Nós somos o Juventude, o Jaconi e a Papada!


Absoluto em casa, Juzão vence e chega aos 18 pontos

Na noite desta quarta-feira (20), o Juventude recebeu o Vasco no Alfredo Jaconi, em Caxias do Sul, e mostrou exatamente o que precisava sob o comando invicto de Thiago Carpini. O resultado de 2×0 para o Papão levou o Alviverde aos 18 pontos – 17 deles conquistados em casa – e deixou o time gaúcho cada vez mais próximo de sair do Z4 no Campeonato Brasileiro. Alguns chamam de sorte, alguns chamam de raça, eu chamo de ventos místicos do Jaconi. 

Crédito: Fernando Alves/ECJ

Não é possível dizer que não existe qualquer tipo de magia em pegar um time que acabou de meter 6×0 em um rival e este time estar completamente desengajado. Mais mágico ainda foi o Cruzmaltino estar tão sem atenção ao ponto de cometer o pênalti mais idiota da vida de Lucas Piton. Dentro da área, Piton esqueceu de recolher os braços e desviou a bola com os braços. 24 segundos de jogo e penalidade máxima marcada para o Juzão.

Dois minutos transcorreram entre a marcação em campo e a conversa entre o árbitro e o VAR para a confirmação da irregularidade. Nenê tomou distância e bateu firme no cantinho. Gol confirmado pela Lei do Ex aos quase três minutos e uma comemoração tímida do Vovô Garoto em respeito ao ex-clube Vasco da Gama. 

Como é bom o Carpinismo que respeita e se utiliza dos nossos veteranos Alan Ruschel e Nenê logo de início em jogos importantes. O mesmo Carpinismo que não tem medo de mexer no time e testar, porém com a parcimônia de entender a posição de seus jogadores e tentar equalizar as suas qualidades. 

O gol logo no início aumentou a animação dos Jaconeros, que deram um show de marcação e conseguiram se aproveitar muito na hora de atacar os espaços do Vasco. Do outro lado, a falta de energia cruzmaltina só ficava pior, rifando bolas com facilidade e deixando claro que sim, cada jogo é um jogo, e que o Super Vasco que frita peixe e joga com facilidade deve ter ficado pelo Morumbis mesmo. 

Continuando nessa média de ataque do Juventude contra a defesa do Vasco, o Juzão começou a agredir pelo meio e foi aí que Batalla deu o passe longo de mais classe da sua vida. O camisa 27 achou Taliari no momento em que Lucas Freitas perdeu a chance de cortar o lance. Livre, Taliari bateu cruzado no cantinho esquerdo de Léo Jardim, que nada pôde fazer para ajeitar o erro do colega de defesa. 2×0 e show de pressão. 

O Juventude seguiu aproveitando a posse de bola e obrigando o Vasco a sair para o jogo, deixando as costas bem abertas. A marcação forte alviverde impedia que essas saídas virassem jogadas promissoras, encurralando o Cruzmaltino no meio campo, para o desespero de Diniz. O técnico deles pedia que a bola rolasse, que houvesse paciência, mas o Ju conseguia administrar o resultado com calma e sem perder a mão do ataque. 

Lá pelos 28 minutos, o Vasco conseguiu entender que só renderia se fosse pelos lados, já que o meio do Ju estava bem fechado. Assim, os visitantes conseguiram tirar alguns escanteios guerreiros, mas o máximo que tiraram disso foi uma finalização por cima do travessão de Tchê Tchê. A partir do tiro de meta, Taliari recebeu e tentou devolver a gentileza em um passe longo para a Batalla, porém dessa vez os defensores estavam ligados e houve o corte.

Aos 46’, mais uma vez o Vasco chegou, dessa vez com o Rayan. Em um de seus poucos surtos de consciência, Wilker Ángel interferiu na jogada do moleque com um carrinho limpo, fazendo a bola sair pela linha de fundo. No último lance do primeiro tempo, Batalla tentou repetir o feito do segundo gol, porém mirando Nenê, mas a zaga do Vasco estava mais ligada.

A etapa complementar trouxe mais do mesmo com a surpresa de que o Vovô Garoto não foi para o banco durante o intervalo. O camisa 10 alviverde não iniciava partidas desde junho e é claramente uma peça muito mais valiosa nas mãos de Carpini do que de qualquer um que a lustrou na reserva desde a sua saída. 

O que mais me chamou a atenção foi que, depois de mudanças, não existia mais nenhum zagueiro na linha de três na defesa do Vasco. Simplesmente uma linha de zaga com um lateral e dois meio-campistas em mais uma tentativa falha de mudar alguma coisa em um jogo praticamente perdido. Às vezes, o Diniz me lembra o Arthur Elias e nada nisso é um elogio. Falando nele, como fala e dá chilique na casamata, meu Deus do céu. Qualquer falta era um berro, tanto que levou um cartão amarelo. 

Crédito: Fernando Alves/ECJ

O jogo seguiu e nada de muito mais interessante aconteceu além de o Juventude ter dado uma aula de como se marca a saída de bola do Vasco. Marcação próxima, intensa e atenta, tudo que outros times falharam em ser. Não falo só do Santos, como também do Internacional e do Fortaleza. Todas as últimas investidas do Vasco mais ao final da partida foram defendidas por Jandrei com muita confiança. 

No final das contas, como disse Tchê Tchê incomodado pelo entrevistador ter comentado sobre o placar elástico contra o Peixe, cada jogo é um jogo. A gente não consegue se banhar duas vezes no mesmo mar, pois da segunda vez nós não somos os mesmos e as águas também mudaram. Nós não somos o Santos, nós somos o Juventude e esse Vasco que meteu 6 já não existe mais… Pelo menos não emaranhado na nossa marcação. 

Por Luiza Corrêa

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.


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