O Juzão vai até Minas Gerais para enfrentar o líder do Campeonato Brasileiro na tentativa de ser a zebra alviverde da rodada
No próximo domingo (20), no horário nobre do futebol – 16h -, o Mineirão, em Belo Horizonte, recebe o melhor mandante e o pior visitante do campeonato. O Juventude encontra o Cruzeiro pela décima quinta rodada do Brasileirão e é claro que, nesse momento, o Cabuloso é o líder que mais dá medo de se pegar em casa. Ambos os times vêm de vitórias por 2 a 0 – o Papão em cima do Sport e a Raposa em cima do Fluminense. O embate entre Kaio Jorge e Gustavo marca o duelo entre o time que mais faz gols e o time que mais leva gols no primeiro tempo, respectivamente. Complicado, irmãs.

Que dúvida vocês tinham que, mesmo logo após uma vitória com V maiúsculo com a estreia de novas contratações que se encaixam direitinho no modelo de jogo do Tencati, o Juventude não teria um segundo de paz? Eu já sabia. Era óbvio que mesmo com um jogo super convincente e estando a um respiro de escapar do Z4, o Juzão não poderia pegar um time no mínimo fragilizado para tentar uma sequência de triunfos. A gente tinha que enfrentar logo o Cruzeiro mais encaixado dos últimos tempos, sem medo, com um goleador comandando um ataque eficiente e vindo de quatro vitórias nos últimos cinco jogos.
Do outro lado, precisamos confiar que os novos encaixes trabalharão de maneira tão fluída quanto aconteceu contra o Leão no último jogo. A ligação pela esquerda entre Marcelos Hermes e o volante Hudson ganha uma nova peça para tentar o mesmo pelos dois lados. O volante Caíque – que teve a negociação com o Grêmio terminada depois de, segundo o Tricolor, os exames do jogador não mostrarem bons resultados – volta ao seu lugar como titular, podendo trabalhar em conjunto com Reginaldo. Para isso, Claudio Tencati precisará abrir mão de um dos atacantes, o que faz com que Taliari e Batalla precisem disputar a vaga ao lado de Reginaldo – lembrando que Gabriel Veron já está à disposição do Verdão e deve estrear no segundo tempo.
A postura um pouco mais defensiva faz todo o sentido, visto que com apenas oito chutes, o Cruzeiro conseguiu marcar duas vezes contra o Tricolor Carioca. O primeiro gol saiu de uma cobrança de escanteio na cabeça de Fabrício Bruno, mostrando que o time domina uma coisa que aterroriza o Juventude desde o início do campeonato: o jogo aéreo. Em abril, mais da metade dos gols que o Juzão havia levado vieram pelo ar. O segundo gol, naturalmente, veio dos pés do artilheiro Kaio Jorge. Mesmo que Gustavo tenha desempenhado muito bem contra o Leão da Ilha, será muito impressionante se ele conseguir parar a dupla de garçom e goleador, Matheus Pereira e Kaio Jorge, respectivamente, no domingo. Mesmo assim, torcemos para que aconteça.
Levando em consideração que o meia Lucas Fernandes e o atacante Rafael Bilu seguem não regularizados, logo não podem jogar, os possíveis 11 titulares que defenderão o manto alviverde no Mineirão são: Gustavo; Reginaldo, Wilker, Marcos Paulo e Marcelo Hermes; Hudson, Caíque, Jadson e Mandaca; Batalla (Taliari) e Gilberto.
Do lado azul, o goleiro Cássio, como um gato, acabou se passando na hora da cera e levando o terceiro cartão amarelo, o que deixou o jogador fora da partida contra o Juventude. No lugar dele, entrará o jovem Léo Aragão, que atuou apenas quatro vezes pelo Cruzeiro no ano de 2025. Nestes, levou 3 gols em dois jogos pelo Campeonato Mineiro e 1 gol em dois jogos pela Sul-Americana. O menino de 23 anos ainda não jogou pelo Brasileirão, mas esperamos que, assim como nas outras competições, ele siga, pelo menos, com o mesmo número de jogos e gols sofridos – ou mesmo mais gols sofridos do que jogos, se o Santo Chuvinha quiser. Além de Léo, quem volta a campo pelo Cruzeiro é o lateral-esquerdo Kaiki, que toma o lugar de Kauã Prates após cumprir suspensão.

Ao todo, o Papão e a Raposa já se encontraram 27 vezes em competições nacionais. São 14 vitórias do Cruzeiro, 7 triunfos do Juventude e 6 empates. A parte mais complicada da retrospectiva é que o saldo de gols do Cabuloso é o mesmo que o total de gols do Ju: 18. Ou seja, o Palestra marcou o dobro de gols do time de Caxias. 36 bolas na rede em 27 oportunidades. Que pesadelo.
Não sei bem se este texto é um pré-jogo ou apenas um desabafo, mas eu não aguento mais encher os olhos diante uma partida completamente satisfatória e depois ser obrigada a enfrentar a realidade que é jogar contra um time que vem em uma crescente absurda – neste caso, o líder que acabou de ultrapassar o Flamengo de Filipe Luís. Contudo, o contra tudo e contra todos é o nosso mantra e acreditar no inacreditável é tudo que a gente sabe fazer. Domingo é dia de mostrar que a tartaruga alviverde até não é tão rápida quanto a raposa, mas que ela pode muito bem surpreender e cruzar a linha de chegada primeiro nos erros do adversário.
Por Luiza Corrêa
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