Mesmo com a derrota para o Palmeiras, Cruzeiro faz história e garante vaga inédita na final do Brasileirão Feminino
O domingo (31/8) entrou para a história do futebol feminino em Belo Horizonte. Diante de mais de 13 mil torcedores no Independência, as Cabulosas viveram uma manhã de emoção, tensão e conquista. Mesmo sem apresentar o futebol mais vistoso e acabando derrotadas pelo Palmeiras por 2 a 1, as atletas do Cruzeiro mostraram raça e espírito de decisão para carimbar, de forma inédita, a vaga na grande final do Campeonato Brasileiro Feminino A1.

O resultado coroou uma campanha de superação, marcada por batalhas dentro e fora de campo, e transformou o Independência em palco de festa celeste. O feito não trouxe apenas a chance de lutar pelo título nacional, garantiu também ao Cruzeiro um lugar na Copa Libertadores de 2026, ampliando o horizonte de conquistas do futebol feminino do clube.
As Cabulosas não atuaram no seu melhor nível técnico, mas compensaram com garra, disciplina e o apoio incondicional da massa azul, que cantou e empurrou a equipe até o apito final. Foi um daqueles dias em que o placar ficou em segundo plano, porque o que realmente importou foi a história escrita em campo: o Cruzeiro Feminino chegou para ficar entre as gigantes do Brasil.
CABULOSAS SOB PRESSÃO NO PRIMEIRO TEMPO
O apito inicial trouxe consigo a promessa de uma manhã intensa no Independência. As Cabulosas carregavam consigo a vantagem de 3 a 1 conquistada no último jogo, mas sabiam que a semifinal não estava resolvida. Do outro lado, o Palmeiras entrou com sede de revanche, tentando impor ritmo desde os primeiros minutos.
Logo no início, as Palestrinas mostraram que não vieram a passeio. Vanessa arriscou uma bomba de média distância e fez a torcida cruzeirense prender a respiração. Em resposta, o Cruzeiro tentou explorar os avanços de Byanca Brasil, mas a goleira Tapia manteve a segurança da meta alviverde.
O jogo ficou truncado, com muitas disputas no meio-campo. O Palmeiras apostava nas bolas longas de Andressinha e nas investidas de Soll, enquanto o Cruzeiro buscava controlar a posse e cadenciar a partida. O VAR ainda roubou a cena ao anular um gol do time visitante por impedimento, aliviando a pressão sobre as Cabulosas.
As jogadas de bola parada também tiveram protagonismo. Byanca Brasil levou perigo em cobrança de falta, mas Tapia estava atenta. Do outro lado, Andressinha enfileirava cruzamentos venenosos, um deles quase resultando em gol contra após desvio de Vitória Calhau, que por pouco não complicou a vida da goleira Camila.
O momento mais tenso veio já nos acréscimos da etapa inicial. Após escanteio de Diany, Poliana subiu mais alto que a defesa cruzeirense e testou firme para abrir o placar. Camila ainda tocou na bola, mas não conseguiu evitar que ela balançasse as redes: 1 a 0 Palmeiras.
Nos instantes finais, a pressão palmeirense aumentou, com Amanda Gutierres e Brena exigindo boas defesas da goleira cruzeirense. O jogo seguiu quente até o apito da árbitra, que decretou o intervalo em Belo Horizonte: Cruzeiro 0 x 1 Palmeiras.
Agora, a semifinal pegava fogo. O Cruzeiro ainda mantinha a vantagem no agregado, mas a confiança do Palmeiras crescia a cada minuto. O segundo tempo prometia ser de pura emoção, com as Cabulosas precisando segurar o ímpeto alviverde para confirmar a sonhada vaga na grande final.

CABULOSAS NA FINAL! SEGUNDO TEMPO DE SUPERAÇÃO E DRAMA
A bola rolou para o segundo tempo e, desde os primeiros minutos, o Palmeiras deixou claro que seguiria pressionando. A necessidade de reverter a desvantagem no agregado fez as Palestrinas avançarem suas linhas, enquanto as Cabulosas buscavam resistir e aproveitar os espaços no contra-ataque.
O duelo começou quente. Amanda Gutierres arriscou de fora, Brena também tentou de longe, e Camila respondeu com firmeza. A cada chegada alviverde, a torcida celeste prendia a respiração. O Cruzeiro apostava na velocidade de Gisseli e Byanca Brasil para aliviar a pressão, mas a defesa paulista se mantinha atenta.
Aos 21 minutos, enfim, a resistência cruzeirense foi recompensada. Em jogada insistente, Isa Haas cruzou, Belinha ajeitou e Marília apareceu para completar com categoria: gol do Cruzeiro! O grito explodiu nas arquibancadas, aumentando a confiança das Cabulosas e deixando o Palmeiras ainda mais pressionado.
O jogo, porém, estava longe de ser definido. O Palmeiras respondeu na base da intensidade, e aos 35 minutos chegou a balançar as redes com Isa Haas. A comemoração, no entanto, durou pouco: o VAR confirmou impedimento, anulando o gol e trazendo alívio para o lado azul.
Dois minutos depois, o coração cruzeirense quase parou. Byanca Brasil fez jogada inteligente, Gisseli invadiu a área e, na saída da goleira, chutou com perigo, tirando tinta da trave. O lance parecia um aviso do que estava por vir. Mas quem aproveitou foi o Palmeiras, Brena deu lindo toque de calcanhar e Amanda Gutierres, com categoria, fuzilou para virar o jogo, colocando as Palestrinas em vantagem no placar da volta.
Com o 2 a 1 no marcador, o Palmeiras ainda precisava de mais um gol para levar a decisão aos pênaltis. A pressão foi sufocante nos minutos finais. Andressinha arriscou de longe, Tainá Maranhão cruzou bolas venenosas, e a defesa cruzeirense se multiplicava em cortes. Camila, em tarde inspirada, segurou tudo o que pôde.
Os acréscimos foram de pura tensão. Escanteios, chutes de fora, cruzamentos perigosos, cada bola alçada era um teste para os nervos das Cabulosas e de sua torcida. Mas a muralha celeste resistiu até o apito final.
Fim de jogo: Cruzeiro 1 x 2 Palmeiras. No agregado, 4 a 3 para as Cabulosas, que, com muita raça e coração, garantiram a classificação inédita para a grande final do Brasileirão Feminino A1. A festa azul tomou conta do estádio, as Cabulosas estavam, finalmente, entre as gigantes do país.
O PRÓXIMO DESAFIO JÁ TEM DATA MARCADA
A caminhada histórica das Cabulosas reserva agora o maior capítulo de todos: a grande final do Campeonato Brasileiro Feminino A1. No próximo domingo, dia 7 de setembro, o Independência será novamente o palco onde a Raposa recebe o Corinthians, atual potência da modalidade, para o primeiro duelo decisivo da final.
Será o encontro de uma equipe que ousou sonhar e chegou até aqui contra um adversário experiente e acostumado a finais. A segunda e decisiva partida acontecerá no dia 14 de setembro, em São Paulo, com mando do Timão.
Entre a festa da classificação e a ansiedade pela final, as Cabulosas sabem que nada será fácil, mas também já provaram que estão prontas para desafiar qualquer gigante.
Por Mury Kathellen
*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo