Cruzeiro segue firme buscando a vaga para Libertadores
Tem uma coisa que todo torcedor precisa entender nesta reta final do Campeonato Brasileiro: nem sempre vamos assistir a um futebol bonito, com grandes jogadas, goleadas e atuações impecáveis. Em determinados momentos, é preciso saber sofrer, aproveitar as oportunidades e, principalmente, conquistar os três pontos. E foi exatamente isso que aconteceu na noite desta sexta-feira (23), no Mineirão. O Cruzeiro recebeu o Remo, pela 32ª rodada do Campeonato Brasileiro, e venceu por 1 a 0, com gol de Fabrício Bruno, ainda no primeiro tempo

A vitória colocou a Raposa provisoriamente na terceira colocação, com 54 pontos, ultrapassando o Athletico-PR, que soma 53 e ainda entra em campo nesta rodada. O resultado foi importante, não tenho a menor dúvida disso. Afinal, estamos falando de uma equipe que conquistou sua segunda vitória consecutiva, segue firme no G4 e está cada vez mais próxima de garantir uma vaga na próxima edição da Libertadores. Entretanto, como torcedora, não posso olhar apenas para o placar e fingir que tivemos uma grande atuação, porque claramente não foi isso que aconteceu.
Sobre o jogo
O Cruzeiro venceu, cumpriu sua obrigação dentro de casa, mas deixou algumas preocupações para a sequência do campeonato. Artur Jorge optou por manter praticamente a mesma formação que havia vencido o Grêmio na rodada anterior. A principal mudança foi o retorno de Fabrício Bruno à equipe titular, substituindo João Marcelo, que estava suspenso. Uma alteração que, curiosamente, acabou sendo decisiva para o resultado da partida.
Desde os primeiros minutos, ficou evidente que o confronto não seria tão simples quanto a diferença entre as equipes na tabela poderia sugerir. De um lado, tínhamos um Cruzeiro brigando pelas primeiras posições; do outro, um Remo desesperado para escapar do rebaixamento. E quem imaginava encontrar um adversário completamente fechado, apenas esperando o Cruzeiro atacar, acabou se surpreendendo.
O adversário mostrou disposição, buscou explorar os espaços deixados pela nossa defesa e conseguiu incomodar, principalmente durante os primeiros 30 minutos. Jajá foi um dos jogadores que mais deram trabalho, aproveitando oportunidades para finalizar e colocando nossa defesa em situações desconfortáveis.
Inclusive, precisamos reconhecer a importância de Otávio. O goleiro apareceu em momentos fundamentais, realizando boas defesas e evitando que o Cruzeiro saísse atrás no marcador. Em uma partida decidida por apenas um gol de diferença, essas intervenções tiveram um peso enorme. Jajá ainda acertou a trave, em um daqueles lances que fazem o coração do torcedor parar por alguns segundos. E, convenhamos, tomar um gol em casa, diante de um adversário que ocupa a vice-lanterna, poderia ter complicado bastante os nossos planos.

Do lado celeste, também tivemos oportunidades, mas faltava qualidade na construção ofensiva. O Cruzeiro até conseguia chegar ao campo adversário, porém encontrava dificuldades para transformar suas jogadas em chances claras de gol.
A equipe apresentou problemas na circulação da bola, pouca criatividade em determinados momentos e dificuldades para acelerar as jogadas. Matheus Pereira tentava organizar as ações ofensivas, enquanto Kaio Jorge buscava encontrar espaços na marcação adversária, mas nem sempre recebia a bola em condições favoráveis para finalizar.
Para complicar, Artur Jorge ainda precisou lidar com um problema inesperado. Keny Arroyo sentiu um desconforto físico e deixou o gramado ainda na primeira etapa, dando lugar a Wesley. Uma situação que merece atenção, principalmente considerando a importância de termos o elenco disponível nesta reta final.
E quando parecia que iríamos para o intervalo com o placar zerado, apareceu a famosa bola parada para resolver o problema. AOS 50 MINUTOS, FABRÍCIO BRUNO FEZ O MINEIRÃO EXPLODIR!
Após uma finalização de Wesley que resultou em escanteio, Matheus Pereira colocou a bola na área com precisão. Fabrício Bruno apareceu livre na segunda trave, subiu e cabeceou firme para o fundo das redes de Marcelo Rangel. Foi o primeiro gol do zagueiro na temporada e, justamente, em uma partida na qual precisávamos muito de alguém para decidir.
Um gol que trouxe alívio para a torcida, colocou o Cruzeiro em vantagem e permitiu que a equipe fosse para o intervalo com um resultado positivo, mesmo sem ter apresentado um futebol convincente.
E aqui faço questão de destacar uma coisa: bola parada também ganha jogo. Quando o setor ofensivo encontra dificuldades para criar oportunidades, aproveitar cobranças de escanteio e faltas pode fazer toda a diferença. E Fabrício Bruno mostrou exatamente isso. A expectativa para o segundo tempo era de um Cruzeiro mais organizado, mais agressivo e, principalmente, interessado em ampliar a vantagem para não correr riscos desnecessários.
Mas, infelizmente, não foi isso que vimos. A etapa final foi marcada por um jogo bastante truncado, com poucas oportunidades claras e muitas dificuldades de ambas as equipes para construir jogadas. O Cruzeiro não conseguiu transformar a vantagem no placar em domínio da partida. Pelo contrário, apresentou dificuldades para controlar a posse de bola e acabou permitindo que o Remo tivesse mais participação no jogo.
E esse é um dos pontos que mais me incomodaram. Não podemos confundir administrar um resultado com simplesmente deixar o adversário jogar.
