À sombra do Gre-Nal


Entre a paixão da arquibancada e a apatia em campo

Às vésperas de um clássico Gre-Nal, o torcedor Colorado se vê brigando entre os sentimentos passivos de um apaixonado pelo Clube do Povo e a racionalidade diante de um time que não deixa sequer uma ponta de expectativa de bom futebol — seja tática ou animicamente — mesmo contra o seu maior rival. No Beira-Rio, o Internacional recebe o Grêmio no entardecer deste domingo (21), às 17h30, pela 24ª rodada do Brasileirão, o clássico de nº 448.

Foto: Ricardo Duarte/ Sport Club Internacional

É de uma absurda estranheza se colocar na beira de um clássico — um clássico daqueles que efervescem o sangue, as emoções, a paixão e um estado inteiro imerso na rivalidade — e sentir-se distante do time que se ama. O vermelho e branco e o significado em campo das cores do maior clube do Rio Grande do Sul parecem se distanciar daqueles que, desde sua fundação, lhe cederam amor, fé e força. Nas mãos de uma direção incompetente, omissa e preguiçosa, o Internacional parece estar sendo arrastado para bem longe do seu povo.

O Inter que entra em campo na tarde deste domingo, na Avenida Padre Cacique, para defender as cores centenárias de uma paixão, parece refém de escolhas insossas, covardes e vadias de Barcellos, D’Alessandros e todos à sua roda. E sim, me dou o imenso direito — e o dever — de nomear “ídolos” que têm se escondido atrás da imagem do passado, enquanto fingem não enxergar a própria incompetência.

Eliminado das Copas, humilhado no Campeonato Brasileiro recentemente — numa partida em que o adversário pareceu apenas cansar de “brincar de marcar gols em campo” —, o Inter de Roger Machado mostra-se totalmente apático e desencontrado. Seja dentro das quatro linhas, seja na complexa escolha de desculpas esfarrapadas e medíocres, o Colorado teve mais uma semana de preparação — o que já não significa grande coisa por aqui. Se antes as justificativas envolviam o ritmo frenético de partidas, viagens e cansaço, agora o tempo “livre” apenas deixa claro que se trata de um time completamente perdido, um emaranhado de linhas desconexas que não levam a lugar nenhum.

Dizer que do outro lado as coisas também não andam bem, que há ausência de futebol e um desespero descarado, não serve de consolo. De modo algum isso pode ser considerado detalhe quando, dentro de casa, não se tem o que “esperar”.

É verdade que a paixão à beira de campo, no cimento frio das arquibancadas, no embalo do torcedor que sempre se dá uma, duas, três e infinitas oportunidades de agarrar-se ao sentimento, ainda está presente — mesmo que já não se espere muita coisa. Mas em campo, de Borrés a Rochets, Bernabeis e Alan Patricks, haverá hombridade?

Foto: Ricardo Duarte/ Sport Club Internacional

Escalação

A campo, Roger contará com retornos: Bernabei, que cumpriu suspensão na humilhante derrota para o Palmeiras, reassume a lateral esquerda; à frente, Rafael Borré volta a ser o personagem principal do ataque. Assim, sem muitas surpresas, o Inter deve ir a campo com: Rochet; Braian Aguirre, Vitão, Juninho e Bernabei; Thiago Maia, Alan Rodríguez, Bruno Tabata, Alan Patrick e Carbonero; Borré.

Por Jéssica Salini

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.


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