Os 10 do Nilton Santos: na arte da nostalgia, Botafogo vence o Galo


Botafogo repete a dose e vence o Atlético Mineiro com um homem a menos no Brasileirão

Botafogo e Atlético-MG se enfrentaram neste sábado (20), no estádio Nilton Santos, às 18h30, em partida válida pela vigésima quarta rodada do Campeonato Brasileiro. O Fogão, mesmo com um jogador a menos durante todo o segundo tempo, venceu o duelo por 1 a 0, com gol de Santi Rodríguez.

Foto: Vítor Silva

Seja bem vindo a esse flashback esportivo, querido leitor! Eu sempre achei que o raio não caísse duas vezes no mesmo lugar, portanto, tudo me levou a crer que realmente havia me deparado com uma reprise. Muitas coisas me levaram a isso, devo admitir! Não que seja muito apropriado ser supersticiosa a ponto de me apegar a tantos detalhes quando o assunto é futebol, mas cá entre nós, ficou difícil para esta que vos fala.

Expulsa jogador

Joga um tempo inteiro com um a menos 

Faz gol

7 minutos de acréscimo.

Tantas similaridades que ficou difícil não pensar em algo repetido, até me deparar com o conceito de paternidade.

PATERNIDADE: é um conceito que vem do latim paternĭtas e que diz respeito à condição de ser pai

É, deve ser exatamente isso que explica essa relação confusa entre Botafogo e Galo. Eu, honestamente, já tinha desistido de entender, mas é muito possível que envolva uma relação respeitosa de filho para com seu pai.

DE OLHO NA PARTIDA 

A partida começou e já mostrou indícios do que poderia vir pela frente: um esforço incontestável para protagonizarem a pior partida da história do futebol, mas as coisas caminharam para o sentido oposto, posteriormente.

O Botafogo tentava sair em velocidade com Santi Rodríguez e via no menino Montoro a habilidade necessária para levar perigo ao goleiro atleticano. O Atlético tentou responder através da tabela entre Hulk e Reinier que levaram perigo ao goleiro botafoguense, que contou com a ajuda da trave para não levar a pior àquela altura do jogo.

Antes da primeira etapa terminar, Chris Ramos, atacante da equipe de General Severiano, foi expulso já nos acréscimos que antecedem o intervalo. Um desafio antigo aguardava o Glorioso para o segundo tempo: 45 minutos com um jogador a menos.

Nota: sério mesmo, acho que ficar com 11 jogadores em campo é a kriptonita do Botafogo. Sempre tem que ir pelo método mais difícil.

Começou a segunda etapa e o Botafogo já usou da velha e boa estratégia: um a menos? então é gol! Após um cruzamento de Montoro, aos 2 minutos, Santi Rodríguez acertou um lindo cabeceio. O gosto amargo transicional após a marcação de impedimento tornou-se redenção após a checagem do VAR: Gol do Glorioso!

O Galo tentou pressionar o time da casa, mas esbarrou na competência da equipe de Davide Ancelotti. Uma noite brilhante de um argentino de 18 anos, o garoto Alvaro Montoro, e de um uruguaio, o nosso Santi,  levaram a torcida botafoguense a um vislumbre da catarse vivenciada há alguns dias 30, num sábado exatamente como esse.

Foto: Vítor Silva 

Fim de jogo! Vitória do colossal Botafogo de futebol e Regatas!

PAPO DE TORCEDOR 

Ufa! Apesar de toda dose de brincadeira que já é inerente à partidas contra o Galo, hoje a sensação é de alívio. Depois da partida contra o Mirassol, que não chegou nem perto dos outros banhos de água fria que tomamos durante a temporada, a angústia transpassou de vez a esperança. 

Curioso como em uma noite de sábado qualquer, a superação começa a se apresentar de maneira diferente para um torcedor. Ela vai encontrando morada em diferentes vestígios ao longo dos jogos, das competições, em meio ao caos e também nas alegrias. Assim é o fanático por futebol: inconstantemente constante na arte de redefinir a rota quando encontra algo para acreditar.

De fato, todo esse papo romântico torna-se secundário na hora de fazer um dos papéis de torcer, que é justamente levantar críticas e exigir mais responsabilidade nos assuntos que tangem tanto à postura dentro das quatro linhas quanto no extra campo; mas também cabe o sentimentalismo de uma gente que se recusa a desistir por causa do amor, porque a partir do presente, talvez nada mude na projeção que é esperada, mas a reconstituição das probabilidades tomou o lugar da aflição e é exatamente isso que faz o caminho continuar a pavimentar. O dia amanhece, a dor se torna temporariamente incólume e o sonho continua vivo.

Botafogo, há sempre um novo cenário, mas torço para que você não ache essa história de 10 em campo sempre tão conveniente. Eu tenho problema de pressão.

Apesar dos pesares, faremos com que continue sendo TEMPO DE BOTAFOGO! O NOSSO tempo! 

E vale lembrar que: Ganhamos a liberta no monumental! Com somente dez em campo, CAMPEÃO CONTINENTAL! 

PRÓXIMO JOGO

O Botafogo volta a campo na quarta-feira (24), contra o Grêmio, na Arena do Grêmio, em Porto Alegre, às 19h30, para concluir as rodadas do primeiro turno que foram atrasadas devido ao Mundial de Clubes da FIFA, realizado em Julho. O jogo corresponde ao duelo da 16ª partida do Campeonato Brasileiro.

Vamos Ganhar, meu Glorioso!

Por Julia Aveiro

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo


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