Botafogo faz péssimo jogo e se complica de vez na tabela


O Botafogo perdeu para o Clube do Remo por 2 a 1 e se aproxima da zona de rebaixamento

 Foto na capa: Vítor Silva

O Botafogo enfrentou o Clube do Remo nesta quarta-feira (28), no Estádio Mangueirão, às 21h30, em partida válida pela trigésima terceira rodada do Campeonato Brasileiro. O alvinegro foi derrotado por 2 a 1 e o gol botafoguense foi marcado por Edenilson.

Ainda me choco com os níveis que a frustração pode chegar. Não seríamos mais responsáveis pelo controle de nossas emoções depois de decepções sucessivas? Se esse sentimento foi moldado por alguém, acredito que tenha sido obra de algum botafoguense, então. Até porque, não é possível já termos “apanhado” tanto desse mundo futebolístico para ainda sim haver espaço para a tristeza.

Apesar da dor ainda me visitar, há uma coisa que se torna escassa pela repetição: as palavras. Ironicamente ou não, escrevo esse texto tomada pelo cansaço de toda vez, reclamar das mesmas coisas. Um planejamento esportivo terrível, um atacante que não consegue dominar uma bola, laterais que não sabem cruzar decentemente…eu sei que eu poderia continuar, porque a lista é extensa, mas por que eu faria isso? Por que gerar desgaste quando tudo o que fazem dentro desse clube é nos ignorarem? 

Chegamos a um ponto crítico. Precisamos de 6 pontos para escaparmos, matematicamente, do rebaixamento. O problema maior é que, depois de tudo que temos visto, eu não consigo enxergar 1 mínimo ponto possível nesses 12 que ainda serão disputados. O desespero é muito grande e eu não tenho mais força para acreditar que algo vai mudar daqui pra frente.

DE OLHO NA PARTIDA

O Botafogo entrou em campo e tudo o que se esperava era uma resposta dentro de campo, com mais organização e uma postura diferente da apresentada na última rodada. Mas, pelo visto, pedir regularidade a esse elenco virou uma exigência sofisticada demais.

O Glorioso começou a partida com a posse de bola, mas encontrou dificuldades para transformar o domínio em perigo real. E não demorou para que os velhos problemas voltassem a aparecer: erros defensivos, pouca criatividade e uma facilidade preocupante para permitir que o adversário encontrasse espaços.

Remo 1 x 0 Botafogo

Aos oito minutos do primeiro tempo, Marcelinho avançou pela direita e cruzou para a área. Domingos Andrade tentou afastar a bola, mas falhou de maneira desastrosa, deixando Jajá em condições de finalizar e abrir o placar para o Remo.

Um presente daqueles que nenhum adversário precisa recusar. O Botafogo, que precisava recuperar a confiança, começou a partida oferecendo justamente o que menos podia: um gol de bandeja. É difícil construir qualquer tranquilidade quando a própria defesa resolve trabalhar contra o restante da equipe.

Atrás no placar, o Alvinegro passou a buscar mais o ataque, mas continuou esbarrando na dificuldade de criar jogadas realmente perigosas. Aos 29 minutos, Alex Telles cruzou para Arthur Cabral, que cabeceou e acertou o travessão. Foi a melhor oportunidade botafoguense na primeira etapa, mas a bola não entrou — e o jejum do centroavante, que já durava 17 partidas, continuou.

O Botafogo teve mais posse de bola, mas isso pouco adiantou. Ter a bola não significa controlar o jogo, e o time de Tite voltou a demonstrar como pode trocar passes sem conseguir transformar esse volume em efetividade. O primeiro tempo terminou com o Remo em vantagem e o Glorioso precisando apresentar muito mais futebol na volta do intervalo.

Remo 2 x 0 Botafogo

Mal começou o segundo tempo, e o Botafogo voltou a sofrer com a própria desatenção. Aos oito minutos, após uma sequência de falhas na defesa alvinegra, Leonel Picco recebeu dentro da área e acertou um belo chute de pé esquerdo, mandando a bola no ângulo de Gabriel Batista.

Um golaço de Picco, mas também mais um lance que escancara a fragilidade defensiva do Botafogo. A equipe voltou do intervalo sem conseguir corrigir os problemas da primeira etapa e acabou castigada novamente. Se a ideia era reagir, o segundo gol sofrido tornou a missão ainda mais complicada.

Tite tentou mudar o panorama com as substituições, colocando Edenílson e Paulinho em campo, entre outras alterações. O Botafogo passou a buscar mais o ataque, enquanto o Remo recuou e procurou administrar a vantagem.

O problema é que a reação alvinegra demorou a ganhar consistência. Mesmo com mais posse de bola, o time encontrava dificuldades para furar a marcação adversária e finalizar com precisão. A urgência que deveria ter aparecido desde o início só ficou mais evidente quando o placar já apontava dois gols de desvantagem.

Remo 2 x 1 Botafogo

Aos 37 minutos do segundo tempo, depois de uma cobrança de escanteio e de um bate-rebate na área, Edenílson aproveitou a sobra e cabeceou para diminuir o placar.

O gol trouxe um pouco de esperança para os minutos finais e deu ao Botafogo a oportunidade de tentar buscar um empate que, até pouco antes, parecia distante. A equipe se lançou ao ataque, pressionou e tentou aproveitar o embalo para arrancar um ponto em Belém.

Mas a reação veio tarde. Aos 32 minutos, Júnior Santos já havia obrigado Marcelo Rangel a fazer uma boa defesa em cabeceio, e o time ainda tentou insistir na reta final. Faltou, porém, transformar a pressão em chances claras suficientes para evitar a derrota.

CADA DIA MAIS DIFÍCIL!

É desesperadora a situação que nos encontramos. Eu não sei direito por onde começar a juntar os cacos para acreditar que ainda é possível. O desânimo tem sido avassalador, porque o roteiro dessa temporada vem sendo muito previsível.

E é impossível não olhar para a tabela com preocupação. O Botafogo permanece com 39 pontos e ocupa a 11ª colocação, mas a distância para a zona de rebaixamento é de apenas cinco pontos antes da conclusão dos demais jogos da rodada. Não estamos falando de um cenário em que o clube pode se dar ao luxo de administrar resultados ruins. Estamos falando de uma equipe que precisa voltar a pontuar urgentemente para não transformar as últimas rodadas em um sofrimento ainda maior.

Eu não sei como faremos, mas precisamos fazer. Pela retomada da vergonha na cara, por promessa, jejum e oração… não importa o meio: nós dependemos disso para salvar o clube que amamos. Depois pensamos em troca de técnico, rescisão de contrato com jogador descompromissado. Agora, é vencer ou vencer.

PRÓXIMO JOGO 

O Botafogo vai enfrentar o Atlético Mineiro na quarta-feira (4), no estádio Nilton Santos, em partida válida pela trigésima quarta rodada do Campeonato Brasileiro. 

Que Deus nos ajude!

Por Julia Aveiro

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo


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