A bola parada segue cobrando caro


Internacional começa na frente, se impõe e mostra evolução, mas outra vez cede ao preço da bola parada

Na tarde deste domingo (11), Grêmio e Internacional entraram em campo às 17h30, na Arena, para o último greNAL de 2026. Pela 30ª rodada do Brasileirão, os dois times precisavam vencer, cada um com seus próprios problemas para resolver na tabela. E, olhando para o futebol que os dois apresentaram ao longo do ano, não vou mentir: terminar a temporada sem precisar assistir a outro clássico também tem seu lado positivo. O problema é que, quando a bola rolou, ficou claro que ninguém estava ali para facilitar a vida de ninguém.

Foto: Ricardo Duarte/ Sport Club Internacional

Os dois precisavam dos três pontos, mas saíram com um para cada lado. E, para quem está brigando para fugir da parte de baixo da tabela, isso está longe de ser motivo para comemorar.

O clássico começou com os dois times parecendo não saber muito bem o que fazer com a bola. A pressão estava lá, a necessidade de vencer também, mas o futebol demorou a aparecer. Do lado colorado, ainda tinha a ferida da eliminação na Copa do Brasil para o maior rival, porque tem coisa que o torcedor não esquece tão cedo. E, convenhamos, não faltava motivo para o clima esquentar.

Nos primeiros dez minutos, parecia que Grêmio e Inter tinham esquecido que a melhor maneira de machucar o adversário era com futebol. Para trombar, chegar junto e transformar cada disputa de bola em uma confusão, os dois estavam muito bem preparados. Já para criar uma jogada decente, a conversa era outra.

Depois dos 12 minutos, o Internacional começou a se encontrar melhor em campo. A marcação encaixou, o time conseguiu distribuir melhor a bola e deixou um pouco de lado aquela correria que só serve para cansar jogador e irritar torcedor. Não virou um espetáculo, ninguém precisa exagerar, mas o Inter passou a jogar com mais organização e começou a encontrar espaços para avançar.

A primeira grande chance, porém, foi do Grêmio. Aos 18 minutos, Amuzu ficou em condições de abrir o placar, mas Anthoni apareceu com uma baita defesa. O goleiro colorado repetiu o que já tinha feito diante do Corinthians e evitou que o rival saísse na frente.

Agora, se o futebol demorou a engrenar, a arbitragem conseguiu outro feito: deixar o clássico cada vez mais complicado. O árbitro foi afrouxando a mão na marcação das faltas e, aos poucos, perdeu o controle de uma partida que já estava com os ânimos lá em cima. Cada disputa parecia ter autorização para virar uma briga, e o jogo foi ficando cada vez mais pesado.

Com esse jeito caseiro de conduzir o jogo, ficou difícil não se perguntar até onde aquilo ia chegar. Porque uma coisa é deixar o clássico correr, outra é permitir que os jogadores resolvam tudo no contato e depois tentar colocar ordem na casa. Quando a arbitragem perde o controle, todo mundo reclama, o jogo fica picado e o futebol acaba ficando em segundo plano. E foi justamente isso que vimos em vários momentos.

Mas, aos 32 minutos, o Inter resolveu lembrar que também sabe jogar bola. Depois de recuperar a posse em uma jogada iniciada pelo Grêmio, Vitinho enxergou o goleiro Weverton adiantado e fez uma cobertura quase do meio de campo. Um golaço! Daqueles para fazer qualquer colorado levantar do sofá, gritar e esquecer por alguns segundos todos os problemas que esse time já nos fez passar.

Foi uma pintura alvirrubra na Arena, e não tem muito mais o que dizer. Vitinho viu a oportunidade, teve coragem de tentar e acertou em cheio. O Inter saiu na frente com um daqueles gols que a gente vai querer rever várias vezes. Pena que, no Brasileirão, golaço não vale mais do que um gol. E vitória, como sabemos, vale muito mais do que empate.

