Em teste para cardíaco, Corinthians supera o Cruzeiro nos pênaltis e se garante na final da Copa do Brasil
O futebol é imprevisível, épico e maravilhoso. Em 90 minutos vamos do céu ao inferno, testamos o coração e transcendemos a racionalidade. Horas antes da decisão na Neo Química Arena, diante do Cruzeiro, a crise de ansiedade alertava: se prepara, vai ser no “jeito Corinthians de ser”. E com enredo digno de cinema, colocando como protagonistas o goleiro que representa nosso passado, e o que escolheu ser nosso presente, a Fiel viu a estrela de Hugo brilhar e garantir nossa classificação à grande final.

Se no Mineirão quem comandou a partida foi o alvinegro, em Itaquera o Corinthians entrou em campo bem abaixo do esperado e foi dominado durante toda a primeira etapa. A bola queimava e o meio de campo de Dorival não funcionou. Faltava o combate.
Os mineiros levavam perigo a todo momento. Numa das melhores oportunidades, Matheus Pereira tentou o voleio, mas Hugo defendeu. No rebote, Sinisterra arriscou, mas Gustavo Henrique bloqueou e evitou o pior. Ufa!
Era um prenúncio, e começou o bombardeio. Kaio Jorge testou, mas novamente Hugo defendeu. Sinisterra sentiu e deu lugar a um dos nomes das partidas: Arroyo. O jovem cruzeirense fez o que quis e infernizou a zaga corinthiana. Pouco depois, em lance de Matheus Henrique e com cruzamento de Christian, o camisa 88, antecipou Matheuzinho e abriu o placar.
O Corinthians ainda foi pressionado, mas foi para o intervalo sofrendo apenas um gol. Ficou barato. No entanto, o segundo tempo não foi tão bondoso, e pouco depois do apito, Arroyo marcou o segundo gol celeste.
O gol veio como um balde d’água fria, sobretudo após as mudanças de Dorival, que sacou Martinez e Carrillo, para as entradas de Raniele e Garro. Mas, o Corinthians não é brincadeira, e na raça, após cobrança de falta de Garro, Ramalho escorou, Cássio “caçou borboletas” e Bidu recolocou o Timão no jogo, 1 a 2.

Com o gol, o Corinthians reacendeu, cresceu e buscou incessantemente o gol. Memphis, Garro, Bidu e Yuri tiveram oportunidades incríveis, mas a bola escolheu não entrar. E assim, vinha o desfecho mais emocionante possível: as penalidades máximas.
Não adianta negar, bateu medo, frio na barriga. Ainda que haja ressentimento, do outro lado estava o maior goleiro da história do Corinthians, Cássio. A nosso favor, Hugo! Um menino de ouro, que escolheu o clube, que abraçou a Fiel e em pouco tempo caiu nas graças da torcida mais chata do Brasil. Um duelo de gigantes, de pegadores de pênaltis. E não foi diferente.
Matheus Pereira abriu as cobranças, Hugo acertou o canto e chegou a tocar na bola, mas ela caprichosamente morreu nas redes. Na sequência, Yuri Alberto parou em Cássio. Wanderson, Memphis, William, Garro e Lucas Silva se alternaram nas batidas e estufaram as redes. Com a obrigação de acertar, chegou a vez de Vitinho, e o centroavante não desperdiçou.
Podendo classificar os mineiros, Gabigol foi para a bola. Com uma batida ruim, Hugo defendeu. Estávamos mais que vivos!
Novamente com a obrigação de converter, foi a vez do xerife Gustavo Henrique. Com uma cobrança no cantinho, o zagueiro manteve o Timão na peleja. Era a hora das alternadas: Wallace foi o escolhido do Cruzeiro. Batendo no mesmo canto que Gabriel, mais uma vez brilhou a estrela de Hugo, que defendeu. Fechando as batidas veio o cria do Terrão, Breno Bidon. E com frieza, o prata da casa bateu no canto oposto e venceu Cássio.
Com a estrela de Hugo e do Cria do Terrão, chegamos a final da Copa do Brasil. Festa na favela, alegria da Fiel! Tamo mais que vivos, estamos inteiros e gigantes!
Na grande decisão, o Coringão terá pela frente o Vasco, que superou o Fluminense. O confronto de ida será em Itaquera, nesta quarta-feira (17), às 21h30. A volta será no Rio de Janeiro, às 18h, no domingo (21).
Por Mariana Alves
*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo
Um comentário sobre “A imagem do Corinthians resplandece!”
Incrível essa partida, com emoção (até demais). Adoro seus textos Mari, muito bom.