No caldeirão do Castelão


Ceará e Cruzeiro trava duelo quente, recheado de chances, tensão e um empate de tirar o fôlego

Na noite de sábado (29), Ceará e Cruzeiro se enfrentaram no Castelão, em um jogo que terminou com o placar de 1 a 1, mas que entregou bem mais do que o resultado sugeriu.

A partida foi marcada por intensidade desde o primeiro toque na bola: Zanocelo abriu o placar para o Ceará, Willian Machado marcou contra e empatou para o Cruzeiro, Sinisterra quase fez um golaço no início da etapa final, Eduardo levou perigo em cobrança de falta e os goleiros trabalharam o tempo inteiro.

Entre finalizações travadas, entradas duras, cartões para os dois lados e substituições que mudaram o ritmo do jogo, o duelo ganhou contornos de batalha. No fim, o empate manteve o drama até o último segundo e deixou a sensação de que qualquer detalhe poderia ter mudado o destino da noite no Castelão.

Foto: Samuel Andrade/Cruzeiro

Primeiro tempo: O placar insistiu em não sair do zero a zero

O primeiro tempo no Castelão, foi daqueles que deixam o torcedor prendendo a respiração a cada arrancada. Ceará e Cruzeiro estudaram, se provocaram, se enfrentaram com intensidade, mas nenhuma das redes balançou.

Nos minutos iniciais, a Raposa parecia dona do gramado. A equipe celeste entrou ligada, tomou o campo adversário e empilhou finalizações. Logo aos 9 minutos, Matheus Pereira obrigou o goleiro a trabalhar numa batida perigosa, de média distância. Um minuto depois, recebeu de Gabriel Barbosa e quase abriu o placar em chute de fora da área. O próprio Gabigol, aos 18, também parou em defesa segura do goleiro alvinegro.

O Ceará, porém, não ficou apenas assistindo. Aos 16 minutos, Fernandinho recebeu lançamento primoroso de Lucas Mugni e finalizou forte, parando em defesa firme.

Entre os 30 e 33 minutos, a Raposa voltou a empurrar o Ceará para trás. Wallace arriscou duas vezes de longe, ambas bloqueadas, uma delas após boa assistência de Lucas Silva. Faltou o detalhe, aquele último passe ou desvio, para transformar domínio em vantagem.

Se tecnicamente o duelo foi intenso, fisicamente ele foi ainda mais. Faltas desde o início, ritmo picotado e entradas duras marcaram a etapa. O Cruzeiro sofreu o golpe mais pesado: Keny Arroyo sentiu lesão após choque aos 36 minutos e, sem condições de seguir, deu lugar a Luis Sinisterra aos 42.

O árbitro anunciou 2 minutos de acréscimo, mas a intensa sequência de interrupções levou o primeiro tempo até os 49 minutos. Nesse período, o Cruzeiro somou quatro escanteios, o Ceará dois, e os dois times foram pegos em impedimento em mais de uma ocasião.

A Raposa, inclusive, teve duas chances reais de abrir o placar, mas ambas as jogadas foram anuladas por impedimento, evitando que o domínio celeste se transformasse em vantagem antes do intervalo.Foi um duelo truncado, intenso, com as duas equipes tentando atacar, mas trombando em seus próprios erros e na marcação rival.

Quando o apito encerrou o primeiro tempo, o placar seguia 0 a 0, mas a sensação era de que faltava muito pouco para o jogo explodir. E cada torcedor já sabia: o segundo tempo prometia ainda mais emoção.

Foto: Samuel Andrade/Cruzeiro

Segundo tempo: Cruzeiro buscou, sofreu, reagiu e saiu de campo com alma de gigante

O segundo tempo no Castelão começou com o placar zerado, mas com o jogo fervendo. A torcida do Ceará fazia barulho, a do Cruzeiro gritava contra o vento, e as duas equipes voltavam do intervalo como quem sabe que qualquer detalhe poderia decidir a partida. E decidiu, várias vezes.

Logo aos 3 minutos, a Raposa quase mudou a história: Luis Sinisterra, que havia entrado ainda no primeiro tempo, recebeu de Matheus Pereira e soltou um foguete no canto alto. Seria um golaço, mas o goleiro do Ceará fez milagre.

A resposta veio pesada. Aos 11 minutos, o Castelão explodiu: Vinicius Zanocelo, com espaço na intermediária, arriscou de longe. A bola viajou, cheia de veneno, e morreu no canto, Ceará 1 a 0. Um golpe duro, daqueles que fazem o torcedor respirar fundo.

O gol acendeu o Cruzeiro. Aos 14 minutos, Gabi tentou empatar, mas foi travado no momento decisivo. O jogo ficou quente, faltoso, com discussões a cada dividida. Teve paralisação por lesão de Zanocelo aos 23, e cartões para Matheus Pereira e Matheus Bahia, aos 24 sintoma de um duelo que pegava fogo.

E, no embalo da pressão celeste, o empate caiu do céu, ou, melhor, do pé errado. Aos 26 minutos, após cruzamento venenoso, Willian Machado tentou afastar, mas acabou empurrando contra o próprio patrimônio. Gol do Cruzeiro: 1 a 1. A torcida azul, espalhada pelo Castelão, se fez ouvir.

O gol mudou o desenho da partida. Leonardo Jardim mexeu no time para ganhar fôlego e aceleração: Bolasie entrou no lugar de Gabriel Barbosa aos 34, Japa substituiu Christian aos 35 e Eduardo entrou na vaga de Lucas Silva também aos 35.

Aos 35, Willian Machado, já abalado pelo gol contra, fez falta dura em Matheus Pereira e recebeu cartão amarelo. O Cruzeiro, sentindo o momento, quase virou aos 36, quando Eduardo, recém-chegado, bateu falta com perigo, raspando o travessão.

O jogo entrou em modo cardíaco.Aos 38, Japa teve finalização bloqueada. Aos 42, foi a vez de Antonio Galeano assustar a defesa celeste. Aos 45, Matheus Bahia desperdiçou chance clara que poderia ter mudado tudo.

Quando o apito final soou, o 1 a 1 estampado no placar não contou metade da história. Foi um segundo tempo de luta, suor, coração na boca e uma Raposa que, mesmo longe de casa, mostrou personalidade de quem não se entrega jamais.

Próximo desafio

O Cabuloso volta a campo na penúltima rodada do campeonato na quinta-feira, 04/12, para enfrentar o Botafogo às 19h 30, no Mineirão.

Por Mury Kathellen

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Casmpo


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