Tem dia que é noite


Flamengo vacila e desperdiça a chance de afastar o Palmeiras na briga pela taça

Se havia uma noite em que o Flamengo não podia errar, era nesta quarta-feira (20). Líder do Brasileirão com a chance de abrir vantagem de cinco pontos após o tropeço do Palmeiras, o Rubro-Negro entrou no Maracanã para um Fla-Flu decisivo e saiu dele derrotado.

O Fluminense venceu por 2 a 1, com autoridade nos primeiros 45 minutos, eficácia nas poucas brechas e com a colaboração amarga de uma falha grotesca de Rossi. Um clássico que tinha tudo para consolidar o Fla na liderança acabou reabrindo feridas e devolvendo à torcida a sensação de desperdício.

Foto: Gilvan de Souza/Flamengo

O jogo começou truncado, e o Flamengo até tentou ocupar o campo ofensivo, mas já dava sinais de desconexão entre setores. Enquanto isso, o Fluminense, muito mais agressivo e organizado, encontrou seu maestro: Lucho Acosta. O argentino comandou o meio-campo e, aos 24’, abriu o placar com um golaço, daqueles que parecem desacelerar o tempo. Era o prenúncio de um primeiro tempo dominado pelo Tricolor.

O golpe seguinte foi ainda mais doloroso. Aos 32’, veio o lance que mudou o clima do Maracanã: João Victor recuou mal para Rossi, que tentou dominar a bola como se estivesse em uma pelada na praia, com embaixadinhas na própria pequena área. Deu errado. Serna pressionou, roubou a bola e empurrou para o gol vazio. Um erro tão surreal quanto decisivo, que gerou vaias a João Victor, prontamente reprovadas por Rossi, que, indignado, pediu apoio ao garoto.

O Flamengo terminou o primeiro tempo atordoado: lento, previsível, vulnerável. Carrascal não criava, Bruno Henrique parecia desconectado, e a defesa sofria para lidar com a mobilidade tricolor. Zubeldía fez o simples e venceu a batalha tática com sobras.

Na volta para o segundo tempo, Filipe Luís tentou reorganizar o time com alterações, incluindo a saída de João Victor. E, de fato, o Flamengo empurrou o Fluminense para o próprio campo. Cebolinha entrou ligado, puxando jogadas pela esquerda e quase diminuindo em chute colocado aos 25’. Juninho, acionado na área, obrigou Fábio a fazer um milagre pouco depois.

A pressão parecia finalmente surtir efeito até que, aos 39’, Saúl finalizou, a bola desviou no braço de Renê e o árbitro marcou pênalti. Jorginho converteu e acendeu o Maracanã. O filme da virada até tentou começar. Mas não passou do trailer.

O Fluminense fechou-se com disciplina, esfriou o jogo como quis e administrou os minutos finais com maturidade. O Flamengo insistiu, mas sem lucidez. Quando o apito final veio, a sensação era clara: o Tricolor venceu por mérito, e o Rubro-Negro perdeu por defeitos que reaparecem sempre nos piores momentos.

Foto: Gilvan de Souza/Flamengo

No fim, além da derrota, fica a bronca por um pênalti não marcado em Bruno Henrique logo aos 10’ do segundo tempo em choque com Thiago Silva, lance interpretado como normal pelo VAR e que revoltou boa parte da torcida.

O resultado dói porque pesa. Com os 71 pontos, o Flamengo permanece líder, mas agora vê o Palmeiras colado novamente, com apenas dois pontos de distância. A chance de respirar na tabela vira ar que falta.

Agora, não há tempo para lamentar: no sábado (22), o Flamengo recebe o Red Bull Bragantino às 21h30, no Maracanã, precisando vencer para não transformar uma noite ruim em início de turbulência na reta final do campeonato. Justamente às vésperas da decisão da Libertadores…

Por Rayanne Saturnino 

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo


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