A Ponte Preta encerra 125 anos de espera e levanta a taça diante de uma Campinas em festa
Dizem que o tempo cura tudo, mas ninguém avisou isso ao coração pontepretano. Foram 125 anos de espera, de promessas, de quase-títulos e de lágrimas disfarçadas em risadas. Mas no dia 25 de outubro de 2025, o relógio parou em Campinas, vencendo o Londrina por 2 a 0, a Ponte Preta, enfim, levantou a taça. E o torcedor, que nunca deixou de acreditar, viu a recompensa por uma fidelidade que atravessou gerações.

Tinha gente que chorava antes do apito final, como quem teme acordar de um sonho bom. Outros rezavam para todos os santos. Quando o juiz apitou o fim, foi como se 125 anos de histórias mal contadas se encaixassem de repente. O estádio virou uma mistura de choro, alegrias e renascimento. E o torcedor, aquele mesmo que sempre acreditou, foi o primeiro a pular o alambrado.
Na praça em frente ao Majestoso, o tempo parou de verdade. Abraços aconteceram entre desconhecidos, bandeiras se misturaram, e a alegria parecia não caber no chão. A cerveja descia com gosto de mil promessas cumpridas. Tinha amigo se jogando no asfalto, outros tentando ligar pra família, mas a voz não saía. O celular, claro, não dava conta de tanta notificação. A Ponte era campeã. E a cada grito ecoado, parecia que o universo pedia desculpas por tanta demora.
Teve quem dissesse que era “só futebol”. Mas quem viveu sabe: não era. Era a história sendo lavada com lágrimas, risadas e uma pitada de incredulidade. Era o reencontro de gerações que esperaram uma vida toda. O avô que levava o neto ao Majestoso, o pai que jurava que nunca mais ia sofrer, o filho que nasceu sem ver título — todos se abraçando como se o tempo inteiro tivesse valido a pena.
No fim, a noite foi curta, mas o sentimento ficou. A Ponte não ganhou só uma taça; ganhou um novo capítulo, uma nova alma, um novo começo. E se o futebol é mesmo poesia, o 25 de outubro de 2025 foi o verso mais bonito que Campinas já escreveu.
Por Li Zancheta — campineira apaixonada pela Macaca
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