Após lesão e superação da camisa 16, retorna à Seleção e destaca a importância do suporte psicológico no esporte, mirando a Copa do Mundo de 2027
Retornando à seleção brasileira, Bia Zaneratto se apresenta como uma das jogadoras com vasta experiência. A atacante perdeu algumas convocações e competições devido a uma lesão no pé, mas agora está de volta ao ciclo de preparação para a próxima Copa do Mundo.

Conhecida pelo apelido Imperatriz e pelo uso da camisa 16, Bia viveu uma nova fase em sua carreira no último ano. Ela enfrentou uma fascite plantar, seguida de pequenas fraturas dos metatarsos, lesões que causaram muitas dores e a impediram de participar de uma possível disputa na Olimpíada de 2024.Em entrevista com o GE:
– Foi mais difícil pelo momento, era uma convocação pré-Olimpíada e tudo indicava que estaria nela. Estava tentando superar a dor para poder dar conta, mas vieram as fraturas dos metatarsos em cima da fascite plantar. Foi difícil compreender toda a situação – revelou
Durante esse período, além do apoio de familiares e amigos, Zaneratto percebeu que precisava de um profissional para cuidar do aspecto psicológico.
A atacante acredita que o crescimento do suporte externo é essencial para todos os atletas. Recentemente, esse tema ganhou destaque no cenário esportivo.
– Achamos que damos conta de tudo sozinhos, mas não precisamos. Quando percebi que precisava de ajuda, fui buscar. Fez total diferença esse acompanhamento. Mesmo quando as coisas estão indo bem, precisamos desse auxílio.
“Tem momentos que estamos no topo e, de repente, caímos lá no fundo. Parece que você não vai conseguir voltar, a dor não vai passar. A parte psicológica é fundamental para o atleta entender que não é um super-herói” – disse Bia.
O momento da seleção brasileira
Antes do incidente, Bia foi convocada várias vezes pelo técnico Arthur Elias e vivenciou as mudanças iniciais na seleção brasileira. A atacante passou por diversas fases da equipe, desde jogar ao lado de Formiga e Cristiane até conhecer as “novidades” atuais.
– Me vejo como uma menina também, adoro esse clima que temos. Não tem essa coisa de experiente ou nova, estamos em busca do mesmo objetivo. Essa mescla tem feito total sentido à Seleção. No que eu puder contribuir, estarei ajudando – disse Bia.
A experiência de Bia a capacita não apenas a contribuir dentro de campo, mas também fora dele, atuando como uma fonte de inspiração para outras jogadoras.

Atualmente, a atacante joga para um treinador que aprecia um estilo de jogo bastante ofensivo. No Kansas City, nos Estados Unidos, Bia tem atuado mais como centroavante, mas adora participar da criação das jogadas.
– Venho para somar naquilo que o Arthur achar melhor e vou procurar dar o meu máximo. Ele tem um plano de jogo muito claro para cada partida, um modelo. Acredito que, na seleção brasileira, será uma mescla de finalizadora podendo construir.
Zaneratto participou dos Jogos Olímpicos de 2016 realizados no Rio de Janeiro e já está de olho na Copa do Mundo de 2027 no Brasil. A atacante acredita que a Seleção está no caminho certo para buscar o primeiro título mundial.
Confio que estamos no caminho certo, principalmente pelos resultados mais recentes. Hoje, as seleções olham para gente diferente e isso é importante para Copa. A Seleção buscou respeito, para que pensem: ‘vamos jogar com as donas da casa, calma aí’
-Vai ser especial viver uma Copa do Mundo no Brasil. Em 2016, que o futebol feminino ainda não era tão comum, a gente já tinha os estádios lotados, foi muito mágico e especial. Torcemos para que possa acontecer da melhor forma, com os clubes tenham mais força e torcida, um outro público e mais presente nos estádios. A ideia é que possamos estar sintonizados para que o Brasil conquiste o Mundial em casa.
Planos futuros no Palmeiras?
Bia Zaneratto, a segunda maior goleadora das Palestrinas, logo atrás de Amanda Gutierres, não descarta a possibilidade de retornar ao Palmeiras. No entanto, a atleta está atualmente focada em novos desafios no Kansas City, nos Estados Unidos.
A ex-camisa 10 do Verdão compartilha que ainda recebe muito carinho dos torcedores e é imensamente grata ao Palmeiras, onde conquistou o título da Libertadores em 2022.
– Sempre será muito especial para mim. Fico feliz com o carinho, foi uma conexão grande minha com o clube, existirá um respeito. Falo do Palmeiras com muito orgulho, foi um clube que me abriu a porta em um momento conturbado – conta.
Por Roberta Moussa
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