Dentro de casa, sob o olhar desconfiado da torcida, o Internacional precisa pôr a cabeça — e os pés — novamente no rumo das vitórias
Em uma partida que vale exatamente os mesmos três pontos que todas as outras da competição, mas que carrega um peso enorme sobre a confiança do torcedor no Internacional e no que ainda se pode esperar da temporada. O Colorado recebe o Fortaleza às 20h30 deste domingo (31), pela 22ª rodada do Brasileirão, no Estádio Beira-Rio.

Existe hoje, houve ontem e sempre haverá aqueles que, com olhar e tom de voz esnobes, dizem: “é só futebol”. E ainda que se tente explicar, não há de fato uma maneira de fazê-los entender um sentimento que transborda no torcedor em forma de tantas emoções. Assim, o colorado que adentrar o Beira-Rio na noite deste domingo traz consigo uma pesada desconfiança — talvez escondida ou mascarada em algum otimismo cultivado por si mesmo —, visto que o time em campo não tem alimentado muita coisa além da dor recente de feridas ainda abertas.
Tal qual uma criança que cai da bicicleta, rala fundo o joelho, enxuga a lágrima que insiste em escapar dos olhos, mas retoma os guidões e, mesmo sem nenhuma certeza de que outro tombo não virá na próxima volta, ousa pedalar outra vez, o torcedor que vai ao estádio depois de uma sequência de decepções também não pode garantir nada a si mesmo. Mas ainda confia. E, ainda que lhe doam os joelhos, acredita que dessa vez dará certo. As feridas? Hão de se curar quando a alegria chegar.
Vindo de incontáveis derrotas, o torcedor precisa forçar a memória para resgatar seu último dia feliz na temporada. A distante vitória sobre o Red Bull Bragantino antecede um time envolvido em turbulências e fortemente cobrado pelo próprio torcedor. De certa forma, representados por líderes das torcidas organizadas, os colorados foram “ouvidos” por um elenco que agora precisa retomar o ritmo e reencontrar-se.
Neste domingo, o Inter enfrenta um adversário que também vive maus momentos. O Fortaleza, o Leão, luta na zona de rebaixamento por um respiro — e isso o torna perigoso. O time cearense entra em campo como quem se afoga no mar e luta com todas as forças por um sopro de ar que o salve. Mas não é tempo de jogar bóias salva-vidas a ninguém: o Inter precisa, antes de tudo, lembrar-se de salvar a si mesmo.

A escalação
Roger Machado, que teve a semana cheia de treinos enquanto via seus jogadores ocuparem outra vez o noticiário de certo jornalista de fofocas, não tem muitas alternativas. A “não vitória” tende a colocá-lo na parte principal de uma nota de demissão.
Para o confronto contra o 18º colocado, o treinador não deve contar com Bruno Tabata, que sentiu desconforto. Mas tem um retorno certo: Carbonero volta ao XI inicial, que deve ter: Rochet; Aguirre, Vitão, Juninho e Bernabei; Thiago Maia, Alan Rodríguez, Wesley, Alan Patrick e Carbonero; Ricardo Mathias.
Por Jéssica Salini
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