O primeiro tempo terminou com o Colorado melhor organizado e na frente do placar. O Inter tinha encontrado um jeito de jogar, estava conseguindo competir e aproveitou a chance que teve. A missão para a segunda etapa era bem clara: segurar a vantagem e aproveitar os espaços que o Grêmio deixaria ao sair em busca do empate. Não precisava inventar a roda. Precisava fazer o básico bem feito.

Só que o Grêmio voltou do intervalo disposto a correr atrás do prejuízo. Logo aos três minutos, teve uma boa chance em uma cabeçada que foi para fora. Atrás no placar, os donos da casa começaram a avançar mais, e isso também abriu espaços para o Internacional. Era o cenário ideal para tentar encaixar um contra-ataque e resolver o clássico.

Mas aí entra aquele problema que o torcedor colorado conhece bem: o Inter até encontra uma oportunidade, mas nem sempre sabe o que fazer com ela. O time não conseguiu aproveitar os espaços que apareceram e deixou o Grêmio seguir vivo no jogo. E, quando tu tens a chance de encaminhar uma vitória tão importante, não dá para ficar esperando que o adversário desista por conta própria.

Aos 27 minutos do segundo tempo, veio a conta. Na bola parada, a desatenção voltou a aparecer. Depois da cobrança de falta, Anthoni não conseguiu segurar a bola, e Wallace aproveitou o rebote para empatar o clássico.

Pois é. A gente comemora um golaço de cobertura quase do meio de campo e, pouco depois, vê a vantagem escapar em uma jogada de bola parada. Não dá para colocar tudo na conta do goleiro, mas também não dá para ignorar que esse tipo de lance cobra caro. O Inter tinha a vitória nas mãos e deixou o Grêmio voltar para a partida.

E o empate não pesou só dentro de campo. A tabela também estava fazendo a sua parte naquela tarde. Com a vitória colorada e o Palmeiras goleando o Corinthians, o Inter poderia ultrapassar o rival paulista e sair da zona de rebaixamento. Sim, colorado, a conta estava ficando boa. Pela primeira vez em muito tempo, a possibilidade de deixar o Z-4 parecia estar ali, pertinho. Só que faltou combinar com o Inter.

O gol de Wallace acabou com a festa antes mesmo de ela começar. Aquela dança das cadeiras que poderia tirar o Colorado da zona de rebaixamento perdeu a graça, e o time voltou a depender de si e dos resultados para tentar sair de uma situação que já se arrasta há tempo demais. É frustrante porque a oportunidade existia. Não era uma conta impossível, nem um milagre que precisava acontecer. O Inter só precisava fazer a sua parte.

Depois do empate, Eduardo Baptista mexeu no time em busca de uma reação, mas as alterações não tiveram o efeito esperado. O Grêmio ainda encontrou oportunidades para buscar a virada, e o Colorado precisou segurar a pressão até o apito final.

Aqui, faço questão de reconhecer uma coisa: o Inter não desmoronou depois de sofrer o empate. Conseguiu suportar a pressão e evitou que o prejuízo fosse ainda maior. Mas também não vamos transformar isso em uma grande conquista. O time entrou em campo precisando vencer, abriu o placar e teve chances de encaminhar o resultado. Conseguir segurar um empate depois de deixar a vitória escapar não é exatamente o que a gente esperava.

No fim das contas, o 1 a 1 não serviu para deixar ninguém feliz. O Grêmio não conseguiu aproveitar o fator casa para buscar a vitória, e o Internacional deixou escapar três pontos que fariam uma diferença enorme na luta contra o rebaixamento.

O greNAL 455 terminou empatado, e o Inter deixou passar mais uma oportunidade de respirar no Campeonato Brasileiro.

Próximo compromisso

Na sexta-feira (16), o Inter encara o Mirassol, às 20h, no Maião, pela 31ª rodada do Brasileirão.

Por Jéssica Salini

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.


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