Corinthians vence o dérbi, mas carrega o peso de um título perdido no duelo de ida
O Corinthians venceu o Palmeiras por 1 a 0 neste domingo (14), no Estádio do Canindé, com gol de pênalti de Gabi Zanotti pela final do Paulistão Feminino. No placar frio, uma vitória em clássico e contra o maior rival. Mas o futebol não vive só de números isolados e, no agregado, a dura derrota por 5 a 1 na Arena Barueri transformou o triunfo das Brabas em frustração. O Palmeiras perdeu o jogo, mas ficou com o título do Paulistão Feminino ao fechar a decisão em 5 a 2.

Não houve clima de dever cumprido. Houve, sim, a sensação incômoda de que o Corinthians só acordou quando já era tarde demais. O título escapou no primeiro jogo, quando tudo deu errado, quando a equipe esteve irreconhecível e permitiu uma goleada que nenhuma camisa pesada deveria aceitar em decisão. O Canindé foi palco de reação, não de redenção.
Desde o apito inicial, as Brabas mostraram postura diferente. Logo aos três minutos, Jhonson recebeu pela direita, atacou o espaço e finalizou cruzado, para fora, avisando que o Corinthians não entraria em campo para protocolar nada. Ainda assim, o cenário era claro: o Palmeiras jogava com o regulamento debaixo do braço, fechado, protegido pela larga vantagem construída na ida.
O primeiro tempo foi de paciência e insistência corinthiana diante de uma retranca alviverde bem montada. O Verdão só levou perigo aos 27 minutos, quando Taína Maranhão avançou pela direita, passou por Thaís e obrigou Lelê a fazer boa defesa. Foi praticamente isso. O Corinthians tinha mais a bola, mais iniciativa, mas esbarrava na própria urgência criada sete dias antes.
No segundo tempo, a esperança ganhou forma aos quatro minutos. Day Rodríguez cruzou da esquerda, Gabi Zanotti subiu para cabecear e foi atropelada pela goleira Kate Tapia. Pênalti. Aos seis, Gabi bateu com frieza, no canto esquerdo, a bola ainda tocou na goleira antes de morrer no fundo da rede. 1 a 0. O Canindé respirou, mas o agregado ainda sufocava.
O Corinthians tentou ir além, buscou empurrar o Palmeiras para trás, mas o estrago do primeiro jogo era grande demais para ser revertido em 90 minutos. Um belo gol de voleio de Espinales, já na reta final, até chegou a inflamar o estádio, mas foi corretamente anulado por impedimento. No último lance, Isadora Amaral foi expulsa por cera, símbolo de quem sabia exatamente o que estava fazendo: administrar.
A vitória existe. O gol existe. A entrega também. Mas nada disso apaga o que aconteceu na ida. O título foi perdido no 5 a 1, não no Canindé. E é isso que fica. Porque o Corinthians pode até cair lutando, mas quando cai desatento, em final, é mais difícil superar.
As Brabas saem com uma vitória no clássico, sim. Mas saem, principalmente, com a obrigação de olhar para dentro. Porque camisa pesada não vive só de reação. Vive de constância. E decisão não perdoa apagão.
Por Roanna Marques
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