como uma partida de xadrez, onde cada centímetro de campo era disputado com uma intensidade beirando o limite.
Se o primeiro tempo foi de estudo, o segundo foi de puro coração. O Internacional voltou melhor, dominando a posse e rondando a área adversária, mas o futebol é caprichoso. Aos 21 minutos, o Beira Rio viveu seu momento mais tenso. Em uma desatenção na saída de bola, o adversário recuperou a posse e a bola chegou aos pés de Edenilson. O antigo capitão colorado, que conhece cada atalho daquele gramado, finalizou com precisão para marcar o 2 a 1.
O clima de desolação ameaçou tomar conta. Parte da torcida temia que o filme de clássicos passados se repetisse. No entanto, foi neste momento de maior pressão que a liderança de Alan Patrick e a energia vinda do banco de reservas mudaram o destino da noite. Pezzolano promoveu substituições, injetando uma voltagem elétrica que o rival não conseguiu conter.
O que aconteceu entre os 28 e os 36 minutos do segundo tempo entrará para os livros como o “Vendaval do Gigante”. Foi um período de domínio tão absoluto que o grêmio parecia atônito, incapaz de cruzar a linha do meio-campo.
(28’): Johan Carbonero, incendiando a ala direita, partiu para cima da marcação e cruzou uma bola alta, difícil. No coração da área, Rafael Borré subiu com uma impulsão fenomenal. Foi uma cabeçada de manual, para baixo, explodindo a rede e a alma de cada colorado presente. O 2 a 2 era o sinal de que a virada era questão de tempo.
(30’): Antes mesmo que o sistema de som terminasse de anunciar o gol de empate, o Inter recuperou a bola no círculo central. Alan Patrick, com a visão de quem enxerga o jogo em câmera lenta, desferiu um passe de ruptura perfeito. Borré, novamente ele, infiltrou-se entre os zagueiros e, cara a cara com Weverton, teve a frieza de um carrasco para virar o jogo. O Beira Rio não apenas comemorou; ele tremeu em uma frequência quase sísmica.
(36’): Com o adversário totalmente desarticulado, o Inter deu uma aula de transição rápida. Alexandro Bernabei iniciou a jogada na defesa, tabelou com Tabata, passou por dois marcadores e recebeu de volta na ponta esquerda. Com um toque de trivela digno dos grandes camisas 10, ele encobriu o goleiro e selou o 4 a 2. Um gol com a assinatura da raça sul-americana que o lateral imprimiu desde que chegou ao clube.
Os minutos finais foram uma celebração da identidade colorada. O grito de “Olé” acompanhava cada troca de passes, enquanto o grêmio, entregue, apenas esperava o fim do martírio. Ao soar do apito final, os jogadores do Inter desabaram no gramado, não de cansaço, mas de alívio e alegria.
Esta vitória coloca o Internacional em uma posição confortável na liderança do Gauchão, mas seu impacto vai muito além dos pontos. Ela resgata a confiança em um projeto, valida a entrega de jogadores como Borré e Bernabei e, acima de tudo, devolve ao torcedor a certeza de que, em Porto Alegre, o vermelho voltou a ser a cor predominante. O Gigante rugiu, e o eco dessa vitória será ouvido por toda a temporada de 2026.
O próximo compromisso do Internacional é a estreia no Campeonato Brasileiro na próxima quarta-feira (28), às 19h, contra o Athletico Paranaense, no Beira Rio.
Por Larissa Ferreira
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