A esperança se foi, a paciência também — o amor está por um fio


Na beira da zona, América encara mais um jogo cercado pela descrença da torcida

O América-MG volta a campo neste domingo (27), às 18h30, para enfrentar o Athletico-PR, na Arena Independência, em Belo Horizonte, pela 19ª rodada da Série B do Campeonato Brasileiro, a última do primeiro turno. A partida terá transmissão pelo Disney+.

Enquanto o Coelho amarga a 15ª colocação, com 20 pontos e cada vez mais perto da zona de rebaixamento, o adversário chega um pouco mais confortável: o Furacão ocupa a 10ª posição, com 24 pontos, tentando não perder o bonde do acesso.

A semana americana foi, mais uma vez, marcada por instabilidade e frustração. Após mais uma derrota fora de casa, desta vez para o Cuiabá por 3 a 1, o América tenta oferecer uma resposta. A derrota só aprofundou a crise e reforçou a incredulidade da arquibancada, que há semanas vê um time sem identidade, sem confiança e afundando na tabela. Entre pedidos de desculpas e promessas de reação, a diretoria enfim anunciou dois reforços que, ao menos no papel, podem melhorar o desempenho da equipe para o segundo turno.

O principal nome é o do meia-atacante Titi Ortiz, ex-Sport. Segundo o repórter Guilherme Macedo, do portal ge, o argentino de 32 anos chega ao América com contrato até o fim da temporada e a missão de dar mais criatividade ao setor ofensivo, tão criticado por sua inoperância nas últimas rodadas. Além de Ortiz, o Coelho confirmou também a contratação do lateral-esquerdo Dalbert, de 30 anos, que estava livre no mercado, após passagem pelo Internacional. A informação é do jornalista Thiago Valença, também do ge, ele destacou que Dalbert chega para disputar posição com Marlon, uma das peças mais irregulares do elenco. As contratações, embora tardias, acendem uma fagulha de esperança em meio ao caos que tomou conta do clube.

Foto: Mourão Panda/ América

Para o duelo contra o Athletico, o técnico Enderson Moreira deve repetir uma base que já começa a ser definida. Conforme ponderações da ESPN, a provável escalação conta com: Matheus Mendes no gol, Mariano, Ricardo Silva, Lucão e Marlon na defesa, Felipe Amaral, Miquéias e Cauan Barros (ou Miguelito) no meio-campo, e um trio de ataque formado por Figueiredo, Stênio e William Bigode. A montagem reforça a busca por equilíbrio com nomes de padrão, mas esbarra na irregularidade de atletas-chave e nas ausências por lesão ou suspensão que têm pesado na instabilidade tática e emocional do grupo.

O América chega à última rodada do primeiro turno vivendo um de seus momentos mais frágeis na Série B. Com apenas 20 pontos somados em 18 jogos, o time ocupa a 15ª posição e vê a zona de rebaixamento se aproximar perigosamente. A derrota para o Cuiabá por 3 a 1 escancarou mais uma vez as deficiências que se acumulam: um sistema defensivo vulnerável, um meio-campo incapaz de criar e um ataque que desperdiça demais. A sensação é de um time sem identidade, que joga no improviso e torce para que um lampejo individual resolva o que o coletivo não entrega.

Nas arquibancadas e nas redes sociais, a relação entre time e torcida se deteriora a cada rodada. A descrença tomou o lugar da expectativa e a cobrança, antes isolada, agora é geral. O torcedor que ainda se dispõe a ir ao estádio parece movido mais pela memória afetiva do que por qualquer esperança no presente. O sentimento dominante é de frustração com jogadores que não entregam e dirigentes que se escondem e não se explicam.

Foto: Mourão Panda / América

O duelo contra o Athletico, neste domingo, carrega um peso que vai além da tabela. É mais uma chance de mostrar que ainda existe algum resquício de competitividade, que o time é capaz de reagir mesmo em meio ao caos. O adversário, apesar das oscilações, tem mais elenco, mais estrutura e está seis posições à frente do Coelho. O jogo no Independência exige mais que vontade. É preciso atitude, consistência e, principalmente, responsabilidade com a camisa que se veste. O torcedor não aguenta mais.

No momento mais crítico da temporada, o América precisa mais do que pontos. Precisa resgatar o respeito da torcida, a dignidade no jogo e a seriedade no discurso. A partida deste domingo contra o Athletico é a última chance de encerrar o primeiro turno com alguma resposta concreta ao torcedor, que já não suporta mais o papel de espectador de uma crise sem fim. Que o grito ecoado no Independência não seja só de cobrança, mas de resistência. Porque se tem algo que ainda segura esse clube em pé, é a fé inabalável de quem ama o América apesar de tudo.

Laura Assis Ferreira — Colunista do América no Portal Mulheres em Campo

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.


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