Daqui não sai mais suco


Fora de casa, o Internacional de Roger Machado foi derrotado outra vez na temporada, no campeonato, na semana

O Internacional parece, de fato, uma laranja de onde todo o suco possível já fora espremido. Estamos no meio da temporada, já eliminados das copas num passado nada distante, talvez ainda impactados moralmente — é verdade —, mas um time que não esboça produzir nada. Assim, outra vez, o time foi vencido.

Foto: Ricardo Duarte/ Sport Club Internacional

No entardecer deste sábado (23), o Colorado foi a campo pelo Campeonato Brasileiro, em Minas Gerais. Cruzeiro e Internacional se enfrentaram pela 21ª rodada do Brasileirão, às 18h30. O mandante saiu vitorioso pelo placar de 2 a 1; já o Clube do Povo soma mais uma derrota de atuação decepcionante.

O Cruzeiro, protagonista da partida e que luta pelas primeiras posições da competição nacional, soube fazer de sua casa algo que, de fato, o Colorado parece ter se esquecido. O Mineirão virou um elemento a mais no jogo. Dentro de campo, no entanto, não foi preciso muito tempo para entender que a superioridade mineira na partida — seja anímica ou taticamente falando — sairia cara para o Colorado, que pouco soube encontrar espaços para fugir do esquema cruzeirense.

Na ânsia de mostrar resultado, de tentar estancar o sangue que ainda jorra de feridas recentes, o time parece se desencontrar em campo. Na busca de um salvador que acerte a bola no fundo da rede, decisões desinteligentes cercam os jogadores colorados — uma análise repetida de jogos similares com resultados desfavoráveis. Até quando vai se insistir na mesma laranja? No mesmo cesto? Ou, quem sabe, nas mãos que deveriam extrair algo do time?

O time da casa precisou de 18 minutos para abrir o placar, com um belo gol de Matheus Pereira — é verdade. Aos 25’, o Inter devolveu a igualdade no placar com um gol de Bruno Tabata. Houve um esboço de reação, que colocou certo equilíbrio na partida, mas nada que fizesse com que o Colorado soubesse se sobressair em campo. Muito marcado por um time que tem clareza do que faz, o Inter seguiu sendo pouco em criatividade ou perigo, outra vez a um custo altíssimo.

Se parecia realmente que haveria um raio de sol alegre no caminho colorado em Minas Gerais, Lucas Silva precisou de 13 minutos da segunda etapa para trazer de volta o frio escuro que rodeia os dias alvirrubros. Outra vez, a Raposa estava à frente do placar.

Roger, à beira do gramado, esperneou, gritou, brigou, xingou, pôs-se aos berros em mais de um lance. Fez trocas, mexeu, mas nada que desse resultados objetivos. Viu o time seguir sem chegar perigosamente ao gol adversário, sem produzir um mísero susto ao time da casa.

Se o treinador colorado gritou a plenos pulmões sobre a fome de vencer que o trouxera ao Inter, que seria combustível de busca incessante por bons resultados e conquistas, hoje parece entalado entre suas próprias palavras e escolhas, embuchado na própria teimosia. Ainda que o elenco seja, sim, curto, com poucas possibilidades financeiras de investimento, o treinador parece estar servindo ao grupo algo que lhes tira toda a fome de triunfar.

Assim, outra vez, o torcedor saiu do estádio, da frente da TV ou desligou o radinho se questionando sobre qual o futuro próximo de um grandioso time que, a cada dia mais, parece envolto num emaranhado de nada, num túnel sem fim e sem direção, perdido no escuro silencioso e frio de quem não tem a quem direcionar. Até quando?

Por Jéssica Salini

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.


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