Alguém por quem lutar


No 100º jogo de Mandaca com a camisa alviverde, Juventude sai vitorioso em confronto contra o Sport na volta do Brasileirão

Nesta noite fria de segunda-feira (14), o Alfredo Jaconi, em Caxias, recebeu o embate entre Juventude e Sport pela décima terceira rodada do Campeonato Brasileiro. Em um jogo muito inteligente do time gaúcho, as novas peças se mostraram boas adições ao grupo e sua articulação ajudou para que o placar de 2×0 se mantivesse – mesmo com uma falha de Gustavo gerando um gol anulado por impedimento. Todos os problemas estão resolvidos? Não. Mas Claudio Tencati tem um plano!

Foto: Porthus Junior/Agência RBS

Claro que um confronto contra um dos piores lanternas da história dos pontos corridos não quer dizer muita coisa, mas é muito bom ver atitude mostrada em campo nesta segunda. Enquanto o frio se multiplicava dentro do Jaconi, a torcida jaconera se juntava com seus instrumentos e cachecois alviverdes esperando uma faísca de calor diferente dentro das quatro linhas. 

A diferença veio inclusive na escalação. Sete nomes que começaram no banco no último jogo antes da pausa vieram de titulares, sem contar a estreia do volante Hudson e do lateral Marcelo Hermes. Mesmo sendo o primeiro jogo de ambos pelo Ju, sua conexão foi instantânea. Hudson saiu muito bem pelo meio para encontrar o camisa 22 pela esquerda em diversas criações de jogadas ofensivas.

Trabalhando de maneira intensa para matar o jogo rapidamente e só administrar no restante do tempo, o Juzão já chegou pela esquerda aos 5 minutos com Batalla. O atacante cruzou para Hermes, que cabeceou direto para as mãos de Gabriel. Aliás, Gabriel este que teve um jogo muito abaixo dos que já tinha desempenhado no Alfredo Jaconi, pelo Juventude. Toda vez que o goleiro tocava na bola, uma onda de vaias tomava as arquibancadas. Não sei se isso mexeu com ele, mas seu desempenho foi praticamente irreconhecível. 

Seis minutos depois dessa chegada pelo lado, Jadson passou em profundidade para Reginaldo que ajeitou a bola com carinho e cruzou direto para uma testada monumental de Gilberto. Meu Deus! Meu ex não teve nem chance. A bola foi direitinho entre os seus dedos e o travessão e estufou a rede atrás dele. Que golaço para abrir o placar! Que falta de pena do meu centroavante!

Colocando o plano de administrar a partida em prática, o Juventude começou a pressionar os adversários, impedindo que pudessem ser criativos na criação de jogadas. Sim, o Sport passou boa parte do primeiro tempo no campo de defesa do Ju, mas sem conseguir fazer muita coisa. A pressão da marcação jaconera anulou qualquer tentativa de Gonçalo Paciência e Lucas Lima de serem úteis ao ataque do seu time. 

O único jogador do Sport que realmente estava no jogo, trazendo perigo e preocupação ao Juzão, era o ponta Barletta. O camisa 30 chegou de maneira intensa duas vezes neste primeiro tempo. Na primeira, recebeu sozinho próximo à área e finalizou com a canhota para que Gustavo espalmasse para o lado e Reginaldo chutasse para a linha de fundo. Cinco minutos depois, o atacante finalizou um pouco de longe em cima da marcação, deixando a sobra para o goleiro jaconero. Felizmente para nós, times de um homem só não costumam ser efetivos.

Aos 23 minutos, Gilberto protagonizou uma cena que testou o cardíaco de todos os jaconeros. O camisa 9 recebeu a bola em um passe limpo perto da intermediária e seguiu sozinho em direção à Gabriel. Sozinho. Até tinha um marcador do Sport acompanhando, mas ele estava seguindo sem perigo. Para ajudar, Gabriel ainda se adiantou, dando tempo para que ele pensasse no que fazer. Ele podia ter quebrado o passe para um lado e finalizado para o outro. Poderia ter finalizado por cima da perna estendida do goleiro. Podia ter atrasado um pouco para chutar mais de longe. Contudo, ele decidiu angular o chute pela direita, mandando direto para fora. O alívio foi ver a bandeira levantando, anunciando que pela pontinha da chuteira do Gilberto o lance estava impedido. 

