Dessa vez o vexame não fica na conta do AMÉRICA


Com arbitragem questionável e truculência da polícia, Coelhão deixa de voltar para casa com pontos importantes na luta contra o rebaixamento

No Antônio Accioly, em Goiânia, o América acabou derrotado pelo Atlético-GO por 1 a 0, em partida válida pela Série B do Brasileirão. O resultado negativo não apaga, no entanto, as melhoras visíveis que a equipe vem demonstrando nas últimas rodadas. O duelo já começou com surpresa: Willian Bigode, que vinha sendo alvo de críticas por atuações abaixo do esperado, apareceu no banco de reservas e não foi a escolha de Valetim para iniciar o jogo, abrindo espaço para que novas alternativas fossem testadas no setor ofensivo. 

DIOGO CARVALHO/Diogo Neves de Carvalho/Gazeta Press

Dentro de campo, o Coelhão mostrou competitividade, buscou o ataque e chegou a balançar as redes, mas viu o gol ser anulado em lance polêmico, que gerou intensa discussão nas redes sociais. Além disso, a arbitragem deixou de marcar faltas claras a favor do time americano e distribuiu cartões de maneira questionável, interferindo diretamente no ritmo da partida. Apesar das adversidades, o goleiro Gustavo mais uma vez foi destaque, com defesas importantes que sustentaram a esperança do torcedor até os minutos finais, quando, em uma bola desviada, o adversário conseguiu marcar o gol da vitória, lance que quase foi defendido pelo arqueiro, coroando mais uma grande atuação individual.

O estopim da insatisfação americana começou ainda no segundo tempo, quando Kauã Diniz acertou um belo chute de fora da área e chegou a colocar o Coelhão em vantagem. O lance, no entanto, foi anulado pelo VAR sob a justificativa de que Arthur Sousa teria interferido na jogada por estar em posição irregular. A questão é que o atacante não participa diretamente do lance, encontrava-se a mais de 16 metros do goleiro adversário e, para muitos analistas e torcedores, não havia qualquer prejuízo à visão ou à ação do arqueiro. A decisão, interpretada como injusta, inflamou os ânimos dentro e fora de campo e ampliou a sensação de perseguição da arbitragem contra o América.

Como se não bastasse, a distribuição de cartões reforçou o desequilíbrio: Miguelito, Kauã Diniz, Júlio César e Felipe Amaral foram advertidos, enquanto pelo lado do Atlético-GO apenas Federico Martínez recebeu amarelo, apesar de o time goiano ter cometido inúmeras faltas não assinaladas ao longo da partida. O que se viu foi uma verdadeira “chuva” de cartões para o Coelhão e uma tolerância excessiva com o adversário, alimentando uma relação cada vez mais conflituosa entre a equipe americana e o trio de arbitragem. Ao final da partida, o técnico Alberto Valentim não poupou críticas e classificou a atuação do árbitro Paulo Belence Alves dos Prazeres Filho como simplesmente “HORRÍVEL” em entrevista coletiva, resumindo o sentimento de revolta de jogadores, comissão técnica e torcida.

No apito final, a tensão acumulada transbordou. Jogadores do América foram em direção à equipe de arbitragem para tirar satisfação pelos lances polêmicos e pelas decisões contestadas ao longo do jogo, atitude que, embora eu não concorde, é infelizmente recorrente no futebol brasileiro. A cena ganhou ainda mais peso quando a comissão técnica tentou intervir, buscando conter os ânimos e evitar que mais atletas recebessem cartões desnecessários. Foi nesse momento que se depararam com o choque da Polícia Militar, que, em tese, deveria estar ali para zelar pela integridade dos árbitros, mas jamais para colocar em risco a integridade física de jogadores e membros da comissão. 

O que aconteceu em seguida foi o mais absurdo e inaceitável: além de empurrar os profissionais do América com escudos, os policiais utilizaram spray de pimenta em grande quantidade contra atletas e staff, intensificando a revolta, o mal-estar e a sensação de injustiça. As imagens de jogadores passando mal, se desesperando em campo e sendo obrigados a lidar com um cenário para o qual não têm qualquer preparo são chocantes e inaceitáveis. Trata-se de uma atuação vergonhosa por parte de um órgão que deveria justamente garantir a segurança de todos e que, ao contrário, recorreu a métodos violentos e desproporcionais em uma situação que sequer estava fora de controle. Uma conduta desprezível, questionável, que não pode passar impune. Espera-se que o América vá até as últimas instâncias para cobrar a responsabilização e a punição exemplar desses agentes públicos que ultrapassaram todos os limites do aceitável.

Para o torcedor americano, resta agora voltar as atenções para a próxima segunda-feira (29), às 19h, quando o América recebe o Volta Redonda em casa em mais um confronto direto na luta contra o rebaixamento. Será o momento de transformar a revolta em apoio, lotar as arquibancadas, pressionar pelo resultado e empurrar o time em busca de uma vitória que pode significar um respiro importante na tabela. Ainda estamos fora da zona, mas o risco é claro e constante, e cada ponto conquistado daqui em diante será decisivo para definir nosso destino na competição

O que aconteceu em Goiânia, no entanto, não pode ser esquecido: perder dentro das quatro linhas faz parte do jogo, é natural do esporte, mas a violência presenciada após o apito final extrapola qualquer limite. Foram cenas trágicas, revoltantes e inéditas para mim como torcedora, que jamais havia presenciado tamanha brutalidade direcionada a atletas e comissão técnica. Mais do que uma derrota, fica a cobrança para que esse episódio seja apurado com seriedade e não se repita, porque futebol é paixão, é disputa, mas nunca deveria ser sinônimo de agressão.

Laura Assis Ferreira

Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo


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