Na altitude, Botafogo joga mal e é eliminado da Libertadores


Depois de uma atuação ruim, Botafogo deixa o sonho do bicampeonato no Equador

O Botafogo enfrentou a LDU nesta quinta-feira (21), no  estádio Rodrigo Paz Delgado, em Quito, no Equador, às 19h, em partida válida pelo jogo de volta das oitavas de final da Copa Conmebol Libertadores. O Alvinegro perdeu por 2 a 0 e se despediu da competição.

Foto: Vitor Silva

Antes de tudo, gostaria de dizer que a arte de escrever sobre futebol costuma fluir como um rio. Hoje, um sentimento amargo me acompanha, traz peso a cada palavra que sai do campo abstrato e se transforma em algo concreto. Hoje, minhas manifestações esportivas se confundem, talvez, com a tristeza subjetiva dessa torcedora que ama, chora e corneta. Ainda sim, eu te convido para essa matéria, que apesar de não deixar de ter análise, tem também todas as emoções que esse esporte traz.

O Botafogo viajou até Quito com uma vantagem mínima na bagagem. Vantagem essa construída ao lado de sua torcida, da gente que lhe acompanha de norte a sul. No mundo ideal dos botafoguenses, um placar menos sofrível deveria ser levado para a altitude, já que além da tensão inerente a um jogo desse tamanho, o Glorioso também tinha pela frente o ar rarefeito.

DE OLHO NA PARTIDA 

O jogo começou e o Botafogo já enfrentava dificuldades. A LDU era todo ataque. Eles precisavam de apenas 1 gol para levar a disputa para os pênaltis.

O Glorioso, por outro lado, não conseguia sair com velocidade para desenvolver as jogadas e o que já era ruim, piorou quando aos 7 minutos da primeira etapa a Liga saiu à frente do placar e deixou tudo igual no agregado. A tensão pairou depois desse banho de água fria.

A partir disso, o Botafogo tinha jogadas inconclusivas, com um Marlon Freitas que tentava à todo custo achar o Camisa 7, Artur, e não obtinha sucesso. Ataques mal articulados, defesa insegura: esse era o Botafogo dos primeiros 45 minutos. O que parecia era que o atual campeão continental tinha desaprendido a jogar um mata-mata.

Na segunda etapa, o choque de realidade veio com requintes de crueldade. Após um toque de mão de Marlon Freitas, o árbitro marcou pênalti para a LDU. Dessa forma, 2 a 0 para o time da casa. O cenário indicava: Botafogo eliminado e sonho do Bicampeonato cada vez mais distante.

Como resultado de uma atuação pífia, o pior se confirmou quando Facundo Tello apontou para o centro do gramado: hora de dar adeus à Libertadores.

RESPIRA. CONCENTRA. ESCREVE.

Eu poderia começar reclamando sobre o planejamento de 2025, sobre os jogadores que deveriam chamar a responsabilidade em partidas como essa, mas eu estaria me repetindo. Agora, já não há mais dúvidas para mim, para você, para todos nós que o erro reside nestes pontos, mas é bom recordar algumas falas que tivemos que ouvir nesses 8 meses de temporada:

“Ah, mas a Supercopa não vale tanto.”

 “Recopa? Não poderia me importar menos!”

 “Do que vocês estão falando? A temporada só começa em Abril!”

Estas foram as coisas que você, o maior patrimônio do Botafogo, precisou escutar. Depois de um ano digno da grandeza do maior amor de nossas vidas, tivemos que nos contentar com a mediocridade. Diferente do que se faz entendido no dia a dia, ser medíocre não é sobre ser ruim ou bom: é sobre se contentar com esporádicos resultados positivos e normalizar os outros negativos que vierem. Viver na média. E nós, torcedores, tivemos que aceitar ver o Botafogo estar exatamente nessa posição: fazendo o que dava. Sem maiores pretensões, apenas o contentamento com mínimo.

Para ser honesta, a esperança é o que me move no futebol.  Mesmo nesses cenários, quando eu perco o chão, quando não consigo achar caminho, é exatamente ela que me mostra direção. 

Com o Botafogo sempre foi assim: eu acredito na arte do impossível. Mesmo com o resultado se encaminhando para a eliminação, mesmo quando a placa de acréscimo se ergueu, eu me agarrei ao súbito, e da mesma maneira, velho conhecido, atrevimento. Me atrevi a ignorar o racional. Eu aposto que você também se aventurou em deixar as emoções controlarem, até porque nós precisávamos de apenas 1 gol para continuar sonhando. Naquele momento, as circunstâncias sucumbiram a uma irrelevância momentânea, mas é exatamente ela que gera o dualismo que se segue posteriormente. Sim, o mesmo sentimento que te deixa absorto e te faz acreditar a cada lance é também o que te resgata para a realidade carregada de frustração.

E é exatamente o que sinto nesse momento: frustração.

Vivi os maiores momentos da minha vida na Libertadores 2024, por isso, hoje, em 2025, ainda não consigo ter nenhum sentimento de resignação. Pelo menos, não agora. Não responsabilizo o destino, os deuses do futebol, mas também não acato a vontade de obedecer ao que foi imposto ao meu clube nesta temporada.

Me recolho ao egoísmo que a tristeza me traz para não sentir vontade de ressignificar ou de pensar em um ponto de recomeço para o tempo presente. Agora, sinto que é o momento de conviver lado a lado desse sentimento de insucesso, até algo voltar a fazer sentido, ou até o próximo jogo. E eu espero que você, torcedor, não ache que o fracasso se remete ao clube; o fracasso remete a quem não entendeu a grandeza do Botafogo de futebol e regatas. Ou entendeu e fez questão de ignorar.

Seguimos, senhores! Não agora, não hoje, mas essa é a certeza que fica: nós continuaremos.

PRÓXIMA PARTIDA

O Botafogo volta a campo neste domingo (24), contra o Juventude, no Estádio Alfredo Jaconi, às 18h30, em partida válida pela vigésima primeira rodada do Campeonato Brasileiro. 

Vamos Juntos!

Por Julia Aveiro 

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo


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