Com defesa sólida e elenco unido, time de Mozart chega às rodadas finais embalado pela confiança e pelo sonho do acesso
O Coritiba está a um passo de voltar à elite do futebol brasileiro e, mais do que isso, de coroar uma campanha de redenção. A vitória por 2 a 1 sobre o Paysandu, neste domingo (09/11), na Curuzu, fez o torcedor alviverde sonhar acordado com a série A. Foram os gols de Dellatorre e Iury Castilho que empurraram o time para os 99,99% de chance de acesso, segundo a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O título da Série B pode vir já no próximo sábado (15/11), diante do Athletic, no Couto Pereira.
O jogo em Belém não teve espetáculo, mas teve o essencial: resultado. Logo aos cinco minutos, Dellatorre dominou pela direita, trouxe para o meio e soltou uma bomba de canhota. Um golaço que quebrou o jejum do ataque alviverde, que não balançava as redes há quatro rodadas. Aos 39’, foi a vez de Iury Castilho desencantar, aproveitando o espaço e acertando um chute certeiro de média distância.

Com o 2 a 0 no placar, o segundo tempo foi de controle. O Verdão tratou de segurar a posse, cadenciar o ritmo, mas uma pane coletiva aos 19’ permitiu que Quintana diminuísse para o Papão. O Paysandu – pelo menos os atletas – se inflamou com o gol, pressionou, mas o Coritiba resistiu.
E em resistir, somos excelentes.
No início do ano, o Coritiba viveu dias turbulentos. As eliminações no Campeonato Paranaense e na Copa do Brasil trouxeram desconfiança e questionamentos por parte da torcida. Para o técnico Mozart, porém, aquele período serviu de combustível. “Foram momentos duros, mas que fortaleceram o grupo”, costuma dizer.
Meses depois, o cenário é outro. O Coritiba lidera a Série B há sete rodadas consecutivas e ocupa o G4 desde a 9ª. Um feito que reflete não somente números, mas a solidez de um projeto que soube amadurecer com as críticas. “Espero que possamos ser campeões no sábado, diante dos nossos torcedores e diante da nossa família no Couto Pereira. Isso era algo impensável lá em abril, mas temos essa possibilidade”, afirmou o treinador.
Um lembrete histórico desta caminhada: a retomada do Coritiba começou fora dos gramados. Em março, cerca de 150 torcedores se reuniram na Avenida Faria Lima, em São Paulo, em frente à sede da Treecorp, para protestar contra a condução do clube. Faixas, cânticos e gritos de cobrança ecoaram entre os prédios espelhados do centro financeiro do país.
Aquele protesto parece ter virado uma chave no elenco, na diretoria e na alma do clube. Três dias depois, o CEO Bruno D’Ancona se reuniu com torcedores e garantiu que concentraria todos os esforços para devolver o Coritiba à elite do futebol brasileiro. O discurso virou prática, e o resultado agora está à vista: um time competitivo, unido e, sobretudo, consciente da própria grandeza.
Casa cheia em busca da vitória
A expectativa é de casa cheia no Couto Pereira para o próximo sábado (15). Todos os setores do estádio, inclusive o destinado aos visitantes, serão ocupados pela torcida alviverde.
“Não tem cenário melhor”, disse Mozart. “Tem a questão da ansiedade? Tem. Mas tenho certeza que a vontade vai ser muito maior do que a ansiedade”, completou.
Agora, a conta alviverde é simples: se ganhar ou empatar contra os mineiros, confirma o acesso. Se perder, precisa torcer para que dois dos cinco que ainda podem alcançá-lo não vençam no próximo fim de semana.
O momento agora é de acreditar e de aproveitar. O elenco está unido, o ambiente é leve e o torcedor sente que há algo diferente no ar. O Coritiba de Mozart reencontrou sua identidade: sólido, competitivo e cheio de propósito. Um time que sabe sofrer, que aprendeu com as derrotas e que, pouco a pouco, reconstruiu a confiança perdida.
O acesso está ao alcance das mãos, e o título, logo ali. Depois de tanto tempo de altos e baixos, o Coxa volta a ser aquele time que faz o torcedor sonhar com o futuro. Não somente pelos resultados, mas pela entrega e pela forma como cada jogador se doa, como o grupo vibra junto e como o Couto Pereira voltou a pulsar em sintonia com o time.
Há uma sensação de que, agora, tudo faz sentido. Que cada crítica, cada protesto e cada partida difícil serviram para moldar um grupo mais maduro, mais consciente da grandeza que carrega no peito.
Se o futebol ainda premia quem trabalha, quem acredita e quem não desiste, o Coritiba está pronto para ser recompensado.

No próximo sábado, quando o time pisar no gramado do Couto Pereira, não será apenas um jogo, será a celebração de uma caminhada. Será a prova de que o trabalho de Mozart e de todo o elenco valeu a pena. E, se o destino seguir o curso que parece traçado, o apito final vai marcar mais do que uma vitória: vai marcar o recomeço de um gigante.
Por Raphaella Heinzen
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