O primeiro tempo terminou com um Sport encontrando espaços na saída do lado direito do Juventude. A pressão foi tão intensa que obrigou o Juzão a recorrer a algumas faltas para parar os avanços rubro-negros. Barletta mais uma vez foi importante por sofrer a falta que resultou em uma boa cobrança de Sérgio Oliveira para desviar no ataque do Leão e morrer acima da meta gaúcha.

O segundo tempo pareceu repetir o mesmo roteiro da primeira etapa. O Juventude iniciou a etapa complementar já pressionando sem deixar a defesa pernambucana respirar. Taliari, em especial, queria participar de uma ampliação de placar. Logo aos dois minutos, tabelou com Mandaca para que o meia pudesse finalizar para fora e, já no próximo lance, serviu Gilberto para que numa falha na zaga, o centroavante estufasse as redes mais uma vez. E, assim como no primeiro gol, Gilberto comemorou com suas icônicas cambalhotas em direção à torcida. 

Foto: Porthus Junior/Agência RBS

O que me chamou a atenção foi que, da mesma maneira que o primeiro gol não pareceu deixar o Sport cabisbaixo, o segundo acendeu um pouco da vontade do Leão. Aos 10 minutos, Lucas Lima cobrou uma falta um pouco afastada da área direto no desvio da cabeça de Rafael Thyere. A bola raspou na trave, na tentativa de defesa de Gustavo, e invadiu a meta. Depois de muito tempo de análise, o VAR e o árbitro chegaram à conclusão que a interferência de Zé Lucas, que estava impedido por uma pontinha de chuteira, impediu que o defensor jaconero pudesse interferir na trajetória da bola. Lance discutível, mas que não alterou a vontade dos visitantes.

O Sport seguiu melhor no ataque, mas a marcação do Juventude foi o que se propôs a ser: implacável! Se a bola passava do meio, a zaga interceptava. Se a zaga falhava, Gustavo estava pronto para performar uma das melhores partidas desde sua chegada ao Jaconi. Como dito anteriormente, Hudson e Hermes foram uma belíssima surpresa e ajudaram muito na transição de uma defesa firme para um contra-ataque criativo.

É importante ressaltar que eu entendo que o Sport não tem sido um rival exatamente desafiador na maioria dos jogos, contudo, Claudio Tencati, o cérebro na casamata, mostrou que consegue articular um plano de jogo eficiente e que se enquadra exatamente nas peças que tem em suas mãos. Mais do que eficiente, Tencati é realista e entende quem são seus jogadores e suas necessidades. Todo atleta que foi substituído, também foi recebido com parabenizações e palmas do professor ao chegar no banco. 

Cria-se, a partir de sua chegada, um sentimento de grupo que não existia com o técnico anterior. E, pra mim, isso faz sentido. Quando as coisas apertam, precisamos ter confiança naqueles que estão ao nosso redor. Quando eu acho que não dá mais, preciso saber que quem está dividindo o fardo comigo também quer aquilo. Por isso situações como as do Pedro, do Flamengo, são tão delicadas. Todos os jogadores precisam estar em uníssono dentro de uma equipe. 

Claro que a torcida é – e deve ser – o ponto central da vontade de qualquer jogador que se doa ao manto de um time. Contudo, além de um grupo, esses atletas estão em conjunto como uma família. O técnico é chamado de professor para que guie eles dentro das batalhas pelas quais eles precisam passar. No final das contas, eles precisam saber que têm por quem lutar não só nas arquibancadas, mas ao seu lado. Precisam saber que um está ali pelo outro. Sempre.

É com um otimismo renovado depois de três meses sem vencer que eu estou aqui para dizer que o Juventude volta a campo no domingo (20), para enfrentar o Cruzeiro no Mineirão no horário nobre do futebol, 16h. Sim, depois de o Cabuloso castigar o Grêmio em um 4×1 sem respiro, nós vamos até a casa dos caras tentar sair da zona do rebaixamento. Se isso não é Juventude, eu não sei o que é.

Por Luiza Corrêa

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.


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