É claro que uma equipe não precisa atacar desesperadamente durante os 90 minutos, principalmente quando está vencendo. Mas existe uma diferença entre controlar a partida de maneira inteligente e permitir que o adversário cresça por falta de intensidade, organização e criatividade. E, na minha avaliação, o Cruzeiro esteve muito mais próximo da segunda situação.
Mesmo enfrentando uma equipe que ocupa a 19ª colocação, tivemos dificuldades para impor nosso ritmo e criar oportunidades suficientes para resolver o confronto com tranquilidade. O Remo, por sua vez, demonstrou valentia, tentou buscar o empate e não se intimidou com o Mineirão. Entretanto, também esbarrou nas próprias limitações técnicas e não conseguiu aproveitar os momentos em que encontrou espaço.
Na parte final da partida, o Cruzeiro ainda conseguiu levar perigo com Kaio Jorge, em uma finalização desviada, e novamente com Fabrício Bruno, que apareceu para cabecear. Nas duas oportunidades, Marcelo Rangel trabalhou bem e impediu que a vantagem celeste aumentasse.
E assim seguimos até o apito final: com o coração acelerado, aquela preocupação de sofrer um empate nos últimos minutos e a sensação de que poderíamos ter evitado tanto sofrimento. Mas o apito veio, a vitória ficou no Mineirão e os três pontos foram para a nossa conta.
Entre os destaques da noite, Fabrício Bruno merece todos os elogios pelo gol decisivo. Além de cumprir sua função defensiva, apareceu no ataque para garantir um resultado fundamental para nossas pretensões. Otávio também merece reconhecimento. Suas defesas durante o primeiro tempo foram essenciais para manter o Cruzeiro vivo na partida. Muitas vezes, valorizamos apenas quem marca o gol, mas precisamos lembrar de quem impede que o adversário faça o seu.
Matheus Pereira participou diretamente do lance decisivo, mostrando mais uma vez a importância de sua qualidade técnica nas cobranças de bola parada. Mesmo em uma noite na qual o setor ofensivo não funcionou como esperávamos, sua assistência acabou fazendo a diferença. Por outro lado, o desempenho coletivo precisa ser analisado com atenção. Faltou intensidade, faltou criatividade em diversos momentos e, principalmente, faltou capacidade para controlar uma partida na qual tínhamos condições de apresentar muito mais.
O próprio Artur Jorge reconheceu, após o confronto, que não foi uma atuação brilhante, embora tenha ressaltado a importância do resultado. E eu concordo com essa avaliação. Não podemos exigir espetáculo em todas as rodadas, mas também não podemos normalizar atuações abaixo do esperado apenas porque conseguimos vencer.
Aliás, para mim, isso também faz parte de ser torcedora. Não é porque amo o Cruzeiro que preciso achar tudo maravilhoso, assim como não é porque faço críticas que deixo de reconhecer os méritos do time. Precisamos olhar para o contexto da temporada e entender a importância dessa sequência positiva.
O Cruzeiro chegou aos 54 pontos, conquistou sua segunda vitória consecutiva e assumiu provisoriamente a terceira colocação. O Athletico-PR ainda joga nesta rodada, mas o que realmente importa é que seguimos somando pontos e consolidando nossa posição entre as equipes que brigam pelas vagas na Libertadores.
E isso precisa ser valorizado. Depois de tantos anos difíceis, de temporadas marcadas por sofrimento, insegurança e preocupações com a parte inferior da tabela, poder acompanhar o Cruzeiro novamente brigando na parte de cima do Brasileirão tem um significado enorme.
Quem esteve ao lado deste clube nos momentos mais complicados sabe muito bem o valor de voltar a olhar para a tabela e encontrar nossa Raposa entre os primeiros colocados. Mas é justamente por estarmos nessa posição que precisamos elevar nosso nível de exigência. Não podemos nos acomodar. A reta final do campeonato exige concentração, regularidade e capacidade de decisão. Qualquer ponto desperdiçado pode fazer diferença na classificação, e qualquer desatenção pode custar caro.
Próximo jogo
Além disso, o próximo compromisso será daqueles que dispensam apresentações. O Cruzeiro vai até a Arena MRV, às 19h30, para enfrentar o maior rival em mais um capítulo de uma rivalidade que sabemos muito bem o que representa. E, sinceramente, espero ver uma postura diferente. Clássico tem suas próprias características. Não importa quem está melhor na tabela, quem chega embalado ou quem atravessa um momento complicado. São jogos de muita intensidade, disputa, concentração e, principalmente, entrega.
Precisamos de um Cruzeiro que consiga controlar melhor o meio-campo, aproveitar suas oportunidades e evitar os espaços que ofereceu ao Remo. Também será fundamental apresentar mais criatividade no ataque, porque sabemos que uma partida contra o Atlético exige atenção durante todos os minutos. E, se existe uma coisa que não quero, é passar mais 90 minutos sofrendo por falta de capacidade para administrar um resultado. Brincadeiras à parte, espero que Artur Jorge aproveite os próximos dias para corrigir os problemas apresentados, recuperar os jogadores e preparar a equipe para um confronto tão importante.
Estou feliz pela vitória, satisfeita com os três pontos e orgulhosa de ver o Cruzeiro novamente disputando as primeiras posições do Campeonato Brasileiro. Mas também fico com a sensação de que nosso time tem condições de entregar muito mais futebol. Agora, precisamos transformar essa vitória em confiança, corrigir os erros e chegar ao clássico preparados para enfrentar um desafio muito maior. Porque, se tem uma coisa que a torcida cruzeirense aprendeu depois de tudo o que viveu, é que nenhuma conquista deve ser tratada como algo pequeno.
Por Mury Kathellen
*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo