Cruzeiro reage, mas deixa escapar a redenção
Cabuloso luta até o fim, diminui o prejuízo, mas não consegue buscar o empate
Fala Nação Azul!
Na noite de sábado, 12 de setembro, o Cruzeiro enfrentou o Santos, na Vila Belmiro, em mais uma rodada do Campeonato Brasileiro, e acabou derrotado por 2 a 1. Depois de um primeiro tempo complicado, em que sofreu com a pressão santista e foi para o intervalo em desvantagem, o time voltou para a segunda etapa com outra postura, reagiu, diminuiu com Matheus Pereira e transformou os minutos finais em um verdadeiro teste para o coração do torcedor.
Como torcedora, saio desse jogo com sentimentos completamente misturados. A derrota incomoda, principalmente porque o Cruzeiro demorou demais para entrar de verdade na partida e acabou pagando caro pelos erros cometidos. Mas também é impossível ignorar a reação na etapa final. O time mostrou outra atitude, lutou até o último segundo e fez a torcida acreditar em um empate que parecia improvável.
Fica aquele gosto amargo de que dava para buscar mais, porque quando o Cruzeiro finalmente se encontrou em campo, já não havia mais tempo suficiente para transformar a reação em resultado. É frustrante, mas também dá orgulho ver o time não desistindo quando tudo parecia perdido. Afinal, para quem torce, esperança é uma coisa teimosa: pode até sofrer durante 90 minutos, mas a esperança fica até o minuto final.

O jogo
Como torcedora, a sensação é de que o time até começou a partida com apetite, tentando mostrar que veio para o jogo, mas aos poucos foi sendo engolido por uma tempestade de erros e pela pressão sufocante do Santos.
Logo aos 2 minutos, Gerson ganhou a disputa no meio-campo e acionou Gabriel Rojas, que cruzou na medida para Kaio Jorge subir livre de cabeça. A bola, felizmente para nós, foi por cima do gol de Gabriel Brazão. Foi a primeira grande chance da partida.
Mas o Santos não demorou para aumentar a intensidade. A marcação alta começou a incomodar, e as investidas de Everton Cebolinha e Rollheiser passaram a levar perigo. Luan Peres sofreu um corte no rosto ao se chocar com a zaga cruzeirense durante uma cobrança de escanteio e precisou deixar o campo. Um lance duro em uma partida que já começava a ganhar contornos de batalha.
E então veio o balde de água fria aos 27 minutos. Igor Vinicius roubou a bola e acionou Gabriel Bontempo pela esquerda. Ele chamou a marcação, arriscou o chute, a bola desviou e sobrou para Everton Cebolinha, que encheu o pé. No rebote, Rollheiser apareceu para mandar para o fundo das redes e abrir o placar para o Santos.
Se já estava difícil, aos 31 minutos virou pesadelo. Rony dominou no meio e encontrou Rodinei escapando pela direita. O cruzamento veio para a área e, na tentativa de Fabrício Bruno de impedir que a bola chegasse em Gabriel Bontempo, acabou acontecendo o pior. Gol contra e 2 a 0 para o Santos.
A essa altura, o Cruzeiro parecia perdido em campo, sofrendo para encontrar respostas e, principalmente, para escapar da pressão santista. O time da casa ainda teve uma chance enorme de transformar a vantagem em goleada aos 38 minutos. Rollheiser aproveitou mais um erro cruzeirense, saiu cara a cara com o goleiro, tirou Gabriel Brazão da jogada, mas mandou para fora. Um daqueles lances que fazem o torcedor respirar fundo e agradecer pelo livramento.
Já nos acréscimos, aos 47, Arroyo tentou diminuir o prejuízo em uma cobrança de falta por cima da barreira, mas Gabriel Brazão fez a defesa. E assim termina um primeiro tempo que aperta, e muito o coração de qualquer cruzeirense: 2 a 0 para o Santos, uma atuação instável, meio-campo sofrendo demais com a marcação sufocante e erros individuais que custaram caro.
Agora era respirar fundo, esquecer esses primeiros 45 minutos e torcer para que o vestiário fizesse o seu trabalho. Porque, do jeito que está, o Cabuloso vai precisar voltar para o segundo tempo com outra postura, outra intensidade e, principalmente, muito mais cabeça no lugar. Ainda tem jogo. E enquanto tiver jogo, a gente acredita.

O segundo tempo começou mantendo o ritmo de tensão que a torcida cruzeirense já conhecia bem, com o Santos tentando ampliar e a gente respirando por aparelhos. Rollheiser cobrou falta colocando a bola na área, e Gabriel Bontempo, desequilibrado, tocou de cabeça, mas mandou para fora. O Cabuloso tentava responder e acordar para o jogo, mas o time da casa continuava assustando.
Aos 5 minutos, Rollheiser fez um belo lançamento para Everton Cebolinha dominar em velocidade, passar por Fagner e bater cruzado, mandando a bola muito perto do gol de Otávio. Era aquele tipo de lance que fazia o coração acelerar ainda mais.
A Raposa tentava encaixar suas jogadas ofensivas e Gabriel Rojas cruzou com muito veneno pelo lado esquerdo. A bola atravessou toda a área santista sem encontrar ninguém e, logo depois, Wesley ainda tentou um voleio, mas a zaga conseguiu cortar antes que a finalização levasse perigo.
Arroyo cruzou da direita e Matheus Pereira subiu firme para testar de cabeça, obrigando Gabriel Brazão a fazer uma defesa milagrosa. Era o gol que poderia colocar o Cruzeiro de volta na partida, mas o goleiro adversário apareceu para salvar o time da casa.
O jogo seguiu lá e cá, com o time Mineiro buscando o ataque, mas também sofrendo com os contragolpes. A nossa esperança de reação começou a crescer. O Cabuloso passou a trocar mais passes no campo ofensivo e tentava pressionar o Santos, mas o tempo corria rápido demais e a frustração começava a bater. Aos 24 minutos, Gabriel Bontempo partiu para cima da marcação de Fabrício Bruno e bateu cruzado com perigo, mas a bola saiu.
Na reta final, o clima esquentou de vez, com cartões amarelos para João Marcelo, por reclamação, e para o goleiro Gabriel Brazão, por cera. O Cruzeiro também foi mexendo na equipe, com a entrada de Lucho Rodríguez no lugar de Arroyo, buscando forças para uma reação que parecia cada vez mais urgente. O Santos ainda teve oportunidades para matar o jogo, mas não conseguiu. E o Cruzeiro, que já parecia sem tempo para reagir, continuou lutando até o último suspiro.
Aos 44 minutos, finalmente veio o gol que tanto buscamos, Matheus Pereira, o nosso craque, apareceu para diminuir a vantagem e colocar fogo nos minutos finais. De repente, o que parecia praticamente decidido ganhou novos ares. A esperança voltou, a torcida acreditou e o coração, que já estava apertado, passou a bater ainda mais forte.
Terminamos com a derrota por 2 a 1, com a frustração de saber que o empate esteve tão perto, mas também com a certeza de que lutar até o último suspiro é o que faz a gente continuar acreditando.
Próximo jogo
No domingo, 20 de setembro, às 16h, a Raposa encara o Vitória, no Barradão, em Salvador, pela 28ª rodada do Campeonato Brasileiro. E se depender dos números, o confronto promete ser equilibrado. Mas futebol, a gente sabe, se resolve jogando bem em campo.
Por Mury Kathellen
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